Especial

Jovens saem às ruas de Maceió e protestam contra o aumento das passagens de ônibus e a corrupção no país

Este foi o número estimado pelos manifestantes, confirmado no final da tarde desta segunda-feira (17) pela Polícia Militar

27 de Julho de 2018, 13:36

 
Maceió definitivamente aderiu ao movimento contra o aumento das passagens de ônibus, contra a corrupção e por mais Saúde e Educação, que se prolifera pelas capitais e outras cidades brasileiras. Os manifestantes, que se encontraram na Praça do Centenário (bairro do Farol), a partir das 16h desta segunda-feira (17), eram em grande maioria jovens, estudantes. Mas havia jornalista, advogado – políticos também. Calculou-se a participação de cinco mil pessoas, portando faixas, cartazes, bandeiras, entoando gritos de protesto: “Maceió vai parar se a passagem aumentar”. 
 
“Mãos ao alto, esse aumento é um assalto”, anunciava um dos cartazes. A garotada conclamava os passageiros que estavam nos ônibus – estes tentando ainda, no horário das 16h30, descer a avenida Moreira e Silva em direção ao Centro: “Vem pra rua, vem, contra o aumento. É a revolta do busão”.
 
“Da Copa eu abro mão, eu quero passe livre, Saúde e Educação”, continuavam cantando os manifestantes, enquanto se dirigiam ao Centro. “Acabou o amor, isso aqui vai virar Turquia”. Garotos de cara pintada, com máscaras de filmes (“V de Vingança”, “Guerra nas Estrelas”), lenços no rosto, o entusiasmo era contagiante.
 
É a segunda manifestação em Maceió. A primeira, realizada na quinta-feira (13), em frente à Transpal (Associação dos Transportadores de Passageiros do Estado de Alagoas), na avenida Buarque de Macedo (Centro), havia sido tímida, com a participação de pouco mais de 500 pessoas. Com a criação da página do movimento no Facebook e adesão de mais de 11 mil pessoas, o coro dos descontentes engrossou as fileiras e o que se viu, nesta segunda-feira, foi revolta e civilidade de uma parcela importante de estudantes e trabalhadores, afinal, cinco mil pessoas é um número que já dá pra fazer zoada.
 
“O movimento cresceu muito desde o começo”, disse o estudante universitário do curso de Teatro da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Victor Comette, de 19 anos. “Nós queremos mudar esta realidade. Na época da ditatura, os estudantes saíam às ruas em protesto. Agora a gente despertou para protestar contra a situação que estamos vivendo. O país vai mudar”, empolgava-se o rapaz, avisando: “Se a PEC 37 [a proposta de emenda à Constituição para coibir a ação investigativa do Ministério Público Federal e outras instituições] for aprovada, Maceió vai parar”.
 
Nesta segunda, enquanto São Paulo, Rio, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, davam mostras da força dos jovens, do povo e dos estudantes, manifestantes em Maceió também atestaram uma disposição de a ir até o fim na luta contra a desenfreada corrupção no país, contra os gastos com a Copa em detrimento aos gastos com a Saúde e a Educação e, claro, contra o aumento das passagens. “Vem, vamos pra rua, quem sabe faz a hora...”, sinalizava outro cartaz, fazendo o trocadilho com a letra de “Para Não Dizer que Não Falei de Flores”, de Geraldo Vandré, hino dos protestos políticos nos anos 1960.
 
A manifestação toda ocorreu na paz (a despeito de algumas vezes os jovens terem mandado a presidente Dilma pra aquele lugar), porém, no final do protesto, à noite, no retorno à avenida Fernandes Lima, um estudante de 16 anos foi baleado e atingido de raspão no rosto por um motorista que queria passar pelo cortejo. O carro de chapa branca era da Secretaria Municipal de Energia e Iluminação de Maceió (Sima), informação confirmada nesta terça-feira (18) pelo próprio prefeito Rui Palmeira na página dele no Facebook. Avisou que o incidente será apurado e que o motorista será afastado do cargo.
 
Outra manifestação está marcada para esta quinta-feira (20). Quem não aderiu, a hora é esta. Veja a galeria de fotos, com alguns momentos marcantes da passeata.