Especial

Estudantes voltam a protestar nesta quinta-feira, esperando a adesão das gerações mais velhas

Organizadores espera a adesão de pessoas mais velhas à manifestação desta tarde, na Praça Centenário

27 de Julho de 2018, 13:36

 
O Movimento Passe Livre, que reuniu cinco mil pessoas, na última segunda-feira (17), em Maceió, voltará às ruas da cidade nesta quinta-feira (20), às 16h. “Desde as 15h, estaremos nos reunindo numa grande oficina de confecção de cartazes, já na praça”, informa o estudante de teatro (Ufal), Victor Comette, 19 anos, integrante do movimento e um dos organizadores do evento no início da semana e deste que se realizará logo mais à tarde. Com a vitória do movimento em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, além de Natal e Porto Alegre, cujas administrações municipais recuaram na decisão de aumentar o preço das passagens de ônibus, a proposta alagoana é continuar reivindicando a manutenção do preço das passagens em R$ 2,30 – rechaçando o aumento previsto para R$ 2,85. 
 
“Existe uma chamada 'organização' do protesto que se encontrou no DCE da Ufal, na Praça Sinimbú, onde eles deliberaram sobre os protestos desta quinta-feira. Eu estava lá”, afirma Comette, lamentando que essa 'organização' esteja “repleta de integrantes envolvidos com partidos políticos, sindicatos e movimentos estudantis como a Anel [Assembleia Nacional de Estudantes – Livre]”. 
 
“Essa organização”, explica Comette, “não legitima as decisões tomadas por mais de 20 mil pessoas, que é o número confirmado no Facebook para o protesto de hoje. Segundo eles, apenas os que estavam presentes poderiam opinar e votar nos protestos. Uma vez que essa reunião não foi difundida e nem é capaz de comportar a todos, eu, particularmente, não acredito que possa representar a maioria da população.”
 
Comette diz que a organização do movimento que se reuniu no DCE da Ufal “insiste” em levantar a bandeira da tarifa do ônibus como principal reivindicação. “Porém, a grande maioria, como prova a enquete levantada na página do ato [https://www.facebook.com/events/1389023891309085/], luta pelo fim da corrupção e por mais investimento nos setores básicos do governo e fim da roubalheira. A nossa enquete tinha sete votos para as tarifas e mais de mil para a corrupção.”
 
O estudante espera que a manifestação de hoje supere os cinco mil que foram às ruas na segunda-feira. “Eu acho que as manifestações ganharão sim novos adeptos, pois o povo cada vez mais consegue enxergar a importância do que estamos fazendo e que, lutando contra a corrupção, contra políticas que propõem a PEC 37, contra políticos que têm tantas regalias e que ainda por cima fazem circo com o dinheiro público, lutando contra gastos absurdos, contra uma Copa do Mundo em hora errada, o próprio povo será o maior beneficiado. E uma coisa é certa: a união faz a força – quanto mais pessoas gritarem juntas, maior é a nossa voz. O povo sabe disso e vais às ruas”, conclama Victor Comette, convidando ativistas de outras gerações. “Espero ver pessoas mais velhas, professores, trabalhadores – não somente a juventude. Iremos beneficiar a todos. Então que a luta também seja de todos.”