Cultura

Karina Michele diz que 'estão tratando nossos idosos como mobília'

Artista participa do 29º. Salão de Artes da Marinha com o quadro ‘Brasil’, em que faz a crítica à violência e ao apartheid dos idosos

27 de Julho de 2018, 13:36

 
Karina Michele Souza está entre os cem artistas visual que integram a 29ª edição do Salão de Artes da Marinha, que será inaugurado nesta quarta-feira (4), no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no bairro do Jaraguá, região central de Maceió. Com uma obra arrojada de telas pintadas a óleo e esculturas feitas com floral de arranjos e papel machê, Karina surpreende pela riqueza dos traços e por uma inquietude que transcende os limites da cidade natal Penedo. 
 
Como se diz por lá, essa artista de 33 anos é uma danada.  Para a exposição do salão da Marinha, mandou uma tela que, segundo ela, “é uma crítica da atual situação do Brasil”. O quadro mostra uma sala decadente nas cores verde, azul e amarelo.
 
'Igreja Corrente', obra de Karina Michele sobre a histórica Penedo
“A parede está toda quebrada, o sofá rasgado e por baixo dele sai uma pequena poça de sangue”, explica, afirmando que este é o sentimento que tem atualmente pelo país. “Estão tratando nossos idosos como mobília e é triste ver mães perdendo filhos tão violentamente, enquanto as autoridades, pensando na Copa, jogam a sujeira para baixo do tapete.”
 
Karina diz que o mercado de artes em Penedo “está devagar quase parando”. Mas, como ela não é boba nem nada, pesquisa e investe no mercado além mar. Mantém contato com a curadora paulista naturalizada francesa Diva Pavesi, que edita o catálogo “Arte Contemporânea Brasileira”, e com a Ward-Nasse Art Gallery, de Nova York, de olho na exposição “Women Art 2014”. Karina vende quadros em Penedo a R$ 300 e R$ 800. Em Nova York, foram avaliados em U$ 700 e R$ 1.500.