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Bienal da Sociedade Brasileira de Matemática é um sucesso

Evento que ocorre em Maceió, no centro cultural e de exposições Ruth Cardoso, segue até quinta-feira (6)

27 de Julho de 2018, 13:36

Mais de mil e 300 pessoas de 143 instituições de ensino no país  participam da sétima edição da Bienal da Sociedade Brasileira de Matemática, que ocorre em Maceió desde o domingo (2), no centro cultural e de exposições Ruth Cardoso, no bairro central do Jaraguá. 

De acordo com o professor Krerley Oliveira, um dos organizadores do evento que acontece pela primeira vez na capital alagoana, “aproximadamente” 160 trabalhos estão previstas para serem apresentados durante toda a bienal, que se estenderá até quinta-feira (6). 

“É um saldo extremamente positivo”, afirmou o professor, cheio de entusiasmo. 

Entre palestras, minicursos e mesas redondas que integram a programação – que reúne alunos, professores e pesquisadores de diversos Estados brasileiros –, a feira de ciências MateExpo é destaque na edição alagoana do evento. O vencedor da competição, que reúne 24 escolas de Alagoas, receberá um prêmio da fundação de gestão e políticas educacionais Lemann (SP). “Eles fizeram a doação de 12 tablets para essa premiação”, informou Oliveira. 

Estudantes do laboratório de matemática e estatística da Universidade Federal da Bahia em estande

Entre as atividades que já ocorreram, foi destacado o encontro que reuniu no domingo (3) a presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas, Janesmar Cavalcanti; a secretária municipal de Educação, Ana Deise, e representantes da fundação Lemann para discutir estratégias de melhorias da educação. “Foi uma reunião positiva em prol do ensino. O primeiro passo de muitos que virão pela frente”, concluiu o matemático. 

Outra atividade que promete é a premiação da Olimpíada Alagoana de Matemática, nessa quarta-feira (5), a partir das 18h.

Uma estrutura foi montada na bienal para abarcar os diversos estandes das escolas participantes. Os alunos do Serviço Social da Indústria (o Sesi) escolheram como tema os sólidos geométricos. Entre icosaedros, tetraedros e hexaedros feitos de jujuba, o aluno Higor Ventura, estudante do 7o ano, não economizou nas explicações sobre a construção e sobre o modo como podem ser aplicados os poliedros de Platão. Categórico, ele disparou. “É que sou muito bom em Geometria.”

Com sessões lotadas e um público animado, os matemáticos da Universidade Federal de Goiás Thiago Porto e Ana Paula ministraram um minicurso sobre bases numéricas e critérios de visibilidade. Entre as atividades da aula curiosamente intitulada “O Rei maligno e a Princesa generosa”, um desafio foi proposto para a turma, que era o seguinte: os estudantes deveriam descobrir o resultado de uma soma de x, y e z. “Alguns chegaram perto, porém, ninguém acertou de fato. Alguns alunos até me confundiram em determinado momento”, disse Ana, divertindo-se com o jogo matemático. Ao término da aula, a professora foi somente elogios.  “Os alunos não ficaram apenas ouvindo – eles interagiram bastante. Ouso dizer que, se comparando à bienal passada, que aconteceu em Campinas, senti muito mais participação aqui. Foi ótimo.”

Krerley Oliveira, professor e integrante do comitê organizador da Bienal da Sociedade Brasileira de Matemática em Maceió

Representando a Secretaria de Educação do município, um estande de nome “Espaço da Matemática e do Conhecimento” exibe as atividades do programa tecnológico Mente Inovadora. “O maior objetivo é desenvolver as habilidades dos alunos. O programa trabalha, através de jogos didáticos, de tabuleiro e no tablet, quatro lados: o cognitivo, o emocional, o ético e o social”, informou Gianni, integrante da equipe pedagógica do programa. 

Questionadas sobre a importância do evento, as alunas Lailda Sarmento, Beatriz Beltrão e Marília Braga (da escola Monteiro Lobato, de Maceió) responderam quase em uníssono. “É legal porque relembramos alguns conhecimentos e aprendemos coisas novas.”

Thiago Porto e Ana Paula, professores da Universidade Federal de Goiás

Rafael Rômulo, aluno de 7o ano, veio de Goiás para se apresentar no evento. O assunto escolhido foram os seixos. “Ele é maravilhoso, discute assuntos do 2o grau com uma facilidade enorme. O Rafael é também integrante do projeto ‘Tutoria’, em que auxilia alunos com dificuldades em matemática na escola em que estuda”, afirma orgulhosa a técnica em assuntos educacionais da Universidade Federal de Goiás, Silmara Epfania. Sobre esta sétima edição da bienal, ela garante que o público é tranquilo e está correspondendo às expectativas. “Todo evento que de algum modo divulgue a matemática é válido. Contribui na troca de experiências e práticas didáticas”, disse o voluntário João Luís, que veio de Goiás sem qualquer espécie de auxílio da universidade.

Os estudantes do laboratório de Matemática da UFBA optaram por exibir um “lado divertido e lúdico” da disciplina. “O melhor é receber os sorrisos das crianças depois das nossas explicações”, disse Juliana Maria. O intercâmbio cultural e a troca de informações foram, também, lembrados. “Está sendo sensacional conhecer novas pessoas”, afirmou Tiago de Campos. “De forma lúdica, estamos mostrando que a matemática não é tão terrível quanto pensam. Queremos inspirar os professores também”, concluiu Ramon Almeida.