Cultura

Os sambas, chorinhos, maxixes e bossas de Zé Milton em lançamento de CD no Teatro de Arena

O repertório do CD 'Meu Jeito de Samba' será apresentado nesta quinta-feira (6), no teatro anexo ao Deodoro; artista diz que faz um 'samba de consistência'

06 de Setembro de 2018, 16:04

Jorge Barboza/ Editor

Fazendo o lançamento oficial de um belo CD voltado para as diversas vertentes do samba, o álbum “Meu Jeito de Samba”, o cantor e compositor Zé Milton é atração desta quinta-feira (6) do programa “Quinta no Arena”. O show, marcado para as 19h30, traz as composições que estão no disco, lançado de forma independente e produzido pelo próprio Zé Milton e pelo guitarrista Toni Augusto. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 e já estão à venda na bilheteria do Teatro Deodoro (colado no Arena) à rua Barão de Maceió, 375, centro da capital.

“Iniciaremos o show com ‘citações’ de alguns sambas clássicos da música brasileira, mas logo mostraremos que a proposta é focar minhas músicas, aliás, nossas – até porque priorizo o que chamo de MPAL, ou seja Música Popular Alagoana”, afirma o artista em entrevista ao site.

O show traz as dez composições de Zé Milton e outras duas assinadas por Mácleim que estão n o álbum. Willbert Fialho, Bruno Palagani, Toni Augusto, Van Silva, Wilson Miranda e Leo Costa compõem o time de músicos que acompanhará o cantor. Miran Abs, o trio de metais da Gafieira Caprichosa, Mácleim, Lara Melo, João Albrecht, Altair Roque e Mel Nascimento fazem participações especiais.

'Adoro outros estilos e pretendo realizar um CD de MPAL'

“No sentido mais saudável da palavra”, reconhece Zé Milton, “sou mesmo bairrista no que diz respeito à música. Tem muita gente em nossa seara, que admiro e adoraria ter a honra de trazer para essa festa. Minhas músicas são inspiradas em sambas clássicos nacionais, mas muito também, nos nossos artistas locais, que são ícones para mim.”

Com uma carreira musical que se iniciou ainda quando estudava medicina em São Paulo (participando do coro da universidade), Zé Milton participou de festivais de música em Maceió e outros projetos musicais, como o “Palco Aberto”, do Instituto Boibumbarte. “Há um tempo que venho namorando a música”, afirma. “Costumo dizer que sou casado com a medicina e que a música é minha amante. E nos últimos anos, esse namoro vem se tornando sério, de modo que, sim, sei que sou também um artista.”

Reafirmando-se compositor de canções “não descartáveis”, o artista diz não se ver como “sambista”. “Adoro outros estilos e ainda pretendo realizar um CD de MPAL, quem sabe de blues... Quando nos propusemos a fazer um CD de samba, veio logo à cabeça um samba que não fosse esquecido no próximo mês, que tivesse consistência. Daí, tem vários estilos de samba, chorinhos, bossas, samba-enredo, um samba maxixado e até um funk-samba. Por isso, tem um formato meio clássico. Até porque, também, acho que vivemos uma época de muita banalização da música, por conta de como hoje é consumida, de forma fugaz, tendo de fazer muito sucesso e agradar uma massa popular cada vez mais pobre culturalmente.”

Para Zé Milton, “os grandes sucessos que se ouve hoje nas rádios em geral, amanhã já serão esquecidos e substituídos por outros, via de regra, com arranjos banais”. “Cada vez mais, a cultura, a vida em si, é tratada de forma banal em nosso cotidiano. Mas, acho que tem umas pitadas modernas, uns efeitos eletrônicos aqui e ali, não comuns nas ondas do samba, mas sem deixar comprometer a essência do estilo.”