Cultura

'A Mulher do Pau Brasil', de Adriana Calcanhotto, traz um olhar sobre o país visto de fora

Cantora gaúcha se apresenta em Maceió nessa quinta-feira (11), às 21h, no Teatro Gustavo Leite; a inspiração é a antropofagia de Oswaldo de Andrade e o tropicalismo de Caetano Veloso

10 de Outubro de 2018, 18:20

Da Redação

Acompanhada dos músicos Bem Gil (guitarra, piano, prato e surdo) e Bruno Di Lullo (baixo, MPC e piano), a cantora e compositora Adriana Calcanhotto apresenta o show “A Mulher do Pau Brasil”, nessa quinta-feira (11), às 21h, no Teatro Gustavo Leite à rua Celso Piatti, s/n, bairro do Jaraguá, região central de Maceió.

De acordo com os produtores do espetáculo, “A Mulher do Pau Brasil” é resultado de uma residência artística na Universidade de Coimbra (Portugal), empreendida por Adriana num período de dois anos. O show foi apresentado em Coimbra e em Lisboa e estreou no Brasil em agosto. O jornal O Globo afirma que a canção-título “remete a um espetáculo de 1987, marcando um encontro entre o passado e o presente da carreira da artista gaúcha”. “Resolvi fazer um concerto-tese, ou seja, um show relativo às coisas que eu estava pensando, como se fosse um trabalho de conclusão de curso”, explica Adriana ao noticiário carioca. “Não sei se é uma volta às origens, mas vou me dando conta que esta é a minha matéria-prima. As ideias modernistas, antropofágicas, de identidade do Brasil.”

Cantora diz que a antropofagia está presente em todo seu trabalho musical

Do repertório de 30 anos atrás, Adriana Calcanhotto manteve canções como “Geleia Geral” (Torquato Neto/ Gilberto Gil) e “Eu Sou terrível” (Roberto Carlos/ Erasmo Carlos). Entre as composições recentes, incluiu as políticas “As Caravanas” (Chico Buarque) e “Nenhum Futuro” (João Bosco/ Francisco Bosco). “São duas canções de 2017 olhando para o Brasil de hoje. O show é justamente meu olhar sobre o país visto a partir de Coimbra”, a artista declarou ao Globo, avisando que interpretará, de sua autoria, as músicas “Vambora”, “Esquadros” e “Inverno”.

Inspirada pelo “Manifesto da Poesia Pau Brasil”, do escritor modernista Oswald de Andrade (São Paulo, 1890-1954), e, também, pelo movimento  tropicalista de Gil e Caetano, a artista não poderia deixar de incluir a emblemática, com a assinatura da própria Adriana, “Vamos Comer Caetano”, do disco “Maritmo” (1998). Em “A Mulher do Pau Brasil”, a composição, de acordo com os produtores, “sublinha o conceito antropofágico do show, apresentando a ideia de devorar, de se apropriar e reinventar a informação que vem de fora. “Costumavam me perguntar se eu já tinha virado portuguesa e eu sempre respondia que não. Nunca me senti tão brasileira como agora”, ela declara no press-release enviado à Redação.

Ingressos entre R$ 30 e R$ 100 à venda na livraria Leitura do shopping Parque Shopping, no bairro de Cruz das Almas, e na loja Aimê Acessórios à rua Engenheiro Mário de Gusmão, 507, bairro de Ponta Verde. O bilhete pode ser adquirido, também, no aqui.