Especial

Jornalistas alagoanos colaboram para a virada de Fernando Haddad

Com a proximidade do segundo turno da corrida presidencial no domingo (28), militantes das redações combatem o fascismo em ações para esclarecer o eleitor sobre o perigo bolsonarista

25 de Outubro de 2018, 10:21

Jorge Barboza/ Editor

Desde a semana passada – quando reunidos na quarta-feira (17), em Maceió, para redigir um manifesto contra a candidatura da extrema-direita e pelas liberdades democráticas – jornalistas alagoanos, agrupados no aplicativo de mensagens WhatsApp, fazem militância contra o fascismo numa Frente Ampla Democrática formada para o segundo turno das eleições para presidente, que ocorrerá no domingo (28). A três dias do pleito decisivo dessa famigerada eleição – disputada pelo professor e economista Fernando Haddad e pelo brucutu violento Jair Bolsonaro, medíocre capitão da reserva do Exército Brasileiro que virou “mito” num Brasil intolerante à diversidade e à inclusão social –, os bravos comunicadores estão ajudando a virar esse jogo que aponta, ainda, Bolsonaro como favorito dos brasileiros. Mas, como pudemos verificar na noite dessa quarta-feira (24) com a divulgação da mais recente pesquisa do Ibope, que registra a virada de Haddad na capital paulista (veja aqui), até o domingo muita água vai rolar debaixo dessa ponte.

Jornalistas no início da manifestação do sábado (20), na Ponta Verde

Jornalistas resistem. É claro, nem todos os jornalistas. Há bolsonaristas na moita dentro das redações, “caladinhos” – como se diz. E há, entre outros lambe-botas, o notório Cláudio Humberto inventor do presidenciável Fernando Collor caçador de marajás, atualmente editor-chefe, em Brasília, do site Diário do Poder. Mas os colegas militantes da capital e do interior (e outros que moram fora de Alagoas), na peleja das redações e enfrentando as glórias e misérias do dia a dia, lançam-se à campanha democrática de Haddad, buscando virar definitivamente essa disputa delirante que se tornou as eleições para presidente do Brasil em 2018.

O músico Wado, que também é jornalista, com a família e a cantora Cris Braun

A vitória do professor e economista Fernando Haddad é possível. Eleições se resolvem no último dia. O fascista Bolsonaro vem com tudo, trucidando corpos e sugando mentes com notícias falsas divulgadas via WhatsApp e acelerando, decerto, os nossos corações. Mas não estamos mortos. Haddad fala grosso, o covarde homofóbico racista não vai a debate, enfim, a esperança e a fé no povo brasileiro resiste. A meta dos jornalistas (e de todo democrata neste país): trazer para essa frente ampla e democrática o voto de eleitores que se deixaram levar pela propaganda enganosa do capiroto (são muitos os apelidos do “mito”) e daqueles indecisos que tendem a culpar o Partido dos Trabalhadores por todos os estragos e dissabores da política, da economia e da vida social brasileira.

Na quarta-feira, reunidos no Mercado do Jaraguá, diante da ameaça bolsonarista às regras do jogo com truques eleitoreiros e violência explícita de seus eleitores, o grupo de jornalistas se formou e redigiu o manifesto, publicado nos veículos da imprensa local (leia aqui).

Encontro dos jornalistas da frente democrática no Mercado do Jaraguá, na quarta-feira (17)

“O manifesto dos jornalistas alagoanos é um grito de alerta, buscando dialogar com toda sociedade e mostrar o risco de retrocesso político para o Brasil com um possível êxito da candidatura a presidente do PSL”, declara ao Alagoas Boreal o diretor do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, Flávio Peixoto. “Precisamos lutar e defender o estado democrático de direito, pois o referido candidato já fez várias declarações citando o fechamento do Congresso Nacional, repressão política e até tortura.”

Médicos também estão na luta contra o fascismo

Reforçando a frente democrática formada não somente por jornalistas, mas, também, por médicos, professores e outras categorias profissionais, Peixoto afirma ser necessário reunir “todas as forças da sociedade que não aceitam a instalação do fascismo”.

“O cenário”, diz ele, “não é mais somente de uma disputa eleitoral em curso. Independentemente do resultado, precisamos fortalecer nossas instituições democráticas e garantir direitos. Sabemos que o papel do jornalista é fundamental nesta luta.”

Para o editor de política Kelmenn Freitas, “essa mobilização dos jornalistas de Alagoas, e também de outras categorias como médicos, psicólogos, advogados, só reforça a preocupação da nossa sociedade com a ameaça à democracia imposta pelos grupos extremistas que orbitam o candidato do PSL à presidência”.

“Não podemos deixar a agenda de um regime travestido de governo democrático ser implantada no nosso país. Para isso, todo esforço é válido para barrar a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder, que já se revelou ser um fascista com ideias criminosas que acreditávamos estar sepultadas lá atrás, ainda da época do nazismo. O avanço nocivo do conservadorismo xiita precisa ser contido pelas pessoas de bem, e vamos às ruas para evitar isso a todo custo, respeitando, claro, as instituições do nosso país e a nossa tão castigada Constituição, que também vem sendo alvo de sinalizações de mudanças que visam tirar direitos da população.”

Democratas fazem militância para barrar o avanço do autoritarismo e intolerância no país

Freitas considera que toda essa aversão ao PT, mais do que uma crítica aos erros do partido, “é o transbordamento da sombra do brasileiro egoísta e conservador”. “Ou seja”, explica o jornalista, “as pessoas usam o nome do PT para colocar para fora aquilo de ruim que elas mantinham alojadas dentro de si: homofobia, xenofobia, misoginia, preconceito de classe, com foco nos mais pobres”.

Para Kelmenn Freitas, “o fascismo e muitas outras condutas que permaneceram aprisionadas na psique dessas pessoas” foram liberadas pelo discurso tenebroso do candidato do PSL.

“As declarações de Bolsonaro são uma espécie de salvo conduto para essa fatia da população externar tudo aquilo que carregam de ruim dentro delas, valendo-se do discurso do antipetismo, venezuelização e ameaça comunista, quando todo mundo sabe, inclusive elas próprias, que é tudo um gigantesco embuste. Um pano de fundo para avalizar as reações truculentas Brasil afora, quando o problema, na verdade, é a não aceitação de uma nova ordem social, cujas características são o acolhimento dos mais pobres, aceitação das diferenças, respeito ao indivíduo em toda a sua totalidade. O antipetismo é esperneio de neofascistas.”