Cultura

'Jazz Panorama ao Vivo' traz o pianista virtuose Antonio Adolfo

Músico e banda se apresentam nessa terça-feira (30), às 20h, no Teatro de Arena, no centro de Maceió; artistas locais, como Mácleim e Félix Baigon, fazem participações

29 de Outubro de 2018, 16:26

Jorge Barboza/ Editor

O pianista virtuose Antonio Adolfo faz o lançamento em Maceió, nessa terça-feira (30), do álbum “Encontros”, gravado no ano passado com a Orquestra Atlântica, uma big band carioca que atendeu ao desejo do instrumentista veterano de “gravar um álbum com um grupo grande”. “Durante muito tempo esperei por essa chance”, diz Adolfo, que se apresentará no programa “Jazz Panorama ao Vivo”, produzido regularmente pelo Clube do Jazz (leia-se Félix Baigon), com participação de músicos de Maceió e convidados geralmente de outros Estados. O show no Teatro de Arena Sérgio Cardoso (anexo ao Teatro Deodoro à rua Barão de Maceió, 375, centro da capital) começa às 20h. Os ingressos, R$ 15 e R$ 30, estão à venda no site aqui. Também podem ser adquiridos na bilheteria do Deodoro, das 14h às 18h. 

Além do show, Antonio Adolfo realizará na quarta-feira (31) um workshop de “Harmonia”, para iniciantes e músicos tarimbados. A atividade, gratuita, acontecerá no Complexo Cultural ao lado do Teatro Deodoro, a partir das 9h. Inscreva-se aqui.

'Ver a Orquestra Atlântica foi tão mágico que me apaixonei', diz Adolfo/ Foto/ Rodrigo Lopes

O encontro do músico com a Orquestra Atlântica ocorreu no ano passado, quando ele “juntava ideias para um novo projeto”. “Fui assistir a um concerto deles e foi tão mágico, me apaixonei totalmente pelo som do grupo”, conta no informativo enviado à Redação. “Não tive opção senão convidá-los a participar da minha próxima gravação. Que alegria.”

O disco é uma avalanche sonora com petardos inéditos assinados por Adolfo e releitura de dois clássicos: do próprio Adolfo em parceria com Tibério Gaspar, “Sá Marina”, imortalizada numa gravação de Wilson Simonal em 1968, e outro de Miles Davis, “Milestones”, que ganhou arranjo contagiante misturando o jazz ao frevo.

Não é a primeira vez de Antonio Adolfo na capital alagoana. Em entrevista exclusiva ao Alagoas Boreal, diz que é “emocionante” voltar à cidade que não visita “há quase 40 anos”.

“Maceió me traz ótimas recordações: lembro-me quando em 1973 fiz um show com artistas locais, no Teatro Deodoro, incluindo um moço que estava de partida para o Rio, Djavan. E outros músicos, como Beto Batera, do conjunto LSD. Em 1979 ou 1980, estive aí pelo Projeto Pixinguinha, também no Teatro Deodoro, quando apresentei a música ‘Tributo a Victor Manga’, em que um baterista local, cujo nome me falha agora à memória, participou de nosso show e emocionou a todos com um solo de bateria maravilhoso.”

Também não esqueceu as nossas praias. “Outra questão que não posso deixar de comentar é a beleza do mar que banha essa cidade maravilhosa.”

'Baigon e Macleim são dois grandes amigos'/ Foto/ Rodrigo Lopes

A Orquestra Atlântica existe desde 2012, com CD gravado em 2015. É integrada por Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Danilo Sinna (sax alto e flauta), Levi Chaves (sax barítono e soprano), Gesiel Nascimento (trompete), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Aldivas Ayres (trombone), Wanderson Cunha (trombone), Marcos Nimrichter (piano e acordeão), Jorge Helder (baixo), Williams Mello (bateria) e Dadá Costa (percussão). No álbum “Encontros”, participam, ainda, o cantor Zé Renato, os violonistas Nelson Faria e Claudio Jorge, o guitarrista Léo Amuedo, o baterista Rafael Barata e Serginho Trombone.

Com uma carreira marcada pela música independente (ele é um pioneiro), em 1977, na contracorrente das gravadoras que não se interessavam (e não se interessam ainda, ao menos no Brasil, embora esta seja uma realidade menos árida nos dias de hoje), Adolfo lançava o álbum magistral “Feito em Casa”, criando o próprio selo, Artezanal. “Para gravar seus discos mais recentes, o músico tem atuado e liderado, como solista, grupos de pequena formação”, destaca o press-release do artista.

O álbum “Encontros – Orquestra Atlântica” (selo Rob Digital) vem com arranjos de Jessé Sadoc e Marcelo Martins, misturando a imponente sonoridade das big bands ao samba, à bossa nova, ao baião e ao frevo, entre outros ritmos brasileiros. “As músicas têm nomes como ‘Partido Samba-Funk’, ‘Pentatônica’ e ‘Luizão’. Essa última, uma homenagem ao falecido baixista Luizão Maia (1949-2005), figura icônica na música brasileira, inovador na forma como tocava samba no baixo e membro de um dos primeiros grupos de Adolfo (Brazuca)”, destaca o informativo.

Em “Milestones”, de Miles Davis, o frevo se alia ao jazz boppish da gravação original, trazendo mais informação musical a essa usina sonora criada por Antonio Adolfo e Orquestra Atlântica.

À reportagem do site, ele afirma ser fã do contrabaixista Félix Baigon e do cantor e compositor Mácleim. “São dois grandes amigos que têm contribuído muito para a música nessa cidade. Terei a honra de me apresentar com eles e o grupo do Clube de Jazz de Maceió.”

Afirma não fazer uma música “tão sofisticada” como costumamos classificar a exuberância de seus arranjos e composições. “É a música que sinto nesse momento. Tenho músicas populares, como, por exemplo, ‘Sá Marina’ e ‘Teletema’. Sempre estudei música e procuro fazer o melhor a cada vez. Tenho certeza que o público que for assistir ao nosso show vai gostar muito, pois tocaremos música bonita de uma forma facilmente assimilável por muitos. Quando nos expressamos de forma verdadeira, a comunicação fica mais fácil.”

Quanto ao workshop de harmonia, explica que, “com uma longa experiência no ensino de música [tem Escola de Música no Rio há mais de 30 anos]” e outros tantos anos atuando como educador no Brasil e no Exterior, terá “uma comunicação fácil com os participantes”. “Estou pronto para responder às perguntas nas diversas áreas da música, do iniciante ao mais adiantado. A ideia é me comunicar e trazer conhecimento a todos os presentes.”