Cultura

'O Grande Circo místico' do alagoano Cacá Diegues é exibido em Maceió

Filme inspirado nos versos do palmarino Jorge de Lima, será lançado em avant-première nessa terça-feira (6), com a presença do diretor

05 de Novembro de 2018, 18:20

Da Redação

Lançado este ano na 46ª. edição do Festival de Gramado (RS) e exibido na 71º. Festival de Cannes (França), também este ano, o filme “O Grande Circo místico”, do alagoano Carlos Diegues (“Xica da Silva”, “Bye Bye Brasil”), será exibido em Maceió, em avant-première para convidados, nessa terça-feira (6), contando com a presença do diretor. A sessão está programada para as 21h, numa das salas do Cinesystem no shopping Parque à avenida Comendador Gustavo Paiva, 5.495, bairro de Cruz das Almas.

Concorrendo ao Oscar 2019 de “melhor filme em língua estrangeira”, o longa de Cacá Diegues, inspirado na poesia de Jorge de Lima (União dos Palmares-AL, 1893 – Rio de Janeiro-RJ, 1953), traz os jovens atores Jesuíta Barbosa e Bruna Linzmeyer encabeçando o elenco, que ainda conta com Antonio Fagundes, protagonista da comédia “Deus é Brasileiro” (2006), que Diegues filmou em rincões de Alagoas e Pernambuco. Mariana Ximenes e Juliano Cazarré integram, ainda, a trupe de "O Grande Circo místico".

Jesuíta Barbosa e Bruna Linzmeyer estrelam o drama circense de Cacá Diegues

No informativo enviado à Redação, o diretor diz que se trata de um trabalho que vem procurando fazer desde muito jovem, quando rodou em 1962 um dos episódios de “Cinco Vezes Favela”, produzido pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (a UNE). “Não é igual a nenhum de meus filmes precedentes”, afirma, “mas é tributário de todos eles.”

Extraídos do livro “A Túnica inconsútil” (1938), os versos de “O Grande Circo místico” inspiraram Chico Buarque e Edu Lobo no álbum homônimo de 1982, que imortalizou canções como “Ciranda da Bailarina”, “Beatriz” e “A História de Lily Braun”. O poema também foi adaptado para o teatro por Naum Alves de Souza e virou espetáculo de dança pelo Balé do Teatro Guaíra, em Curitiba (PN).

O diretor na 71ª. edição do Festival de Cannes este ano

Atualmente ocupando a cadeira de número 7 da Academia Brasileira de Letras, Cacá Diegues leva finalmente para o cinema a história de cinco gerações de uma família que é dona de um circo criado em 1910. A produção foi filmada em Lisboa em 2015, explorando o drama circense construído a partir dos versos de Jorge de Lima, mas com muita acrobacia e histórias românticas.

A crítica apontou um olhar sobre as dificuldades encaradas pelos personagens femininos. “Não sei se esse é um filme feminista, no sentido contemporâneo e militante do termo”, observa Diegues. “Mas é claramente conduzido pelo destino de seus personagens femininos, frente a interdições masculinas que quase sempre as levam à tragédia. No fim das contas, a redenção chega através de mulheres.”

A pré-estreia de “O Grande Circo místico” em Maceió é uma realização da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (a Secult) e da Diretoria de Teatros de Alagoas (Diteal). Estreia nos cinemas brasileiros na semana que vem, quinta-feira (15).