Cultura

Maria Emília Clark persegue 'um ideal' em 'A Divina Causa'

Novas coreografias levam ao palco a utopia de Dom Quixote e as canções de paz e amor dos Beatles; neste domingo (2), às 17h

02 de Dezembro de 2018, 08:17

Jorge Barboza/ Editor

A escola e companhia Ballet Maria Emília Clark estreou em Maceió, nesse sábado (1º.) a superprodução “A Divina Causa”, que será reapresentada neste domingo (2), às 17h. O espetáculo em cartaz no Teatro Gustavo Leite à rua Celso Piatti, s/n, bairro central do Jaraguá, dividido em duas partes (“Dom Quixote” e “Beatles”), reúne os alunos da escola, incluindo os estudantes que integram o projeto “Social Voluntário”, iniciado em 1999. “São 39 anos dedicados ao balé brasileiro”, destaca a bailarina e coreógrafa Maria Emília Clark, que atuou no balé Stagium, visitando países como França, Espanha, Itália, Hungria, Suíça, Cuba, México, Argentina e Uruguai.

Sobre o título da nova produção, “A Divina Causa”, Maria Emília afirma tratar-se da “perseguição de um ideal”. “Diz sobre insistir em criarmos e recriarmos a nossa história que deveria passar pelo congraçamento dos povos. Cada um de nós deve construir e insistir em seguir com os ideais de unificação, de unir o quintal ao jardim, de também ter o poder de se indignar quando for preciso, de incorporar o que de bom foi concebido e pontificado.”

O espetáculo trabalha com técnicas clássicas e do jazz

Para a artista, voltar-se à obra de Miguel de Cervantes (O “Dom Quixote” escrito em 1605) é como retornar à “base essencial” de “perseguir o impossível”. “Claro que neste caso a utopia é a criação, um sonho adaptado para crianças de três anos de idade até adultos de 50 anos”. Com Beatles, Emília quis “unificar jovens através da música que uniu povos e solicitou a paz. A ‘Divina Causa’ é a insistência que temos dentro de um de nós.”

A coreografia da parte “Dom Quixote” é de Marius Petipa, com música de Ludwing Minkus. “Teve adaptação para a realidade das idades e do nosso programa pedagógico do balé clássico, a serviço da educação. Todos os solos e pas de deux são originais. O primeiro ato é a perseguição e o respeito à técnica balé clássico”, explica Emília, afirmando que, para o segundo ato, a escola “reuniu as modalidades de sapateado, jazz, k-pop e contemporâneo”. “Fizemos um musical muito especial. Beatles foi símbolo de gerações, eles entraram nas questões de ordem social e solicitaram a paz Utilizaram da criatividade para seguir a divina causa de seus ideais.”

Com “A Divina Causa”, o balé Emília Clark totaliza um repertório de “38 trabalhos coreográficos, repertórios próprios voltados para a memória do nosso Estado”. “Paralelo a esses”, comenta a artista, “sempre fechamos os trabalhos com um clássico da história acadêmica, diversas variações clássicas importantes que fazem parte da história de qualquer bailarino em formação.”