Especial

Festival Quilombola: faltaram atrações musicais com referência à cultura afro-brasileira

Evento promovido pelo governo, com apoio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, reúne barracas de comidinhas de inspiração afro-brasileira, apresentações de voz e violão e exposições de artesanato

02 de Dezembro de 2018, 09:13

Jorge Barboza/ Editor

O Festival Quilombola promovido pelo governo do Estado, com apoio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (a Abrasel, núcleo Alagoas) e do shopping Parque, encerra-se neste domingo (2) com feira gastronômica, exposições de artesanato, cortes de cabelo afro e outras atividades que estão ocorrendo no estacionamento do shopping (avenida Comendador Gustavo Paiva, 5.945, bairro de Cruz das Almas, litoral norte de Maceió), das 17h às 22h.

Comidinhas deliciosas inspiradas na gastronomia quilombola é o forte do evento, que conta, sempre (a julgar pelo horário nobre de 20h coberto pelo Alagoas Boreal), com uma dupla musical (violão e voz), palco da tenda armada no estacionamento. Comida, cervejinha, música. A iniciativa que se iniciou na quinta-feira (29) – é a terceira edição anual – coincide com as atividades referentes ao Dia da Consciência Negra, no 20 de novembro. O público gostou e prestigiou, porém, as atividades culturais podem (e devem) ser mais completas, enfatizando a cultura afro-brasileira.

Delícias gastronômicas, como o infalível acarajé com vatapá e caruru

A opção musical por uma dupla de voz e violão, a despeito da excelência dos músicos escalados, é mais do mesmo, em nada se distinguindo do tatibitate musical das happy hours de bares e restaurantes na capital. Em se tratando de um evento anual, promovido pelo governo, com apoio de uma associação do porte da Abrasel, devia-se investir numa programação musical de impacto, buscando as referências da cultura afro. Nosso Estado está cheio de artistas com suas criações originais de samba, maracatu, coco, jazz, rock e outros estilos, com os pés fincados seja na África ancestral ou nas paisagens urbanas e rurais contemporâneas. Esse negócio de ficar cantando os hits manjados do mainstream nacional e regional é mais do que déjá-vu: é indiferença à nossa própria e poderosa arte musical.

Faltou esse toque cultural relevante.