Cultura

Fernanda Guimarães investe novamente em sua composição naturalista com a bossa criativa do forró

'É um reconhecimento das minhas raízes', diz a artista, que havia gravado canções originais em 2010 no álbum 'Verbo livre'; show de lançamento é nesta quarta-feira (5)

05 de Dezembro de 2018, 13:00

Jorge Barboza/ Editor

Fernanda Guimarães retorna ao trabalho criativo de composição – que aparentemente havia deixado de lado – com o lançamento nesta quarta-feira (5) do álbum “Pés em Casa”. São oito canções que trazem de volta o vigor da artista como compositora, revelado nas fortes faixas do álbum “Verbo livre” que ela lançou em 2010 – num período em que morou no Rio de Janeiro. O show com as novas composições, cheias de swing nativo (do tipo forró jazzado saudoso da orla do rio São Francisco em Penedo, mas com pelo menos uma canção acústica de simplicidade romântica, “Imaculada”), acontece no Rex Jazz Bar Galpão à rua Sá e Albuquerque, 675, bairro central do Jaraguá. Os ingressos, custando entre R$ 20 e R$ 30, podem ser adquiridos no site aqui.

Ouça aqui o álbum de Fernanda Guimarães

Todos sabemos que o mercado para a música impõe regras nem sempre flexíveis. Em Maceió, há muito pouco espaço para a canção original – donos de bares e restaurantes, maiores contratantes de músicos locais, determinam via de regra o famigerado roteiro de covers e tributos. Em datas comemorativas – como, por exemplo, os “200 Anos de Alagoas” no ano passado – o poder público costuma privilegiar o artista nacional medalhão (leiam-se Gusttavo Lima, Marília Mendonça e outros nada-a-ver com o nosso bicentenário) em detrimento dos nossos artistas com suas frequentemente originalíssimas produções – como foi o caso da banda Divina Supernova e da rapper Arielly Oliveira, escalados não para o palco preferencial do Bicentenário, mas para um “alternativo” e, por fim, por desacertos da produção, nem fizeram o show por falta de horário (!).

Ser compositor e artista criativo nesta capital não é fácil. Mas dessa vez, a despeito das dificuldades e da má vontade generalizada (inclusive, muitas vezes, do público), a cultuada cantora de blues e sucessos de MPB, demonstra ter peito e coragem para muito mais.

'Veio um forró meio jazz assim, sei lá o quê, mas veio em forró'

O novo álbum de Fernanda Guimarães, com participação do violonista Jacques Setton, do sanfoneiro Milla do Acordeon e do baterista Carlos Bala, trazendo composições de Fernanda e dela com os parceiros Setton, Gabriel Freitas e Talita Quirino, é uma lufada de ares tropicais renovados na modorrenta engrenagem musical maceioense – salvo exceções.

“É um trabalho feito com o coração – é um reconhecimento das minhas raízes. Não que em algum momento eu não tenha reconhecido isso, nunca na minha vida, ao contrário”, empolga-se a artista num áudio enviado a este repórter pelo serviço de mensagem instantânea. “Mas é uma coisa feita com uma leveza e sem uma pretensão de ser a invenção da roda.”

Neste final de 2018 – um ano que se tornou um pesadelo para o Brasil, cujos ideais de liberdade e de justiça estão sendo engolidos por um surpreendente, cruel e galopante fascismo à brasileira –, Fernanda Guimarães dá aquele chute certeiro, abrindo caminho para uma nova temporada criativa. Que bom. Nesse show, conta com a inestimável parceria de outra guerreira da canção original criativa maceioense (atualmente morando em São Paulo), a cantora e compositora Lili Buarque.

“É uma contemplação de estar do lado de gente que eu amo muito”, diz Fernanda. “É uma reunião de parcerias. Essa atmosfera surgiu de forma natural, e veio em forró, um forró meio jazz assim, sei lá o quê, mas veio em forró.”