Especial

Toda a originalidade e beleza da arte popular alagoana na orla de Maceió

No ano passado, a 'Sereia' de Mestre Zezinho capitalizou os olhares de maceioenses e turistas; agora é a vez de Dona Irineia, André da Marinheira e João das Alagoas

17 de Dezembro de 2018, 19:29

Da Redação

Obras dos artistas populares Dona Irineia, João das Alagoas e André da Marinheira, apresentadas ao público na quinta-feira (13), juntam-se à já famosa “Sereia” de Mestre Zezinho inaugurada em setembro do ano passado, na orla da Pajuçara na capital. A monumental “O Beijo”, de Dona Irineia, com seis metros de altura, foi instalada na praia da Jatiúca, próximo ao Posto 7. “Eu me sinto orgulhosa, porque o meu trabalho para trás não tinha valor. Hoje, graças a deus, tem filho de deus que se lembra da gente, de botar nossa obra para todo mundo conhecer, né? É uma honra muito grande que eu sinto”, afirmou a artista ao site oficial do governo, a Agência Alagoas, em reportagem publicada nesta segunda-feira (17).

Irineia: 'Hoje, tem filho de deus de botar nossa obra para todo mundo conhecer'

Nomeada “Patrimônio Vivo” em 2005, Irineia, nascida no povoado quilombola do Muquém, no município de União dos Palmares, é uma exímia fabricante de panelas de barro, com as quais começou a trabalhar ainda na juventude. Mas logo enveredou pela produção dos “bonecos” em cerâmica que ganharam o mundo, tornando-a referência da arte popular alagoana. Suas obras estão expostas em metrópoles como Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Milão, na Itália.

'É mais um degrau que subo na vida', diz André da Marinheira

Outro artista que foi para o calçadão da orla maceioense é o matense André Barbosa Cavalcanti, mais conhecido como André da Marinheira. “Um dos expoentes da arte de esculpir em madeira, também teve uma de suas obras icônicas, ‘O Leão’, transformada em monumento, instalado na entrada do bairro do Pontal da Barra”, destaca a repórter da Agência Alagoas, Cecília Tavares. André da Marinheira se diz “feliz” com o resultado de seu festejado leão. “É mais um degrau que subo na minha vida. Isso vai beneficiar não somente a mim, mas, também, aos jovens que começaram a esculpir em madeira e terão sua profissão mais valorizada.”

O capelense João das Alagoas, outro mestre da escultura em cerâmica, também beneficiado pela nomeação “Patrimônio Vivo”, levou seu “Boi Bumbá” – espécie de marca registrada de sua obra – para a Avenida da Paz, na região central da capital. “A gente que mora no interior, às vezes não é reconhecido nem na própria cidade. Então, ter uma peça minha na orla de Maceió, que é um dos locais mais privilegiados do mundo em termos de turismo, é muito emocionante. Não tenho nem palavras para expressar a importância desse monumento para o meu trabalho.”

A 'Sereia' de Mestre Zezinho foi inaugurada, na orla da Pajuçara, em setembro de 2017