Especial

'Xangô rezado alto' celebra a identidade das religiões de matriz africana

Evento que ocorre na sexta-feira (1º.) , relembra episódio de intolerância ocorrida na capital em 1912, que ficou conhecido como 'Quebra do Xangô'

28 de Janeiro de 2019, 17:19

Da Redação

Na sexta-feira (1º.), acontece a celebração cultural e religiosa “Xangô rezado alto”, que relembra o fatídico episódio de perseguição (por parte de políticos fanáticos membros da chamada Liga dos Republicanos Combatentes) a líderes religiosos do candomblé, culminando com a destruição de terreiros na capital, no dia 2 de fevereiro de 1912, que ficou conhecida como "Quebra do Xangô". A homenagem à resistência das religiões de matriz africana, idealizada pela Universidade do Estado de Alagoas (a Uneal) e atualmente organizada pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), ocorrerá nas ruas centrais de Maceió a partir das 14h30. Trata-se da oitava edição do evento.

“Neste ano, as apresentações culturais serão iniciadas em um tablado montado na Praça Dom Pedro 2º., com a participação da Orquestra de Tambores, antecedendo o cortejo cultural que irá percorrer as ruas do Centro em direção à Praça dos Martírios”, informa o site da prefeitura de Maceió.

Diversos grupos culturais se apresentarão no centro de Maceió

Segundo o noticiário oficial, antes de chegar ao palco montado na Praça dos Martírios – onde ocorrerá outras manifestações culturais –, o cortejo passará por mais quatro tablados posicionados na Rua do Comércio. Entre as atrações programadas, destacam-se as Taieiras Alagoanas, as baianas Ganga Zumba, as bandas Afro Dendê, Afro Zumbi e Afro Afoxé, o coco Raízes Nordestinas e a Companhia de Dança Aiê Orum.

O diretor de produção cultural da Fmac, jornalista Keyler Simões, afirma que “milhares de pessoas” participarão do evento. “O ‘Xangô rezado alto’ é uma das celebrações culturais mais marcantes da nossa cidade. Sem dúvida alguma, uma multidão vestida de branco irá tomar as ruas do Centro em uma celebração emocionante.”

Na Praça dos Martírios foram programados os afoxés Obá Agodô; Odô Iyá; Ofá Omim e Ojum Omim Omorewá; o samba-de-roda K Posú Betá e a banda Afro Mandela.

Para Amaurício de Jesus, coordenador de políticas culturais do município, a celebração que relembra a barbárie da Quebra do Xangô “reafirma a luta contra a intolerância religiosa em Maceió”. “É a possibilidade”, diz ele, “de buscar visibilidade para essas comunidades promovendo uma discussão de garantia de respeito e de direito.”