Especial

Professores e estudantes de Psicologia ensinam garotos autistas a praticarem o surfe

Oficina 'Onda Azul' integra projeto de inclusão da Faculdade de Tecnologia de Alagoas (a FAT); atividade foi realizada no sábado (16), na praia da Jatiúca, na capital

19 de Fevereiro de 2019, 11:52

Da Redação

A Faculdade de Tecnologia de Alagoas (a FAT) – localizada no bairro do Antares e em outros pontos da capital – realiza o projeto “Onda Azul”, com diversas atividades, entre as quais uma oficina de surfe, gratutita, destinada a crianças e adolescentes autistas. A chamada “surfterapia” ocorreu na manhã do sábado (16), na praia da Jatiúca.

“Condição do desenvolvimento neurológico que exibe padrões diferentes de comportamento e intelectualidade, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) engloba diferentes síndromes com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos; dificuldade de socialização e, por último, padrão de comportamento restritivo e repetitivo”, ensina a comunicação da faculdade.

A surfterapia é atividade da disciplina Psicologia das Necessidades Educativas Especiais

A surfterapia que aconteceu no sábado, envolvendo crianças e adolescentes, é uma “atividade prática” da disciplina Psicologia das Necessidades Educativas Especiais, ministrada pela neuropsicóloga Fabiana Lisboa. Alunos do 7º. período do curso de Psicologia, com acompanhamento dos professores, foi quem deram o suporte aos meninos e meninas autistas no Posto 7 da Jatiúca.

“A aula, exclusiva para pessoas com autismo, independentemente de idade ou grau dos sintomas, teve como objetivo utilizar o surfe como ferramenta para o desenvolvimento das habilidades de comunicação e interação social; trabalhar aspectos sensoriais utilizando o ambiente da praia; articular ambientes e momentos de interação do autista com a sociedade; colaborar para o desenvolvimento psicomotor através da prática esportiva e promover noções de educação ambiental para os autistas, familiares e comunidade em geral”, destaca o press-release da FAT enviado à Redação.

Antes de os meninos cairem na água, fazem alongamento e outros exercícios na areia

Para Fabiana Lisboa, “o voluntário pode trabalhar na areia ou no mar, mas precisa saber nadar ou surfar”. “Começamos com alongamento, fazemos um circuito na areia e um treino para dessensibilização na prancha antes de entrar no mar”, explica a professora. Para os pais dos autistas, o projeto contribui para a evolução do paciente. Francine Cavalcante, mãe do menino Pedro, de 5 anos, aprovou o projeto´, realizado em parceria com o Centro Unificado de Integração e Desenvolvimento do Autista, ligado à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (a Apae). “É algo inovador”, diz Francine. “Não se imagina um filho autista com essa oportunidade de surfar e a maior felicidade é ver que ele está se adaptando bem.”

'O aluno trabalha a inclusão social de forma didática', diz a professora Verônica Barbosa

Verônica Barbosa, professora da disciplina Teorias Práticas Psicoterápicas, destaca a contribuição dessa atividade com a molecada autista na praia para a formação acadêmica. “Por meio da oficina, o aluno trabalha a inclusão social de forma didática, o que contribui para a formação dele.” Para a docente, “essa é mais uma parceria que reforça o compromisso da FAT com a qualidade de ensino”.

Já para os futuros psicólogos, a atividade se mostra como “experiência enriquecedora”. “Trata-se de uma interação que nos ensina a lidar com um público específico e reforça a certeza sobre a escolha da profissão”, afirma o estudante Renato Gomes.

Pais e mestres juntos com a garotada em atividade inclusiva da FAT, no Posto 7, Jatiúca