Cultura

Derico traz sua cancha instrumental para o programa 'Panorama Jazz ao Vivo'

O músico paulista é o convidado da sétima edição no Teatro de Arena, em Maceió, do projeto encabeçado pelo contrabaixista Félix Baigon; nessa quarta-feira (27), às 20h

26 de Fevereiro de 2019, 13:06

Jorge Barboza/ Editor

Com uma agenda de compromissos firmada já até o mês de maio, o multi-instrumentista paulista Derico Sciotti desembarca em Maceió nesta terça-feira (26), atendendo ao convite do contrabaixista e ativista do jazz maceioense Félix Baigon. Derico – que ficou conhecido em todo Brasil como o saxofonista da banda que dava suporte aos musicais do humorista e apresentador de TV Jô Soares – fará participação especial no programa “Jazz Panorama ao Vivo”, nessa quarta-feira (27), às 20h, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso. Os ingressos, entre R$ 40 e R$ 20, estão à venda na loja Ao Pharmacêutico da avenida Engenheiro Mário de Gusmão, no bairro da Ponta Verde, e no site aqui. Também podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Deodoro à rua Barão de Maceió, 375, centro da capital, a partir das 14h – o Arena é anexo à centenária casa de espetáculos estadual.

Derico diz que “um dos motivos” de vir se apresentar em Maceió nessa quarta-feira, além da amizade que nutre pelo jazzman Félix Baigon – responsável pelo núcleo alagoano do Clube do Jazz, que realiza essas incríveis produções no Arena –, foi exatamente o espaço antológico do pequeno teatro inaugurado no início dos anos 1970 pelo ator paraense radicado no Rio de Janeiro Sérgio Cardoso (1925-1972). Ali a galera do jazz maceioense tem realizado exuberante performances de música instrumental. Em outubro do ano passado, foi a vez do mestre pianista Antônio Adolfo misturar-se a esses músicos bambas locais, entre eles, os guittarristas Toni Augusto e Ricardo Lopes, o tecladista Jiuliano Gomes e os irmãos Beto e Rony Ferreira – trombonista e trompetista, respectivamente.

“Sou muito amigo do Baigon, já tocamos juntos, com o [Carlos] Bala e o Ricardo Lopes”, conta Derico, 52 anos e um currículo invejável de atuação na música instrumental, entre o clássico, o jazz e a música brasileira.

Ricardo Lopes, Baigon, Carlos Bala e Derico em casa noturna em Maceió/ Foto/ Mcz40º

Apesar de uma das bandas que formou (com os músicos Jeff Sabbag, Fábio Hess e Mauro Martins) chamar-se Derico Jazz Quartet (que se apresentará em Curitiba, PR, no dia 21 de março), questionado sobre suas influências e depois de brincar dizendo que o que bebe mesmo é água mineral, afirma não ser “muito do jazz”. Mas cita, afinal, algumas de suas fontes musicais. “Sou mais do brasileiro... Bebi muito Altamiro Carrilho, Pixinguinha, Zé da Flauta, Leo Gandelman.”

Bem, quanto a Maceió, suas afinidades vão além da música instrumental. Com 12 álbuns gravados desde 1992 – logo depois que começou a trabalhar com Jô Soares –, Derico diz que há 32 anos costuma vir à capital alagoana.

'Em 1987, praticamente me casei em Maceió'/ Foto/ Mcz40º

“Quase mudei para Maceió”, afirma, alegando que “faltou coragem” para se fixar na cidade. Não é para menos – Baigon que o diga diante dessa incansável batalha para tornar possível uma cena de música instrumental na província maceioense. “Sei bem o que é isso", corrobora a estrela da sétima edição do "Jazz Panorama ao Vivo". O músico conta que "praticamente" se casou numa de suas inúmeras viagens à terra dos índios caetés. "Em 1987, depois de dois meses viajando por essas praias com minha então namorada, voltei [para a capital paulista] e casei. Mas fico indo a Maceió duas a três vezes por ano.”

O músico afirma conhecer "o trabalho” que Félix Baigon e a trupe de músicos que o acompanham realizam por aqui. “Sei do apoio que ele dá para a música instrumental. Sempre quis ajudar de alguma forma. Aí rolou o convite para participar do projeto [dessa série de apresentações do Clube do Jazz]. Aceitei na hora.”

Sobre a apresentação no “Jazz Panorama ao Vivo", trazido do rádio para o palco do Arena pelo Clube do Jazz de Maceió, em parceria com a agência de publicidade Promosix e a produtora musical Divina Home (e com o apoio da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas e da Secretaria de Estado da Cultura), Derico explica que Baigon e a banda formada por Alysson Paz (bateria), Jiuliano Gomes (teclado) e Jailson Brito (saxofone) é que abre o espetáculo, “com duas ou três músicas”. “Depois eu entro, como convidado, tocando mais umas 12 músicas”. No repertório, “standards de jazz, clássicos da música brasileira, bossa nova, samba, choro, pop". "Um pouco de tudo”.

Vai ter Rita Lee e Marina também? (Nos dois álbuns que gravou com o irmão Sérgio Sciotti, ele toca essas duas grandes compositoras brasileiras, entre outros ícones da música pop tupiniquim, como Guilherme Arantes e Cazuza – veja aqui). "Não", diz ele. "Vou tocar Ivan Lins e Steve Wonder."

Derico chega à capital alagoana logo mais às 17hs. “Ensaio à noite e amanhã [quarta-feira, 26], tenho compromissos em mídias locais. À tarde passo o som e à noite toco.”

Novo CD de Derico estará à venda no Arena

Atualmente se prepara para sair em caravana pelo interior do Estado de São Paulo, num projeto, o “Derico Music Truck", em parceria com uma TV por assinatura (que o músico diz não poder revelar o nome, por enquanto), “Vou sair tocando de graça em cima de um caminhão. É um projeto muito grande, ambicioso, mas factível. A ideia é tocar com músicos locais, só instrumental, sem cantor. Estou fechando parcerias. Vai virar um programa de TV.”

Depois dessa "primeira etapa”, afirma que viajará pelo país. Tomara que chegue a Maceió. “Se deus quiser”, acena. A turnê a bordo de um caminhão ocorrerá no meio do ano. “Gravo os oito primeiros episódios em julho para passar em setembro e vou sair em turnê com esse novo CD com o Diego [guitarrista e violonista Diego Figueiredo, com quem gravou o álbum “Organic”, lançado em dezembro do ano passado] e vou lançar um meu, com minha banda.”

Na verdade, o novo álbum com a banda Antropófagos Anônimos, batizado de “Expressionante”, de produção independente, acaba de ser lançado. “Vou levar para vender no show.”