Especial

Em Porto Calvo, Iphan faz a entrega oficial do 'fortim bass', edificação holandesa do século 17

Estudos revelam que a edificação teria sido um acampamento de Johannes Lichthart, almirante holandês que esteve no Brasil a serviço da Companhia das Índias Ocidentais; a inauguração será na quarta-feira (15), às 15h

10 de Maio de 2019, 15:33

Da Redação

PORTO CALVO – Na próxima quarta-feira (15), o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (o Iphan) faz a entrega do Fortim Bass (forte de barro holandês datado do século 17) ao município histórico distante 96 km ao norte de Maceió. O evento ocorrerá às 15h, contando com a presença do ministro da Cidadania, Osmar Terra. A presidente nacional do Iphan, Kátia Bógea, também se fará presente, assim como o superintendente em Alagoas, Mário Aloísio Barreto.

Localizado em propriedade particular, numa ilha fluvial – a Ilha do Guedes –, o forte foi descoberto quando técnicos do Iphan, em 2015, faziam na região um esforço para “georeferenciar com coordenadas de GPS os pontos que tiveram importância histórica no processo das Invasões Holandesas em Alagoas”. De acordo com o instituto, “foram comparados os desenhos holandeses da época com os mapas atuais para a localização de portos, engenhos e povoações desde o município vizinho de Porto de Pedras, na desembocadura do rio Manguaba, até Porto Calvo”. Segundo a prefeitura do município, trata-se do “único exemplar de fortificação de terra, do Período Holandês, que chegou inteiro aos dias atuais". “Ele se encontrava soterrado, ressurgindo através de pesquisa arqueológica”, destacou a comunicação da prefeitura em informativo enviado à Redação.

Técnicos do Iphan inspecionam as edificações do fortim no ano passado

“Historiadores, arqueólogos e estudiosos também estão sendo aguardados para o evento”, indica o press-release, afirmando que o prefeito David Pedrosa “vem enfatizando que o governo municipal cuidará com todo zelo do patrimônio histórico e que será feito um projeto para que o local seja um ponto de atração turística”.

De acordo com o Iphan, a edificação erguida pelos holandeses no século 17 “foi feita em barro porque não existiam muitos fortes de pedra na região e o transporte era escasso na época”. “Por outro lado”, atestam os pesquisadores em relatório publicado na internet, “do ponto de vista militar era mais estratégico possuir muros de barro, pois as balas não ricocheteavam, penetravam no barro e ali ficavam encravadas.”

O fortim ocupa uma área de 472,37 m² e se manteve completo até sua descoberta devido a vários fatores – explica o Iphan, destacando a erosão “que destruiu parte de seus parapeitos e contribuiu para aterrar o fosso”. “Dessa forma, ele se manteve intacto. Após as escavações, foram encontrados um fosso duplo, uma escarpa e uma contra escarpa (lados interno e externo de uma vala ou fosso usado em fortificações), o parapeito e a praça de armas. Era um forte com quatro meios baluartes, todos com um flanco do sentido anti-horário. O flanco tinha a função de defender o forte de um possível ataque no qual os inimigos estariam dentro do fosso.”