Especial

Edi Ribeiro apresenta no Arena os fraseados de seu inspirado 'forrojazz'

Guitarrista, cantor e compositor é atração do programa 'Quinta no Arena', na quinta-feira (8), às 19h30; em entrevista ao site, diz que esse show será 'tocado de uma forma mais livre' e com improvisos

06 de Agosto de 2019, 13:17

Jorge Barboza/ Editor

O guitarrista, cantor e compositor Edi Ribeiro é a atração do programa “Quinta no Arena”, na quinta-feira (8), às 19h30. O espetáculo, cujo título “Forrojazz no Baião de Dois” faz referência ao primeiro álbum do artista (“Eu no Baião de Dois”, independente, disponível nas plataformas digitais), lançado no ano passado, acontece no disputado palco do Teatro de Arena Sérgio Cardoso, o anexo ao Teatro Deodoro à rua Barão de Maceió, 375, centro da capital. O ingresso, entre R$ 10 e R$ 20, pode ser adquirido na bilheteria do Deodoro, a partir das 14h.

“O show será tocado de uma forma mais livre, com improvisos que acontecerão de fato no momento do espetáculo”, avisa esse compenetrado e criativo compositor e instrumentista (sem esquecer o excelente desempenho vocal do moço). “Evidentemente que ensaiei com o pessoal, mas isso é somente para termos uma boa noção do começo e do final da música: o meio fica livre para deixar fluir as ideias.”

Trabalhando numa fusão de ritmos tradicionais alagoanos e regionais com o jazz e a música instrumental brasileira, Edi Ribeiro concorda que o “forrojazz” formatado por ele no álbum de estreia e desenvolvido em inúmeras apresentações ao vivo na capital ganha reforço com essa nova performance no Arena, onde ele havia se apresentado em 2006, quando integrava o grupo de música popular regional Cumbuca, e mais recentemente, em 2015, num especial do coletivo Identidade Alagoana.

Ribeiro em show do coletivo Identidade Alagoana no Arena em 2015/ Foto/ Jorge Barboza

“Aos poucos, o meu forrojazz vai ganhando força nas apresentações que faço pela cidade, e especialmente em momentos como esse, que avalio de suma importância para a minha trajetória musical”, explica o artista, de 43 anos. “O que me recarrega as baterias e me impulsiona é justamente essa aceitação verdadeira que percebo em cada olhar nos poucos espaços que me permitem fazer meu forrójazz. Digo isso porque ainda há certa resistência a minha proposta de fazer um forró de guitarra, com suaves pitadas jazzística e sem sanfona. Por isso, vez por outra escuto: ‘Muito bom, mas você já pensou em colocar uma sanfona?’ (risos)

Por conta da resistência desse nosso insípido mercado para os trabalhos originais dos músicos locais, os shows de covers e os tributos ainda são uma realidade um tanto quanto massacrante para qualquer artista da música vivendo em capitais como Maceió e que não chegou ao rádio ou à TV. “Por isso a importância de casas com viés cultural e não puramente comercial ou de entretenimento”, enxerga Ribeiro. “Há o resistente bar e restaurante Zeppelin, na região central, e o mais novo espaço de cultura e arte da lanchonete Kero Mais, na Praça da Faculdade, também no Centro. Nesses locais se promove a liberdade de se apresentar algo um pouco diferente do convencional. São nesses espaços que venho tendo minha agenda firmada, tocando minhas canções e de gênios como Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Jacinto Silva, Djavan, Clemilda, Carlos Moura e Hermeto Pascoal, entre outros artistas alagoanos e nordestinos, tudo bem à vontade, livre para os improvisos.”

No projeto que criou para o bar Zeppelin em 2018, o 'ALalternativa'/ Foto/ Jorge Barboza 

A apresentação no Arena segue no formato “power trio”, com Edi Ribeiro no vocal e guitarra, apoiado pelo contrabaixo de Itu Bass e a bateria de Cleber Vieira. “Tocarei forró, baião, xote, bumba-meu-boi, coco, tudo em função da guitarra”, explica o artista. “É o que venho fazendo: a guitarra pede licença à eterna sanfona dos mestres Luiz Gonzaga e Dominguinhos e sai em busca do molejo frenético do forró pé-de-serra e do suingue jazzístico. Assim, a guitarra se apresenta protagonizando como ideia de sanfona, flauta, viola e como a própria guitarra.”

Do álbum “Eu no Baião de Dois”, diz que tocará 80% dele. “Mais as canções de Jacinto Silva, Clemilda, Virgínia de Moraes, Altair Pereira e Carlos Moura.” O equilíbrio entre o autoral e as homenagens aos clássicos da música popular alagoana, para Edi Ribeiro, depende mesmo dos espaços que permitem a ele “sentir a música, a harmonia e a melodia envolta” no momento da apresentação. “E então”, emenda, “tocar e cantar de forma verdadeira, da forma que a música me tocar naqueles instantes.”

E música, todos sabem, é algo tão pessoal quanto o forró traçado por um fraseado de guitarra em vez de sanfona e um jazz traçado com as cores do agreste alagoano. “Difícil de definir”, titubeia o nosso mestre frente ao pedido da reportagem para que defina os dois estilos. “Forró para mim é essa pulsação frenética que se expande em uma batida de um baião suado, pisado e machucado, de um arrasta-pé arretado e de um xotezinho manhoso, arrastado e sussurrado ao pé do ouvido. Forró é Jackson do Pandeiro, é Luiz Gonzaga, é Dominguinhos, é Jacinto Silva. O jazz é essa linguagem livre, improvisada e cheia de suingue. Modestamente e respeitando as outras opiniões contrárias, universalmente jazz é Hermeto Pascoal.”