Especial

O caldeirão de ritmos de Bruno Palagani e Pedro Salvador vai ferver no Arena

O teatro no centro de Maceió abre as portas para o encontro dos dois instrumentistas virtuoses; nesta quinta-feira (15), às 19h30

15 de Agosto de 2019, 08:17

Jorge Barboza/ Editor

O cavaquinhista, violonista, bandolinista, guitarrista e compositor (e apresentador de programa de TV) Bruno Palagani se alinha ao guitarrista, violonista, baterista, cantor e compositor (e produtor cultural) Pedro Salvador para alguns projetos, incluindo um álbum que será lançado pelo selo recém-criado por Salvador, o Voragem. O primeiro produto dessa parceria, o show “Guitarra alagoana”, já pode ser conferido nesta quinta-feira (15), às 19h30, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso – anexo ao Teatro Deodoro à rua Barão de Maceió, 375, centro da capital. O ingresso, à venda a partir das 14h na bilheteria do Deodoro, custa entre R$ 10 e R$ 20.

O informativo da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (a Diteal, responsável pelo edital “Quinta no Arena”) aponta para um “hibridismo de ritmos” que estaria “aquecendo a música alagoana”. Dá como exemplo o show “Forrojazz no Baião de Dois”, que o guitarrista, cantor e compositor Edi Ribeiro apresentou no mesmo projeto na semana passada. “Parece que os instrumentistas de Alagoas”, destaca o press-release, “herdaram a genética do bruxo dos sons nascido em Lagoa da Canoa, Hermeto Pascoal, que faz de sua música um caldeirão de ritmos e culturas.”

Não estão errados. Nessa segunda metade da década de 2010, a guitarra de Edi Ribeiro tornou-se um norte de certa miscigenação de estilos e técnicas que parte do forró/baião e coco para o jazz e até para o rock. Assim como a guitarra de Pedro Salvador, partindo do hard rock e psicodelia, segue caminhos que passam pelo baião e o maracatu, por exemplo. O samba de Bruno Palagani, finalmente, distende-se por outra gama de ritmos tradicionais brasileiros (como o maxixe e o chorinho), mas flertando, também, com a latinidade da salsa e do tango.

Ao Alagoas Boreal, Palagani esclarece que o título do show é o mesmo da faixa que ele e Salvador gravaram e elegeram como “música de trabalho”. “Criamos uma música para esse tema. É também o título do nosso EP, que já começamos a gravar, inclusive a primeira das seis faixas foi ela. Demos uma pausa na gravação para fazer o show.”

Miscigenados: 'Sonoridade que conduz a lugares novos e inesperados', diz Salvador (à dir.)

Pedro Salvador (com álbum homônimo lançado pelo selo Crooked Tree Records em 2017 e o EP “Glitch Witch” publicado, já pelo Voragem, em julho) diz se identificar com “a inquietude do Bruno”. “Ele tem uma coisa de querer levar as músicas para um canto além da zona de conforto. E é bem isso o que se pode esperar desse nosso encontro, uma sonoridade que conduz para lugares novos e inesperados.”

Show imperdível, meu irmão. Essa parceria já está consagrada. Segue o restante da entrevista com Bruno Palagani.        

Quando surgiu essa parceria, como aconteceu?

Bruno Palagani – Essa parceria começou no ano passado, quando convidei o Pedro para participar do programa ‘Vida de Músico’. Lá o nosso som deu liga, e a partir daí nos encontramos para fazer música, pensamos no tema ‘guitarra alagoana’ e começamos a nos reunir para tocar e compor juntos. Foram vários encontros na minha casa e na casa dele. Chegamos a nos inscrever no ano passado no mesmo projeto, mas fomos inabilitados por ausência de documentos. Queríamos muito iniciar no Arena. Continuamos compondo e aguardamos a abertura do edital deste ano. Nos conhecemos em 2011, em uma sessão de fotos para uma entrevista concedida ao jornal Gazeta de Alagoas. A pauta era “sangue novo na música alagoana”, foi um convite da jornalista Carla Castelotti.

O encontro de vocês parece traduzir bem a diversidade do selo que o Salvador está inaugurando.

Palagani – Eu ainda não sei o conceito do Voragem, porque não conversei com ele ainda sobre isso. Mas, de antemão, achei foda. Porque ele faz isso muito bem. É um ótimo músico, multi-instrumentista, compositor, arranjador e digamos que engenheiro de áudio. Acredito demais e confio nos trabalhos que o Pedro assina. Com relação à diversidade, este o sobrenome dele.

Pedro Salvador é um cara do rock, com uma visão bastante abrangente da música; você não é um artista do rock, mas com uma visão também bastante ampla da música... O que vem a ser essa guitarra alagoana?

Palagani – Acredito que o [projeto] “Guitarra alagoana” é uma fusão das nossas distintas atmosferas. Apesar de estarmos em ambientes diferentes, a nossa forma de tocar, sentir e expressar a música, nos aproxima muito. Então unimos a nossa musicalidade, através do regionalismo, da nossa linguagem alagoana, nossas influências diversas, com as possibilidades dos nossos instrumentos. Observamos essa fusão nas composições, por exemplo: a música “Guitarra alagoana” é um baião que na terceira parte passa por uma dinâmica e se transforma numa valsa, bem psicodélica. Já a música “Alah” é um gypsy jazz e  a música “Brisa” é um reggae-ijexá com outras oscilações rítmicas, pois passa pelo rock dos Novos Baianos e pela lambada. A música “Salseió” é uma salsa bem caliente. Essas quatro composições surgiram da nossa parceria. “Gênese e Destruição” (Pedro Salvador), “O Beijo do Lagarto Rei” (Pedro Salvador), “O Imprudente” (Bruno Palagani) e “Êta Gota Serena” (Bruno Palagani) também fazem parte do repertório do show. O repertório é composto por dez músicas e contará com três participações especiais: Kel (trumpete), Luciano Falcão (gaita) e Edi Ribeiro (guitarra).

Esse álbum que está gravando com Salvador será seu primeiro trabalho musical original gravado em estúdio?

Palagani – Gravações em estúdios tenho muitas com diversos artistas alagoanos e com as bandas que participo. Mas, um EP ou CD instrumental e autoral, sim, esse é o meu primeiro.