Especial

Paulo Miklos encarna Chet Baker em espetáculo que estreia em Maceió

Produção paulista de 2016 em segunda temporada é atração de sábado (31), às 21h, no Teatro Deodoro; em entrevista exclusiva, ator e cantor diz que seu trabalho no palco está 'bastante esquentado'

28 de Agosto de 2019, 09:43

Jorge Barboza/ Editor

A peça “Chet Baker, apenas um Sopro”, estrelada pelo músico, ator e apresentador de TV Paulo Miklos, estreia em Maceió no sábado (31). Produção paulista com texto de Sérgio Roveri e direção de José Roberto Jardim, o espetáculo que será apresentado no Teatro Deodoro (rua Barão de Maceió, 375, Centro), às 21h, estreou em São Paulo em 2016. Em nova temporada este ano, “Chet Baker” passou pelas capitais Salvador, Vitória, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo, iniciando este mês turnê por todo o Nordeste. Ainda no elenco, Anna Toledo, Jonathas Joba, Piero Damiani e Ladislau Kardos. Os ingressos, entre R$ 25 e R$ 80, podem ser adquiridos no site aqui ou na bilheteria do teatro a partir das 14h. Outros pontos de venda são a loja Erva Doce Doce Erva no bairro da Ponta Verde e os estandes Acesso Vip no shopping Parque e supermercado Unicompra Farol.

No final da década de 1960, o trompetista, cantor e compositor norte-americano Chet Baker (1929-1988) foi violentamente espancado em uma rua de São Francisco, na Califórnia (EUA). “A agressão, que teria sido motivada por dívidas com traficantes”, informa o press-release enviado à Redação, “produziu no músico um efeito devastador: ele teve os lábios rachados e perdeu alguns dentes superiores, sendo obrigado a interromper a carreira até se recuperar dos ferimentos.”

Excursionando com 'Chet Baker', sua estreia no teatro, Miklo diz estar 'bastante esquentado'

Na trama, Chet Baker dá início a uma primeira sessão de gravação depois do incidente. “Ele está inseguro e arredio – e seus quatro companheiros de estúdio (um contrabaixista, um baterista, um pianista e uma cantora) parecem estar ainda mais. Todos foram reunidos por um produtor que, por ser amigo e admirador de Chet, acredita que ele está pronto para voltar à ativa”, destaca o informativo da produção.

Com a atriz e cantora Anna Toledo

Em entrevista ao Alagoas Boreal, Paulo Miklos, que estreou no cinema em 2001 no filme de Beto Brant "O Invasor" e no teatro com "Chet Baker", diz conhecer a música do jazzista de Oklahoma “desde adolescente”. “Eu tocava flauta transversal, depois saxofone – daí meu interesse. Por conta da peça, fiz um mergulho específico na obra e na vida de Chet. Tem um documentário que eu recomendo, ‘Let’s get Lost’ [EUA, 1988]. Mostra bem de perto a intimidade dele, foi fundamental para a criação do personagem. A peça não é um musical, mas mostra muita música.”

Questionado se irá tocar, também, o instrumento com que Baker imortalizou a sua música, o trompete, o ex-vocalista dos Titãs afirma que “o público descobrirá isso quando for ver o espetáculo”. “É o grande mistério da peça.”

A segunda temporada de "Chet Baker, apenas um Sopro" parece dar ao artista – que ganhou no sábado (24) o prêmio de “melhor ator” do Festival de Gramado 2019, pelo filme “O Homem Cordial” –  total segurança no palco. Em cartaz em São Paulo desde quinta-feira até domingo (21 a 25), seguindo de Maceió para Recife, Miklos afirma estar “bastante esquentado”. “Em relação ao cinema, acabei de receber esse prêmio tão importante. Uma premiação como essa vem coroar o meu trabalho de intérprete.”

Elenco de 'Chet Baker, apenas um Sopro'; de Maceió, espetáculo segue para Recife

Com apenas três álbuns de uma carreira solo iniciada ainda quando integrava os Titâs, em 1994 (o álbum mais recente, “A Gente mora no Agora”, é de 2017 – ele saiu da banda em 2016), Miklos diz que “hoje em dia demora um bocado para chegar ao público todo um trabalho inédito”. “Tem dois anos de lançamento e ainda não chegou às pessoas. É um tempo – que vou preenchendo fazendo shows. Faço shows o tempo todo.”

No Festival de Gramado/ Foto/ Edison Vara

Maceió, claro, ele conhece. E muito. “Em 35 anos de Titãs, viajávamos todos os anos a Maceió.” A intimidade com a capital alagoana, porém, é de longa data. Desde criança andava por nossas praias, testemunhando, inclusive, o antológico coqueiro Gogó da Ema na curva da orla da Ponta Verde. “Tenho um amigo alagoano e sempre viajei para esses lados. Ainda conheci o famoso coqueiro.”

O ator de cinema aguarda dois filmes para serem lançados ainda este ano, “Clube dos Anjos”, dirigido pelo fluminense Angelo Defanti, e “Jesus Kid”, do baiano Aly Muritiba, que ele acabou de rodar em Curitiba (PR).

Diz estar “receoso” em razão do nefasto quadro político brasileiro. “Principalmente pela nossa democracia. Temos de exigir que a democracia continue funcionando. Precisamos garantir a nossa liberdade de expressão. Somos artistas, a liberdade é fundamental. Precisamos dizer não à censura.”