Cultura

Rodrigo San inaugura nova fase musical com o lançamento do álbum 'Sutil'

Com influência da soul music brasileira, o disco estará disponível nas plataformas digitais nessa quinta-feira (5), quando o artista se apresentará no programa 'Quinta no Arena'

04 de Setembro de 2019, 14:03

Jorge Barboza/ Editor

Nessa quinta-feira (5), no programa “Quinta no Arena”, o guitarrista e agora cantor e compositor Rodrigo San faz o lançamento de seu primeiro registro autoral em estúdio, o álbum “Sutil”, publicado pelo selo paulista Orangeira Music. O show no anexo ao Teatro Deodoro à rua Barão de Maceió, 375, centro da capital, marcado para as 19h30, custa entre R$ 10 e R$ 20.

Divisor de águas na carreira do artista – que até pensou em pendurar as chuteiras depois de duas décadas tocando com as estrelas da música alagoana, entre elas a banda Vibrações, que ajudou a criar em 1997 –, o álbum "Sutil" é como um novo horizonte na diversificada carreira desse guitarrista virtuose. Nessa quinta-feira será disponibilizado nas plataformas de streaming, mas você já pode ouvir no YouTube o primeiro single, “Menina”.

A influência da soul music brasileira (Cassiano, Dalto, Tim Maia) é notável, mas, como o próprio nome do álbum indica, há essa sutileza própria do esforço de um músico experiente e criativo em apresentar um trabalho original e atraente. “Esse single ‘Menina’ realmente tem algumas influências de soul music, Cassiano, Tim Maia – esses artistas sempre me influenciaram muito, Djavan... Eles fizeram parte da minha formação musical, foram os primeiros artistas que aprendi a tocar no violão, os clássicos, as músicas mais conhecidas deles.”

'Cantar não estava nos meus planos, não achei que fosse acontecer'

Com 38 anos e tendo começado na música aos 14, San confessa que chegou a um impasse entre o que gosta de fazer e aquilo que havia conquistado tocando com outros artistas. “Sempre atuei como guitarrista na cena musical alagoana. Cantar nunca tinha passado pela minha cabeça, não estava nos meus planos. Na verdade, não achei que isso fosse acontecer algum dia.”

Depois de 15 anos integrando a trupe do Vibrações (“saí um ano antes de eles irem para o programa ‘Superstar’, da TV Globo”), há cerca de cinco anos, surgiu o compositor. “Até então nunca tinha feito nada nesse sentido. Era sempre tocando como guitarrista, mesmo na época que tocava com o Vibrações fiz outros trabalhos paralelos com bandas como Capitães de Areia, Mundo Imaginário. Fiz algumas passagens assim com vários artistas e sempre como guitarrista. Agora eu estou vivendo o que considero a fase mais feliz da minha vida na minha música.”

O CD será disponibilizado quinta-feira (5)

Mas quase parou de tocar. Pois é, as vezes as coisas ficam difíceis – especialmente para quem faz música nesta cidade. “Depois de mais ou menos 20 anos fazendo som por aí, comecei a me sentir um pouco angustiado. Com a cena, com a música – eu estava desanimado, estava decidido a não tocar mais e buscando outros caminhos para mim. Porque a música sempre foi a minha vida, sempre fui guitarrista. A minha vida sempre girou em torno da música e quando eu senti vontade de parar eu passei um tempão buscando algumas alternativas que pudesse me proporcionar uma forma de sobreviver fora da música. Nada dava certo. Foi aí que resolvi que não ia mais tocar, que estava me desligando, aconteceu de eu ir dormir e no dia seguinte, como num encanto, uma coisa inexplicável, eu acordei compositor de canções. E isso ressignificou a minha vida. Voltei a sonhar e hoje estou vivendo uma fase semelhante à época em que comecei a tocar guitarra. Aquela euforia de fazer som.”

Na banda Vibrações, que ajudou a criar em 1997

Apesar de, em todos esses anos, já ter gravado em estúdio com outros artistas, jamais havia colocado voz em qualquer canção (“backing vocal, nada”, ele diz). “Quando eu comecei a compor, num primeiro momento não pensava em ser intérprete das minhas canções. Uma música minha chegou a ser gravada, pela banda Seu Marola, mas esse processo não teve continuidade. Eu estava sempre pensando em fazer com que outros artistas gravassem as minhas canções. Mas isso é muito difícil de acontecer, e eu do jeito que sou ansioso – por isso o nome do disco, sutil, que é algo que eu não tenho, essa sutileza, sou bem afobado mesmo –, quero ver as coisas acontecerem rápido e a galera nem sempre tem disponibilidade, interesse de gravar canções de outros artistas. Então, algumas pessoas passaram a me incentivar, como o professor Marcos Moreira, da Ufal, que foi meu orientador de TCC, algumas pessoas da minha família, tive também ajuda de alguns amigos professores de canto, Rodrigo Cardoso, Victor Moura."

Enfim, diz que foi se "aprimorando" e que agora já consegue gostar do que está fazendo. "E aí surgiu a oportunidade de gravar esse disco, gravado no estúdio C4, em São Paulo, produzida por um cara chamado Marcos Maurício. Tive o apoio do selo Oranjeiras Music, que está fazendo um trabalho bem bacana, conseguindo umas coisas bem legais pra mim lá em São Paulo. É praticamente a realização de um sonho.”

Bem, e é nesse estado de graça que encontramos Rodrigo San saindo da retaguarda para a frente do palco. Com as bênçãos de Jimi Hendrix (“quando vi o Hendrix tocar guitarra, eu disse, ‘po, a guitarra é um instrumento incrível’, eu pirei no som”) e a inspiração do Tim e da soul music Brasil agora um bocado alagoana.

Acompanham esse renovado herói da guitarra caeté o tecladista Dinho Zampier, o contrabaixista Kiko Santos e o baterista Victor Sávio – além dos técnicos João Acioly e Leonardo Sarmento. Imperdível.