Cultura

Letrux canta e dança o fim de um romance desastroso na turnê 'Em Noite de Climão'

Artista carioca faz as últimas apresentações da turnê que traz o repertório de seu primeiro álbum solo; nesta quinta-feira (24), às 21h, no Rex Jazz Bar

24 de Outubro de 2019, 11:54

Sebage/ Colaborou Cláudio Manoel Duarte

Depois de gravar DVD no auditório do ginásio Ibirapuera, em São Paulo, e depois de ter percorrido todos os principais festivais do Brasil – incluindo o “Lollapalooza 2019” –, a cantora e compositora carioca Letrux faz as últimas apresentações da turnê com o repertório do disco que lançou há dois anos, o “Letrux em Noite de Climão”, primeiro álbum solo da artista que integrava a banda Letuce. Em Maceió, a apresentação será nesta quinta-feira (24), a partir das 21h, no Rex Jazz Bar à rua Sá e Albuquerque, 675, bairro central do Jaraguá. Os ingressos, entre R$ 40 e R$ 80, podem ser comprados na bilheteria ou no site aqui. O DJ Finizola faz a abertura, segurando a pista ainda depois do show.

A turnê apresentada nas principais casas de shows e festivais de todo o Brasil, e também de Portugal, foi marcada por uma plateia excitada com a performance avassaladora da artista, em canções que narram o fim de um romance. “Desde o dia 6 de agosto, a cantora deu início às últimas 13 datas da turnê, que nessa reta final ganha o nome de 'Letrux em Climão de Despedida'”, destaca o informativo enviado à Redação.

Para Letrux, encerrar a turnê do disco solo “é deveras prazeroso”. “Percebemos o quanto alcançamos inúmeras pessoas, de todas as idades, gêneros, estilos. O ‘Climão’ de fato rasgou tudo, o céu, minha cara, a vida, tudo. Mas não sou inimiga do fim, pelo contrário, amo ponto final. Então natural encerrarmos esse ciclo e partir para a próxima ideia. Fico muito feliz com toda essa trajetória curiosa, divertida e profunda."

'Em vez de ficar na fossa, dança-se', defende a apaixonante Letrux

De Maceió, a artista segue para Aracaju, nessa sexta-feira (25), e Salvador, no sábado (26). Depois da turnê, entra em estúdio para gravar o segundo disco, “previsto para ganhar o mundo após o carnaval de 2020”.

O álbum “Letrux em Noite de Climão” conquistou prêmios importantes como “melhor disco do ano” pelo canal Multishow e “melhor produção” pelo Women Music Event, além de excelentes posições em diversas listas de melhores discos de 2017. “Transformou-se numa espécie de clássico contemporâneo que, inclusive, recentemente ganhou edição comemorativa de remixes, o ‘Letrux em Noite de Pistinha’”, destaca a produção, observando que no álbum e no show, “Letícia Novaes [nome de batismo da cantora] encarna a persona Letrux para cantar, de modo visceral e ao mesmo tempo íntimo, confessional, e, por vezes, tragicômico, sobre as intensas experiências de uma mulher que acaba de sair de um romance desastroso, ao longo de uma noite”.

“Em vez de ficar na fossa, dança-se", ironiza Letrux. A cor predominante da turnê (cenário, figurino, iluminação) é o vermelho. "O disco é dramático, apaixonante. Uso o vermelho como uma força, como paixão, como sangue. Estamos sangrando, mas estamos vivos e ainda apaixonados. Por quê ou por quem não importa, mas ainda tem paixão correndo nas nossas veias e por isso estamos aqui."

Fizemos entrevista exclusiva com Letrux, acompanhe.

Letrux é uma banda ou um pseudônimo?

Letrux – É meu apelido! Meus apelidos sempre foram os nomes da minha banda, com Letuce também foi assim.

Fui ouvir Liniker porque a achava interessante, mas não conhecia o som. Nem gostei tanto e postei algo no Facebook. Alguém comentou, “ouve Letrux”. Ouvi e amei.

Letrux – Acontece... As pessoas estão vivendo num automático insano, e aí quando algo não bate já descartam. É importante tentar de novo, dar chances, enfim, agradeço.

De Letuce para Letrux, basicamente você se soltou e conquistou um público maior... Musicalmente, ficou mais pop e dançante, ao mesmo tempo mais intimista (ou visceral).

Letrux – Não sei se eu me soltei, sempre fui solta. Letuce era solta também (risos). Só que de outra maneira. A gente nunca vai saber porque um trabalho atinge mais gente ou não. Acontece. Sempre passeei bem por esse lado intimista também. O show atual é mais dançante, talvez isso conquiste mais, não sei, mistério mesmo.

E agora em “Noite de Pistinha”, parceria com DJs... A música eletrônica é um caminho para Letrux?

Letrux – Os remixes foram os DJs que fizeram, não foi parceria, não me meti em nada. Os DJS ouviam o disco e piravam em querer fazer versões deles, e eu deixei. Mas não houve parceria porque não trocamos figurinha nem nada. Eles fizeram e me enviaram. Gosto de música eletrônica, como várias outras vertentes. Não acredito em um caminho só

Em relação às plataformas de streaming, Deezer, Spotify, o que é melhor? Como você encara o mercado musical a partir dessas plataformas? De que modo elas te beneficiam concretamente?

Letrux – É o que há no momento. É preciso saber surfar as ondas atuais. Poderia ser rebelde e colocar tudo meu num soundcloud da vida, mas acabo limitando meu público e não quero isso. O que o artista ganha ainda é uma mixaria, mas não me sinto apta a viver uma pequena revolução e nadar contra. Ainda sou muito pequena para isso. Beyoncé e Jay Z, eles sim, enormes, tentam entender melhor essas plataformas. Talvez faça mais sentido para eles, eu ainda estou criando meu público.

Quantas cidades você percorreu? Surpresas? Para o bem e para o mal, embora com o seu astral, dificilmente role qualquer coisa fora do bem, né... Mas como vivemos atualmente uma espécie de mal institucionalizado, alguém reclamou do vermelho?

Letrux – Fizemos uns cem shows. Fomos para muitos cantos no Brasil, muitas surpresas boas, passeios pela floresta amazônica, comidas maravilhosas, presentes de fãs querides, mas sem dúvida perrengues também. Apesar do astral, tem sempre luta e perrengue – nem tudo é como parece. Ser uma banda independente não é fácil.

E tem outro show rolando simultaneamente, poesia e músicas de outros compositores? 

Letrux – Sim, chama “Línguas & Poesias”. Canto e declamo, acompanhada de violão e vibrafone.

Correria, não?

Letrux – Muita, mas estou acostumada já.

Foi ideia sua vir pra Maceió ou alguém convidou? Já conhece a cidade?

Letrux – Não conheço, mas muita gente da cidade pedia show aí e felizmente conseguimos marcar. Estamos muito ansiosos para chegar aí.

Voltando ao vermelho, a estética da paixão... Mas você é comunista?

Letrux – Não. Há coisas que me agradam muito no comunismo e outras que detesto, tenho uma visão muito crítica a ideologias. 

Bom show e aproveite Maceió – fica alguns dias?

Letrux – Infelizmente não, temos show em Aracaju e Salvador depois.