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'Psicose 4h48' traz o tema da depressão em montagem da Cia Stavis-Damaceno, de Curitiba

Peça integra a programação das comemorações dos 109 anos do Teatro Deodoro; será apresentada gratuitamente, neste sábado (16), às 20h

16 de Novembro de 2019, 17:50

Da Redação

A Cia Stavis-Damaceno, encabeçada pelo diretor e dramaturgo Marcos Damaceno e pela atriz e cantora Rosana Stavis, realizam em Maceió a oficina “Teatro Contemporâneo – Poéticas do Século 21”, com artista veteranos e iniciantes da cidade, no Teatro Deodoro, que comemorou durante esta semana seus 109 anos de atividades teatrais, musicais e outras nesta capital que não se pode mesmo dizer que estimula a cultura. Para comprovar isso, basta ir aos espetáculos locais – bons, baratos e, com raras exceções, público escasso – bem menos do que podia ser. Mas enfim, a dupla Stavis-Damaceno, que é um casal, cujo texto de Damaceno, Prêmio Shell no ano passado, “Homem ao Vento”, foi lido para o público, por esses atores que passaram a semana com eles, na quinta-feira (14), claro, com público escasso. Neste sábado (16), a partir das 20h, no Deodoro (rua Barão de Maceió, 375, Centro), Rosana encarna a personagem de “Psicose 4h48”, peça de Sarah Kane, jovem e talentosa dramaturga inglesa, que, sofrendo de depressão, tentou suicídio e fora internada duas vezes em hospital psiquiátrico. Enforcou-se em 1999, aos 28 anos, no banheiro do hospital.

Rosana Stavis ganhou o troféu paranaense Gralha Azul por essa atuação

“Um dos mais importantes textos da dramaturgia contemporânea mundial, ‘Psicose 4h48’ fala de depressão psicótica e o que acontece na mente de uma pessoa quando desaparecem por completo as barreiras que distinguem a realidade das diversas formas de imaginação”, destaca o informativo do teatro enviado à Redação. “Durante toda a sua curta vida, Kane foi atormentada por acessos depressivos. A cada nova ocorrência, esses acessos foram gradativamente levando-a a um processo de suicídio que teve fim em 1999, aos 28 anos de idade. A experiência desses episódios e os tratamentos médicos a que teve que se submeter formaram a matéria-prima para a construção deste seu último texto.”

De acordo com o press-release, o texto é “fragmentado, não linear, permeando entre o dramático, o lírico e o narrativo”. A direção é de Marco Damaceno e sem dúvida é uma oportunidade única de apreciar o trabalho da dupla, reconhecido nacionalmente.

Para Marcos Damaceno, a peça “pretende dar forma a algo que não tem forma, os nossos pensamentos”. “A montagem”, explica, “foi estruturada somente na musicalidade e no ritmo das palavras, devido a não existência de trama, enredo, história e outros elementos característicos de uma dramaturgia convencional.”

O diretor conta que o trabalho foi desenvolvido “priorizando o tratamento do texto nas vozes dos atores como forma de não espetacularizar o tema”. O foco, segundo ele, é o texto e a atuação da Rosana Stavis. A atriz levou, por esse trabalho, o Troféu Gralha Azul, que é a principal premiação paranaense à classe teatral.

“’Psicose 4h48’ é um espetáculo com o qual que já fizemos mais de 300 apresentações por todas as regiões do país, mas que nunca havíamos apresentado em Maceió. É denso, importante, tanto pela temática, quanto por tudo que esse texto representa para o teatro universal, sendo interpretado pela Rosana Stavis, uma das grandes atrizes que temos no Brasil hoje. Tenho certeza de que a apresentação em Maceió será um grande sucesso”, aposta Damaceno.