Cultura

Eva Le Campion inaugura segunda fase do projeto 'Monção', que contesta a poluição das águas e dos mangues

Em Maceió, exposição estreia nessa terça-feira (10), às 19h, na Fundação Pierre Chalita, no bairro litorâneo da Pajuçara; artista diz que 'o homem precisa recuperar a potência da Natureza'

09 de Dezembro de 2019, 10:14

Da Redação

Eva Le Campion inaugura nessa terça-feira (10), às 19h, o segundo ato do projeto “Monção”, iniciado em agosto deste ano no Museu de História Natural. Esta segunda intervenção da artista visual ocorrerá na Fundação Pierre Chalita à Praça Manoel Duarte, 77, bairro da Pajuçara (região litorânea da capital), com entrada gratuita. “Esta etapa da exposição reúne uma série inédita composta por pinturas em grandes formatos, fotografias com intervenções de pintura e um videoperformance, em que a artista explora toda a beleza e a riqueza dos nossos mananciais de água e fonte de vida”, explica o curador Rafael Almeida. Monção é o vento periódico de ciclo anual, que sopra principalmente no sudeste da Ásia, alternativamente do mar para a terra e da terra para o mar, durante muitos meses. Na costa brasileira, sopra em direção ao Norte de março a agosto, e para o Sul nos outros meses do ano.

Para Eva Le Campion, “o homem está destruindo a majestade dos mangues, o silêncio do lugar, a luz verde azulada da imensidão das águas”. “Nossa terra sofre, encharcada de águas escuras e com os córregos cheios de lixo”, a contesta Eva, afirmando que "quilômetros e quilômetros de lagoas, rios e mares são agredidos diariamente por toneladas de esgoto, sem o menor tratamento necessário". "É como um vômito da sociedade de consumo, enquanto a corrupção e a alienação estão refletidas nas águas.”

Em processo de montagem/ Foto/ Didi Magalhães

Com mais de 30 anos de carreira, Eva Le Campion, de 59 anos, estudou com o tio Pierre Chalita, mestre das artes plásticas alagoanas. Fez cursos de especialização em Paris, França, e frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Em 1999, deu início em Maceió a um projeto em parceria com a Cruz Vermelha de Maceió, que era uma oficina-olaria para trabalhar com crianças e adolescentes carentes, trabalho de inclusão que estimula e inspira a artista até os dias de hoje.

“Para entender como a população se relaciona entre si num determinado lugar, basta ver como está a natureza em sua volta”, pondera Eva Le Campion. Para ela, “o homem precisa recuperar a potência da Natureza”. “Precisamos criar uma nova consciência, novos valores e a integridade de recuperar nossa cultura de raiz. Somente assim voltaremos a nos conectar com o que há de infinito e ancestral em nossas veias.”

Primeiro ato ocorreu em agosto no antigo IML/ Foto/ Felipe Almeida

De acordo com o curador Rafael Almeida, a exposição se dividiu, até aqui, em dois momentos. “O primeiro, realizado em agosto deste ano, foi um manifesto composto por uma instalação conceitual, com fotografias e esculturas expostas na sala onde funcionou o necrotério do Museu de História Natural da Ufal [antigo IML]. As fotos denunciavam o lixo encontrado pela artista nas areias da praia e as cerâmicas remetiam a pulmões em agonia.”

Eva Le Campion: 'Vômito da sociedade de consumo'/ Foto/ Felipe Brasil

Almeida conta que nessa primeira exposição o espaço onde os corpos esperavam a autópsia foi “apropriado para fazer uma relação de automutilação entre o ser humano e a natureza”. “Ao destruir seu habitat natural, o homem também está se destruindo”, conclui.

“Monção” – que tem, ainda, uma segunda curadoria assinada pela galerista Didi Magalhães, do espaço Galpão 422 – encerra a pauta de exposições da Fundação Pierre Chalita para este ano. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, no horário das 9h às 12h e das 14h às 18h. Todas as obras estarão disponíveis para aquisição.

Para mais informações, ligue (82) 98155 6175.