Especial

Cultura Inglesa divulga obras aprovadas em edital para seu próximo festival

Foram selecionados dez projetos em diversas linguagens, inspirados na cultura britânica, que farão parte da programação do evento em 2020

09 de Dezembro de 2019, 15:36

Da Redação

A Associação Cultura Inglesa divulgou na sexta-feira (6) os projetos selecionados no edital realizado para compor a programação do “Cultura Inglesa Festival”. De acordo com o informativo enviado à Redação, os curadores analisaram mais de 260 projetos inscritos por proponentes dos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Bahia, selecionando dez obras inspiradas em diferentes aspectos da cultura britânica. “Em sua décima-sétima edição, o edital passou por uma reformulação e incluiu, em seus critérios de seleção, conceitos como multiculturalismo, pluralidade, interdisciplinaridade, processos de tradução linguística e cultural e diálogo entre culturas”, destaca o press-release dos produtores.

De acordo com a gerente cultural da associação, Liliane Rebelo, o edital Cultura Inglesa tem “papel significativo no fomento da produção artística brasileira”. “Os editais de incentivo são importantes instrumentos para a difusão de ações culturais em diversas regiões do país, sobretudo naquelas mais afastadas dos grandes centros. O resultado do nosso edital, modernizado e mais sintonizado com a produção artística contemporânea, refletirá, em 2020, nosso apoio continuado à criação de obras inéditas, em uma busca constante por promover a cultura britânica no Brasil e a produção artística brasileira em múltiplas linguagens.”

O documentarista Raul Perez apresentará o curta 'Border'

Entre as obras selecionadas está o curta-metragem “Border”, do jornalista e pesquisador Raul Perez,  que atuou, de 2014 a 2019, como coordenador de Comunicação da SPcine, empresa da prefeitura de São Paulo criada para incentivar o desenvolvimento do setor audiovisual. O roteirista cresceu na conexão Grajaú-Jabaquara, refletindo essa condição em sua produção artística. É diretor e produtor do documentário “Quando Sinto que já sei”, que registra novas práticas em educação em oito Estados brasileiros. A trama de “Border” apresenta questionamentos sobre pertencimento e territorialidade, além de discutir fronteiras físicas e simbólicas.

Mancala ou as Sementes de Akin”, espetáculo de dramaturgia coletiva da atriz e escritora Érika Santana da Rocha, também está entre os projetos contemplados. A artista começou a trabalhar como assistente de produção e direção no grupo teatral Companhia do Latão, de São Paulo, integrando-se à trupe, em seguida, como atriz. Trabalhou no grupo entre os anos de 2014 e 2019, nos espetáculos “O Mundo está cheio de Nós”, “Lugar Nenhum” e “O Pão e a Pedra”, entre outros. Em “Mancala”, destacam-se aspectos universais da infância e do brincar “para além das diferenças históricas e socioculturais de diferentes países”.

“BRanimal – A Visionary Visit of Leigh Bowery in Brazil” traz uma nova linguagem artística ao festival, já como fruto da reformulação do edital. A obra é de autoria do estilista, artista multimídia e performer Alex Casimiro, que já teve passagens por diversas marcas de moda no Brasil e no exterior. Paralelamente, participou de exposições e projetos em espaços como Sesc, Galeria Vermelho e TAL Tech Art Lab. Para o projeto que apresentará no "Cultura Inglesa Festival", o artista propõe uma série de performances urbanas inspiradas no universo imagético da artista performática australiana Leigh Bowery, conhecida por seus figurinos e maquiagens extravagantes. O título “BRanimal” é um “cruzamento” das palavras “Brasil” e “Transanimal”, movimento artístico nascido em 2006 e inspirado na obra de Leigh.

A artista performática australiana Leigh Bowery inspirou o projeto de Alex Casimiro

Ampliando o alcance do edital para o Estado da Bahia, o projeto “A Desafortunada História do Romance de Julieta e Romeu” é assinado pelo soteropolitano Djalma Thürler, diretor artístico da ATeliê voadOR Companhia de Teatro. Em dez anos, dirigiu espetáculos como ‘Cabaré vibrátil’, ‘Urbis in Motus’, ‘Uma Mulher impossível’ e ‘Salmo 91’. Como dramaturgo, escreveu “O Outro Lado de todas as Coisas”, “A Noiva do Condutor”, “O Diário de Genet” e “A Alma encantadora do Beco”. “A Desafortunada História...” mistura títulos de obras de Matteo Bandello, Shakespeare e João Martins de Athayde, utilizando músicas e referências estéticas da cultura popular, além de elementos melodramáticos próprios dos dramas circenses tradicionais representados nos interiores do Brasil.

“Shakespeare em Libras” também foi selecionado. Proposto pela diretora e professora de teatro radicada em Santa Catarina, Adriana de Moura Somacal, traz a acessibilidade na criação da obra. “O material artístico é todo construído por uma equipe composta de artistas surdos, profissionais com experiência no teatro surdo e no audiovisual, pesquisadores da obra de William Shakespeare, além de intérpretes de Libras, a língua brasileira de sinais”, informa a Associação Cultura Inglesa.

As obras selecionadas pelo edital integram a programação do “Cultura Inglesa Festival”, que é o maior festival de cultura britânica da América Latina e que há 24 anos oferece também, gratuitamente, espetáculos internacionais, mostras de cinema, exposições, shows e programação infantil. “Desde a sua criação, há 17 anos, o edital contemplou mais de 200 projetos, muitos dos quais seguiram vida própria no circuito cultural nacional e internacional após sua estreia no festival.”