Cultura

Odair José faz o lançamento de 'Hibernar na Casa das Moças ouvindo Rádio'

Álbum encerra trilogia roqueira (e política) iniciada em 2015; show em Maceió nessa sexta-feira (13) será no Boteco Aula Vaga, no bairro de Cruz das Almas

12 de Dezembro de 2019, 11:14

Sebage/ Editor

Nessa sexta-feira (13), em Maceió, no bar e casa de shows Botequim Aula Vaga, o grande Odair José faz o lançamento de seu trigésimo sétimo álbum, “Hibernar na Casa das Moças ouvindo Rádio”. É tranquilo usar superlativos quando se trata de Odair José, 71 anos, um colecionador de sucessos e um artista de muita identificação popular desde que lançou o primeiro álbum, "Odair José" (CBS/Sony Music, 1970), chegando ao topo das paradas com uma série de canções-manifesto, “Pare de Tomar a Pílula”, “Esta Noite Você vai ter que ser minha”, “Deixa essa Vergonha de lado”. Odair pontuou uma revolução de costumes no Brasil, em plena ditadura militar. Hoje, quando submergimos outra vez às obscuridades fascistas, ele vem com mais um manifesto, fechando uma trilogia roqueira e contemporânea que iniciou em 2015 com o álbum “Dia 16”.

Compositor fértil, cantor carismático. Nesse momento que precisamos tanto do alento artístico por dias melhores, ver um show desse cara é uma bênção. Começa às 22h e o Aula Vaga fica na avenida Comendador Gustavo Paiva, 176, bairro de Cruz das Almas. Os ingressos entre R$ 20 (lote promocional) e R$ 80.  A mesa para quatro pessoas custa R$ 250. Para compras on line acesse aqui.

Mas deixemos as delongas para o bar. Por e-mail, Odair José respondeu algumas perguntas que publicamos a seguir. 

Odair José em Maceió: venda de ingressos esgotada

Aos 71, você está muito em forma. Qual a dieta, exercícios, meditação?

Odair José – Obrigado pelo "muito em forma"... Mudei de vícios. Exercícios há tempo fazem parte da minha rotina e tenho hábitos mais pro lado do saudável. Cheguei à conclusão de que só assim eu conseguiria trabalhar e viver melhor – vamos ver até onde dá pra ir.  

Musicalmente, sua carreira está num momento maravilhoso, acredito. Só aqui em Maceió, em três meses você se apresenta pela segunda vez.

Odair – É verdade, meu trabalho está fluindo melhor, estamos fazendo boas apresentações e isso nos leva a várias possibilidades. E tocar em Maceió é sempre muito bom, gosto da cidade.

“Hibernar na Casa das Moças ouvindo Rádio” é um disco perfeito. Rock brasileiro – que hoje a gente pode dizer que sempre foi sua praia, né (risos) –, urgente (político) e autossuficiente (seguro, para não dizer maduro; denso e bem humorado).

Odair José emplacou sucessos inesquecíveis

Odair – Fico feliz por suas observações, “Hibernar” ficou bem feito e tem sim um conteúdo oportuno para o momento. É rock estilo clássico. Concordo com você, isso sempre esteve presente nos meus projetos. Como sempre faço, minhas leituras sobre o tempo em que vivemos. Espero estar ajudando, fazendo algo relevante.

Desde ,o primeiro disco em 1970 você mantém uma frequência fonográfica excepcional, 37 álbuns... Porém há um lapso entre 2006 e 2012, a que se deve esse afastamento?

Odair – Olha, andei meio sem foco, não estava me achando e quando isso acontece é melhor ficar “fora do ar”.

Até porque houve uma ruptura do romantismo que marcou seus primeiros sucessos a partir do disco “O Filho de José e Maria” em 1977, uma ópera-rock. O álbum foi polêmico, duramente criticado, pouco vendido, e você foi ameaçado de excomunhão pela igreja católica?

Odair – Houve uma ruptura sim. Depois da confusão causada pelo “O Filho de José e Maria” bateram o pé e eu meio que corri. Não deveria, mas fiquei profundamente fragilizado, tanto profissionalmente como pessoa. Deu merda, aí já viu.

A Wikipédia diz que depois de “O Filho de José e Maria”, você voltou a ser o cantor romântico, mas já sem fazer tanto sucesso. Bem, observando-o hoje, dá pra dizer que levou tudo sempre numa boa.

Odair – Não, não levei numa boa. Fiz trabalhos bem distantes daquilo que eu poderia ter feito e lamento, peço desculpas ao público e à crítica por não ter realizado projetos com mais qualidade. Ainda bem que está dando tempo de consertar.

'Fiz trabalhos bem distantes daquilo que eu poderia ter feito e lamento'

Só não dá pra levar numa boa o desgoverno Bolsonaro e o fascismo tomando corpo e alma em nosso país, né.

Odair – Claro que não e estou tentando fazer a minha parte, alertando as pessoas sobre esse enorme retrocesso. Me sinto muito mal vendo o Brasil e o povo brasileiro sendo desrespeitado e manipulado por uma enorme hipocrisia. “Não se chega à alvorada sem passar pela noite”, é um trecho da última faixa do disco novo, não podemos desistir.

E a banda que vem com você? Como vai ser esse show em Maceió?

Odair – Olha, a banda é boa. Simples, mas com um propósito bem diferente das mesmices que rolam por aí. Tentamos fazer um show que diverte, mas faz pensar. Existe uma certa coerência no repertório. Tem um passeio pela minha história com clássicos, mas sempre respeitando a ideia do projeto “Hibernar na Casa das Moças ouvindo Rádio”. Convido o pessoal pra se encontrar com a gente e conferir.