Especial

Edi Ribeiro e sua nova invenção: o 'Arrasta-Pé no Frevo'

Guitarrista estreia projeto carnavalesco nessa sexta-feira (31), às 21h, na sede do Coletivo AfroCaeté, no Jaraguá, bairro central da capital

30 de Janeiro de 2020, 10:28

Sebage/ Editor

O guitarrista – e cantor e compositor – Edi Ribeiro faz o lançamento de seu “Arrasta-Pé no Frevo” nessa sexta-feira (31), às 21h, na sede do Coletivo AfroCaeté à rua Barão de Jaraguá, 381, no bairro histórico do Jaraguá, região central de Maceió. É o primeiro show de carnaval que o artista realiza, apresentando clássicos do forró – e também do coco – em roupagem de frevo. Vai ter, claro Gonzagão, Dominguinhos, Alceu Valença e os nossos Jacinto Silva e Edécio Lopes. O grupo de maracatu do Coletivo AfroCaeté fará a abertura. O ingresso será vendido na entrada do espaço cultural, a partir das 20h. Custa R$ 10.

À reportagem do Alagoas Boreal, Edi Ribeiro diz que “o negócio está ficando bonito”. “A ideia do ‘Arrasta-Pé no Frevo’ foi quase assim um insight: estava com a guitarra na mão e comecei a tocar um arrasta-pé. E eu disse, ‘oxe, péra aí, isso aí a gente pode fazer no frevo, né'”, conta o artista, uma sumidade do forró contemporâneo. “Tem muita similaridade, o arrasta-pé com o frevo. Digamos que o arrasta-pé é um frevo tocado na zabumba, de uma maneira mais inclinada para o forró. Tem um parentesco, o frevo e o forró e vice-versa. Aí é isso aí, montei essa proposta do 'Arrasta-Pé no Frevo' já utilizando o arrasta-pé que existe dentro dos ritmos de forró e acrescentei o frevo porque é isso que, justamente, vai dar para a galera entender que é um forró dentro do frevo.”

Misturando a música popular ao jazz e agora o arrasta-pé com o frevo/ Foto/ Sebage

Entenderam? Claro, né, se liga no “Pagode russo” de Luiz Gonzaga e João Silva que as pistas já estão ali. Ribeiro sempre se banhou no manancial do Rei do Baião e nas estrepolias do nosso coquista palmarino Jacinto Silva. “Foi justamente o ‘Pagode russo’ que eu estava tocando na guitarra... Quando veio essa ideia, 'po, o ‘Pagode russo’'. Por mais que seja óbvia essa ideia, nunca tinha pensado nessa métrica do arrasta-pé, nessa batida do arrasta-pé com essa aproximação do frevo. Aí eu pensei, ‘vai rolar, vou fazer’. Daí entrei em contato com o pessoal do AfroCaeté, eles apoiaram com o espaço e eu estou fazendo toda produção lá mesmo. Vai ser arretado demais, vamo simbora.”

Confira palinha do show nessa sexta-feira (31)

Quem viver, verá. As experimentações de Edi Ribeiro com o forró, e o coco, misturando-os ao jazz e ao rock, apoiado na guitarra elétrica, é uma invenção mais do que bem-sucedida daquilo que comumente chamamos música caeté. É arte pura, borbulhando, partindo das fontes inesgotáveis da cultura popular, aqui dentro do cerco alagoano e lá fora onde as águas correm livres.

“Aí eu saí experimentando”, conta o mago do forró-jazz, citando o clássico de Gonzagão. “’Ontem sonhei que estava em Moscou, dançando pagode russo’... Vamos ver como é que fica ‘Ponta do Lápis’ [o forró emblemático de Roberto Barbosa, Marcus Maceió e André Cláudio, lançado em 1984]... Fui colocando e foi se encaixando perfeitamente. O xote já foi se encaixando melhor no frevo, daí parti para o coco-de-roda também, foi funcionando... E assim montei o repertório, vamos fazer a festa.”