Cultura

Vem aí o frevo e as marchinhas de Wilma Araújo com sabor do rock'n'roll de Rita Lee

E ainda tem a participação especial de João Paulo (Mopho), cantando 'Esse tal de Roque Enrow' e 'Agora só falta Você'; sexta-feira (7), no Espaço Pierre Chalita, na capital

05 de Fevereiro de 2020, 14:29

Sebage/ Editor

A cantora (e compositora) Wilma Araújo retorna com o seu bloco na sexta-feira (7), em noitada que vai trazer os rocks e as baladas de Rita Lee para o frevo e a marchinha. Trata-se de uma das prévias de Carnaval mais disputadas da capital, com duração de cinco horas, apoiada por uma banda de craques, a começar pelo marido de Wilma, Marcus Vinícius, no violão, mais Alex (cavaco), Juninho Santos (tantan), Elton Garcia (surdo), Kako Vital (pandeiro), Cicinho (bateria), Ronyere (trumpete), Marquinho (sax) e Reinaldo (trombone). Este ano, a festa – que ocorrerá no Espaço Pierre Chalita na Praça Manoel Duarte, 77, Pajuçara, a partir das 22h – terá um sabor especial com a participação dos roqueiros João Paulo (banda Mopho) e Felipe Seixas (líder da banda de covers de Raul Seixas, Cachorro Urubu).

“Desde o princípio, nossa intenção é que o bloco pudesse dar pelo menos uma voltinha na rua”, declarou Wilma Araújo à reportagem do site, ainda na semana passada. “Todos os anos por algum motivo isso não acontece e fazemos essa noite de encontro de samba, de ciranda e frevo, de marchinha. Eu curto muito isso, nasci em fevereiro, meu aniversário é no dia 5, mas sou de comemorar no palco, todos os anos, desde muito tempo.”

'Garoto, eu ouvia as canções de Rita Lee no rádio, 'Mania de Você', 'Flagra' e outros hits', diz João Paulo

Pois é. Nesta quarta-feira (5), mais um motivo para os amantes da música alagoana comemorarem a criatividade e generosidade de nossos artistas. Dia 5 de fevereiro é o dia de Wilma, uma artista intrépida e sensível, que não larga esse osso duro de roer da cultura alagoana. Graças a deus. Outro, também, parada dura, que se mantém firme na batalha inglória de se fazer música nessas paragens caetés, João Paulo, artífice da legendária banda Mopho, já estava na fita para um projeto musical de Wilma homenageando Rita Lee.

“A gente se conhece há um bom tempo, por conta de um coleguismo, um acompanhando o trabalho do outro, mesmo que à distância”, comenta João Paulo, em bate-papo também, na semana passada, com a reportagem. “Wilma tem um repertório bem variado e eu sempre fiquei naquela coisa da música pop, o formato rock mesmo – tanto o Mopho quanto o Alma de Borracha com releituras de sucessos do rock. Mas, na música, tanto tempo aqui em Maceió, a gente conhece os colegas. Há uns 20 anos eu tocava muito no Orákulo [casa de shows no Jaraguá, região central da capital] e tinha um chorinho antes do Alma do Borracha. Eu chegava cedo e ficava escutando a galera tocar e, em algumas situações, a Wilma cantou com o pessoal lá. Ela também é conhecida da minha mãe, por conta do Boca de Forno, que a minha mãe acompanhava. É um grupo de samba que o Marcão, que é esposo da Wilma, tocava bandolim, cavaquinho.”

'Desde o princípio eu tinha convidado João Paulo, ele é um querido'

Conversa vai, conversa vem, elogios mútuos à parte, ano passado a cantora convidou o bandleader para participar do show que ela faria no Teatro Deodoro, cantando rocks e baladas de Rita Lee. “O show ainda não aconteceu, mas, no comecinho do ano, ela me convidou para cantar duas canções da Rita, no formato de frevo. Inusitado pra caramba. Falei para ela, ‘vou levar minha guitarra, mesmo sendo um lance de frevo’ – porque, bicho, dançar não é comigo, imagina pular frevo. Só de pensar meu joelho já estoura.”

Parceria acertada, ensaios, tudo bonitinho, a expectativa é grande. Ainda mais porque Wilma, que tem um pé enfiado no frevo e outro no samba, vai cantar um repertório, digamos, roqueiro. “Já tem uns dois anos que estou tentando fazer um show cantando as canções da Rita”, conta a foliã de longas datas. “Na verdade, o que importa é a música, com a sua liberdade, independentemente do ritmo. É música boa, né, que a gente ama ouvir – a vida toda eu ouvi Rita Lee e eu queria cantar como eu cantei Clara, que a vida toda eu também ouvi.”  Wilma cantando o repertório da sambista mineira/carioca (Clara Nunes, 1942-1983) virou um clássico na primeira metade dos anos 2010.

Mais um vez, por razões que geralmente estão acima da capacidade dos artistas, como diz Wilma, “uma coisa e outra”, o show no teatro “não deu para fazer”. “E este ano a gente resolveu fazer essa homenagem a Rita no bloco. Eu não sabia que tem um bloco em São Paulo [o Ritaleena, criado em 2015]. Sabia de outros blocos homenageando Caetano e outros artistas. Esse da Rita Lee eu não sabia, que maravilha, ela merece mesmo.”

Os ingressos, a partir de R$ 60, podem ser adquiridos nos estandes Viva Ingressos e Aceso Vip e na loja Erva Doce & Doce Erva. Também pode ser comprado pela internet no site aqui.