Especial

Banho de mar no paraíso das águas: praias da capital proporcionam riscos à saúde

Durante toda década de 2010, denúncias de esgotos na costa maceioense foram se acumulando; IMA apresenta relatório apontando balneabilidade 'imprópria' na Jatiúca, Cruz das Almas e Jacarecica

19 de Fevereiro de 2020, 10:21

Sebage/ Editor do Alagoas Boreal

O propagado “paraíso das águas” maceioense continua poluído e, entre as praias centrais e turísticas de Maceió, salvam-se a Pajuçara e a Ponta Verde, enquanto as igualmente turísticas Jatiúca e Cruz das Almas sofrem com o despejamento ilegal de esgoto nas águas do mar. Ao longo da costa alagoana, de acordo com o relatório de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente (o IMA), 57 trechos de praias são apropriados para o banho. O resto é sujeira e cara de pau dos governantes.

No esplendoroso e vergonhoso litoral da capital, repleto de turistas, na concorrida Praia da Jatiúca no trecho da luxuosa avenida Álvaro Otacílio entre as avenidas Antônio Gomes de Barros e Empresário Carlos da Silva Nogueira, o banho de mar, pasmem, é impróprio. Seguindo assim por toda extensão das praias de Cruz das Almas e Jacarecica. De quem é a culpa? De hotéis, restaurantes e condomínios à beira-mar com seus esgotos ligados clandestinamente à rede pluvial, e da própria Companhia de Saneamento (a Casal), que faz vistas grossas a essas agressões, há anos investigadas pela Polícia Federal. Por sua vez, há anos a PF não dá à sociedade satisfação do andamento do inquérito.

As coletas de amostras de água do mar são feitas em toda costa alagoana/ Foto/ IMA

Na Praia da Avenida, onde o rio Salgadinho deságua toda sua sujeira, a poluição é parte da paisagem. Mais adiante, entre o Sobral e o Pontal da Barra, felizmente é possível banhar-se nesse “lado B” do litoral maceioense sem maiores riscos. Essa é a situação do paraíso das águas que a prefeitura e suas campanhas publicitárias costumam encobrir. E, falando do lado B, a parte pobre e esquecida da cidade, ali sequer são disponibilizadas lixeiras para os banhistas.

“No total são coletadas amostras em 65 trechos [do litoral alagoano] que em seguida são analisadas para compor o documento semanal. O relatório mostra que apenas [apenas? Na Jatiúca e Cruz das Almas, epicentro do movimento turístico?] oito pontos foram considerados impróprios para banho”, mal justifica o IMA em comunicado à imprensa.

Mancha de poluição na Jatiúca em maio de 2015: inquérito não concluido/ Foto/ Arquivo

De sorte que não escondem os riscos mesmo em locais avaliados como próprios para o banho. “Os técnicos alertam para que os usuários evitem banhos de mar nos dias de fortes chuvas, principalmente em áreas próximas às galerias de águas pluviais e fozes de rios”, destaca o informativo enviado ao site. “Deve-se evitar, principalmente, o banho em praias que estejam diretamente sob influência de rios, canais e córregos, supostamente contaminados por esgotos.” Supostamente aí, convenhamos, é eufemismo.

“O relatório de balneabilidade é um documento semanal produzido com base no que recomenda a resolução 274/2000 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). As praias são consideradas próprias para banho quando em 80% do conjunto de amostras, colhidas no mesmo no local, não exceder o limite de 800 NMP (Número Mais Provável) da bactéria E.coli em cada 100mL de água coletada”, explica o Instituto do Meio Ambiente.

Aqui o relatório do IMA.