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Ventos de Maragogi atraem velejadores de todo o país

O mar tranquilo e os bons ventos criam condições favoráveis para a prática do esporte

27 de Julho de 2018, 13:36

Encerra neste domingo (2) o Campeonato Brasileiro de Windsurf, em Maragogi (131 km ao norte de Maceió), reunindo velejadores de todo o país. “Não se trata do primeiro campeonato de windsurf. Em 2009, já havíamos realizado um campeonato sul-americano”, informa um dos organizadores do evento, Marcelo Lacerda, campeão de windsurf em 1983 e 1997. “Também fui campeão nessa competição de 2009”, emenda o esportista, pernambucano que há 18 anos trocou Recife pelas águas tranquilas do mar de Maragogi. “Lá não tinha um mar como esse”, atestou.

Segundo Lacerda, 64 anos, a enseada natural de Maragogi “é perfeita” para esse tipo de atividade esportiva. “O pessoal que veleja aqui adora. O mar permite que você entre e saia com muita facilidade. Ao contrário de outras arraias, onde é muito comum o vento quebrar o mastro, rasgar a vela.” Explicando: a arraia é o espaço demarcado por boias, cobrindo uma área de três quilômetros quadrados por onde velejam os esportistas em competição.

“Aqui em Maragogi é sempre fácil esse entra e sai dos velejadores. A arraia, formada a seis quilômetros da praia, protegida pelos arrecifes, é perfeita para o esporte.” A regata deste domingo está prevista para iniciar às 11h, com participação de 50 velejadores. “Uma das coisas que atrai o velejador para este mar”, diz Lacerda, “é a transparência da água. Você veleja vendo a sua própria sombra no fundo do mar.”

Disputando na categoria acima dos 40 anos, Marcelo Lacerda diz que quando todos os velejadores estão no mar é como um cardume de peixes. “Você não vê quem é o maior ou o mais velho. A experiência da idade me dá algumas vantagens, como uma sensibilidade para ler o vento, saber qual o melhor local par ir, onde venta mais. Além disso, com a experiência, você tem mais técnica para fazer a propulsão da vela, ou seja, fabricar o vento. Com a idade, você aprende a usar melhor essa energia, de bombear o vento. O cara mais novo – não todos, obviamente – se desgasta mais sem conseguir o mesmo resultado.”

Claro, para aguentar o tranco, é preciso levar uma vida saudável, preparar-se fisicamente. “Eu tenho muito cuidado com a alimentação”, confirma o velejador veterano, que também pratica a modalidade do windsurf “stand up”, que requer o uso de remo. Para complementar, faz natação e levanta alguns halteres em casa. 

O Campeonato Brasileiro de Windsurf de Maragogi contou com o patrocínio da prefeitura do município, com apoio da pousada Camurim Grande – que não por acaso é de propriedade de Lacerda. “Neste domingo, sairá daqui o melhor velejador do Brasil”, garante o organizador do evento.