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Falta água nas torneiras de Porto Calvo e moradores reclamam da cor do líquido e até do ‘grude’ que fica no corpo

No ano passado, a água das torneiras do município continham coliformes fecais; neste ano, aparentemente o risco foi eliminado

27 de Julho de 2018, 13:36

 
PORTO CALVO – Os moradores do município, distante 96 km de Maceió, estão indignados com a falta de água. O problema atinge principalmente o bairro Mangazala, o conjunto Oscar de Souza Cunha e o loteamento Jorge Alves Cordeiro. A população reclama ainda da má qualidade do produto que chega às residências, fornecido pela prefeitura municipal através do Sistema Autônomo de Água e Esgoto – o SAAE, que faz a captação da água no rio Tapamundé, na fazenda Breguedé, próximo à rodovia AL-105.
 
O secretário de Infraestrutura, Alexandre Scala, reconhece que o abastecimento é precário. “Hoje, a estação supre a necessidade de apenas 12 mil pessoas. A ideia é criar junto com a Casal uma nova estação no Tapamundé, para suprir a necessidade da população”, disse ele, explicando que a estação poderia ser construída nas proximidades da fazenda Canaã, mais ao sul de Porto Calvo. 
 
Scala afirma que o problema nesses locais acontece por conta da estação, que não comporta um volume de água suficiente para toda população. De acordo com o secretário, a prefeitura “estuda novas fontes de distribuição” e está “analisando” transferir o fornecimento para a Companhia de Saneamento de Alagoas (a Casal).
 
O bairro mais prejudicado pela escassez de água é o Mangazala. “A água que chega aqui não serve nem para beber. Além disso, não chega todos os dias. Se usar essa água para cozinhar, a comida fica toda amarelada. Fica parecendo que a água vem do rio sem tratamento”, reclamou a aposentada Cícera Maria dos Santos, de 68 anos. Moradores afirmam que passam até três dias sem água em casa.
Da cor amarela: é assim que a água sai das torneiras das residências
Em dezembro do ano passado, um relatório da Casal atestava a presença de coliformes fecais na água que chegava às torneiras de Porto Calvo. O Ministério Público chegou a interromper o abastecimento no município, pois o produto estava fora dos padrões de potabilidade. Mas apesar de a água continuar “amarelada” na casa de dona Cícera, o relatório apresentado este ano, em julho, conclui que o nível de qualidade é “satisfatório”. 
 
Nesta Porto Calvo cercada de rios, o problema de falta de água não ocorre somente no popular bairro da Mangazala – e a qualidade do fluido substancial não melhora no centro da cidade. Não é raro, seja no Centro ou na Mangazala, encontrar-se uma pia cheia de pratos por lavar.
 
“Essa água é um desastre. Evito até escovar os dentes com ela. Ao tomar banho, o corpo fica todo grudando e, para beber, temos de comprar água. E quando passamos dias sem água, o problema é ainda maior”, disse o fotógrafo Paulo Nascimento, que mora na praça Apolinário Gusmão.
 
Não ter água da Casal não é negócio – a julgar pelo serviço oferecido pelo município. Mas uma negociação com a empresa estatal parece estar longe de ser concretizada. “Há o interesse de ambas as partes. A prefeitura hoje não tem condições financeiras de fazer uma nova estação e a Casal pode fazer isso, mas esperamos uma proposta melhor”, disse Scala, sem entrar em detalhes sobre o que a prefeitura espera desse acerto.

Casal: "Houve uma conversa informal"

Água é filtrada no rio Tapamundé, na fazenda Breguedé, próximo à AL-105
A assessoria de comunicação da Casal informou que não houve nenhuma solicitação formal para a Casal assumir o abastecimento no município. A empresa diz que houve apenas uma "conversa informal", mas que está sim analisando a proposta. “Porém, há uma série de requisitos para o contrato ser fechado”, avisou a assessoria.
 
Bem, ao menos, de acordo com a explicação de Scala, o risco de contaminação fecal foi eliminado. “Regulamos a quantidade de hipoclorito, que estava insuficiente, e aumentamos a dosagem de bactericida. A cada 60 dias, fazemos novas análises. Se a Casal assumir, os hidrômetros serão colocados e então começaremos a controlar o desperdício. Hoje temos um prejuízo mensal de mais de R$ 100 mil”, afirmou o secretário.