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Campanha 'Lixo Zero' da prefeitura do Rio completa três meses com redução de 50% do descarte incorreto de materiais

Em Maceió, há leis proibindo o descarte incorreto de materiais, mas ninguém respeita; faltam lixeiras na cidade

27 de Julho de 2018, 13:36

A Companhia Nacional de Limpeza Urbana (Comlurb) divulgou na semana passada, quarta-feira (13), que o programa "Lixo Zero", da prefeitura do Rio de Janeiro (que completou três meses nesta quarta-feira, 20), reduziu em 50% o lixo descartado incorretamente nas ruas.  

A cidade do Rio de Janeiro é a maior produtora de lixo por habitante do Brasil, segundo dados publicados em 2010 pela Associação Brasileira de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Com população estimada em seis milhões 429 mil 923 habitantes, o Rio já pode comemorar os bons resultados do programa, que vem multando, desde junho, os cidadãos cariocas e visitantes flagrados descartando materiais incorretamente nas ruas. 

De acordo com a prefeitura do município, até o dia 13 deste mês foram aplicadas 13 mil 890 multas, das quais apenas duas mil e 71 foram pagas. O próximo passo é incluir os nomes dos inadimplentes no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). 

As ruas da região central do Rio são as recordistas com cinco mil e 22 flagrantes. De todas as pessoas abordadas, apenas dez foram encaminhadas à delegacia por se recusarem a fornecer os documentos necessários para a aplicação da multa. Diariamente, são produzidas dez toneladas de lixo no Rio, sendo que 60% do total é domiciliar e 40% público. 

Em Maceió também há lei

Na capital alagoana, cuja população estimada é de 996 mil 736 habitantes, são descartados todos os meses cerca de mil 750 toneladas de lixo. Destes, pouco mais de 1% são destinados à reciclagem. 

Segundo o Código de Limpeza Urbana de Maceió, “constituem atos lesivos à conservação de limpeza urbana descartar incorretamente materiais de qualquer natureza em locais públicos ou privados”.

Prestes a completar duas décadas, a lei vigente desde 1994, complementada em 2007, não é respeitada pelos maceioenses, tampouco pelos visitantes da cidade. A prática de jogar lixo nas ruas ainda é bastante comum na capital alagoana. 

Urubus catam o lixo na praia da Avenida, no Jaraguá: 'pontos viciados' segundo a Superintendência de Limpeza Urbana (Slum)

O mau hábito de descartar lixo incorretamente nas ruas e logradouros de Maceió parece crônico. Alguns locais até foram catalogados pela Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (a Slum) como “pontos viciados”. Em outras palavras, independentemente de os agentes de limpeza do município efetuarem diariamente a retirada do material nesses locais, em poucas horas o lixo se acumula novamente.

De acordo com a Comunicação da Slum foram criadas escalas de trabalho para retirada do lixo nos “pontos viciados”. 

“Há locais que precisam de uma limpeza diária, em dias alternados. Outros necessitam de limpeza uma vez por semana ou uma vez a cada três dias. Depende muito onde se situa esse ponto e qual o tipo de resíduo que ele acumula”, informou o informativo da Slum. 

Falta de educação e poucas lixeiras

O trabalho dos agentes de limpeza da prefeitura poderia ser mais eficiente caso aumentasse o número de lixeiras ou pontos de descarte de materiais na cidade. 

O bancário Victor Lins, que já morou em dois bairros de Maceió (Poço e Ponta Verde) destaca a dificuldade de encontrar locais para o descarte. “Já cansei de procurar lixeiras nas ruas e em vários lugares, mas elas não existem. Praticamente há lixeiras somente no Centro e na orla. Nas periferias então, é muito difícil encontrar.”

Se por um lado faltam ações da prefeitura, por outro sobram maus exemplos dos maceioenses e visitantes. A designer e professora da Faculdade Maurício de Nassau, Luciana Beserra, afirma que boa parte da população, independentemente da classe social, não desenvolveu o hábito do descarte correto. 

“Já estive em lugares onde mora muita gente pobre, e não tinha um saco de lixo na porta de casa, mas lá esperavam o dia e a hora para descartar. Mas também já vi muita gente com um carrão de luxo baixar o vidro e jogar o lixo pela janela em plena orla”, provoca a professora, concluindo que “uma coisa é educação, outra é condição financeira”.