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Neste Verão, a Pousada do Alto esbanja conforto e bom gosto artístico e gastronômico

Um paraíso sobre a serra em Japaratinga esbanja conforto e hospitalidade aliando arte e paisagem

27 de Julho de 2018, 13:36

Pousada de charme e Natureza – uma vista esplêndida, por cima da serra sobre o mar de Japaratinga. Central, subindo a montanha em estrada de paralelepípedo e depois a estrada vicinal, entre os bambus, e mais adiante uma réstia de mata atlântica à encosta. Lá em cima a Pousada do Alto (lógico, o nome). Japaratinga – distante 128 km de Maceió, ao Norte. Aquela parte de Alagoas de mar e matas do tombo real – verdejantes, escreve o historiador Dirceu Lindoso em livros como “Formação de Alagoas Boreal” ou “A Guerra dos Cabanos”. Este é o cenário – um deque sobre a serra, a piscina em linha reta com o horizonte. O Verão chegou, é alta temporada. 

A casa com dez quartos e a piscina no alto recebem hóspedes bacanas, gente inteligente e de bem com a vida, pessoas que têm a ver, que trabalham na televisão em São Paulo ou no comércio em Maceió, empresários e advogados, publicitários, gente de todo o país. Bon vivants. Pessoas bonitas e felizes – e, olha, sem preconceitos: tem até um lugarzinho para fumar cigarros entre a copa de uma árvore que invade o deque. Um paraíso para você que gosta de sossego, de natureza e conforto. E é bem assim: você chega à pousada, o moço o ajuda a estacionar o carro e levar as malas e depois fazer o registro. Aí você dá uma espiada nas salas ricamente mobiliadas, com sofás e cadeiras antigas e se põe a observar os lindos quadros de artistas alagoanos e pernambucanos, espalhados pelas paredes – além dos espelhos e cristais, um luxo só. No quarto reservado, você vai se sentir em casa ao se deparar com o guarda-roupa do início do século 20 provavelmente herdado da avó do proprietário, Leopoldo Amaral. E aí, meu caro hóspede ou visitante, entregue-se ao deleite e ao aconchego de mais duas belas telas penduradas à parede, as cobertas e os travesseiros incrivelmente macios e sedosos, o frigobar, a TV, tudo muito bem arrumado, você muito bem instalado e o janelão de vista para o mar lá embaixo e todo o céu azul de Alagoas Boreal. 

Liciere Amaral, José Emílio, Leopoldo Amaral e Roberto Silva: diversão à beira da piscina em manhã quente de domingo

Amaral diz que tem experiência de sobra para saber como agradar um hóspede.

“Eu fui agente de viagem por muitos anos, desde 1991. Conheço tudo, até pardieiro no Nepal. Isso faz com que você aprenda”, revela o bem humorado e felizardo proprietário desse tesouro tropical que desponta do relevo montanhoso de Japaratinga com hospitaleira suntuosidade. 

Então está certo. Café da manhã? Não precisa se apressar, levantar da cama sem tomar um banho porque só lhe restam dez minutos antes de encerrarem o serviço. Não, isso não existe. O café é servido à hora que você acordar. “Fui o primeiro a estabelecer essa norma. Você não sai de casa para cumprir horários. Trato meus hóspedes com muito mimo, ora, não podia ser diferente, eu vivo deles.”

Diz Amaral que o “sítio” de um hectare onde ele ergueu a Pousada do Alto estava abandonado. A parte italiana da família não fazia ideia do jardim de delícias que eram aquelas terras – ao todo, 17 hectares – que acabaram sendo herdadas pela mãe de Leopoldo, dona Nanete, filha de pai e mãe italianos. “Isto aqui ficou entregue às baratas por 30 anos. É um resquício de mata atlântica, tem algumas árvores como abricó de macaco e pau-brasil e muitas palmeiras”, orgulha-se o anfitrião.

Da varanda do quarto, a rede e a paisagem deslumbrante

Bem, o café da manhã. Pãozinho de queijo (não o pãozinho de festa que em Maceió costumam chamar de pão de queijo – não, é o pãozinho de queijo mesmo, o mineiro, comum nos bons hotéis, feito com polvilho) e crepes, sucos e tapioca. Ovos. Presunto. Bolos. Você pede o que você quiser – suco, água, café –, e estende a visão até o mar e o arvoredo, ou fica ali olhando os quadros e ouvindo a conversação despreocupada das outras mesas. Degustando, retornando o e-mail no smartphone – sempre tem alguém no touch com o smartphone –, okay, as pessoas não mudam, embora sem dúvida relaxem.

E caem na piscina. 

No terraço e na piscina, o wire fire não pega. Então relaxe mesmo. Tome uma dose. Peça um peixe assado. É tudo no capricho, refinado e saboroso. A piscina em linha reta com o horizonte é um deslumbramento.

Casais de amigos turistas desfrutando os prazeres da Pousada do Alto: piscina na linha do horizonte

Antes de Leopoldinho (assim como todo mundo o chama, e como ele próprio se identifica ao telefone) construir a pousada, os amigos, os parentes já iam lá com ele tomar uma fresca no alto da serra. E continuam frequentando o lugar. Numa dessas manhãs de domingo quentes e ensolaradas, lá estão eles, os amigos, os parentes, abrigados do sol à beira da piscina: Leopoldo, o sobrinho neto José Emílio, a “agregada” Liciere Amaral e um novo friend, o paulistano Roberto Silva, que visitava aquelas plagas pela primeira vez. “A gente fez amizade fácil”, diz o publicitário referindo-se à intimidade recente com o dono da casa. “Temos amigos em comum, eu já ouvia falar dele há muito tempo”, confidencia Silva, elogiando a recepção. “Tudo aqui é impecável, em todos os detalhes. O atendimento é ótimo e você fica super à vontade.”

A gastronomia – show à parte – é responsabilidade de Tonho e Ed. “O Tonho veio do corte da cana de açúcar, o Ed era vigilante de obra”, conta Amaral. “Já receberam propostas enormes para ir embora, mas eles me amam.” Não duvide – o sorriso deles parece mesmo fazer parte dessa espécie de xanadu sobre a encosta. “É minha família. Nego Tonho eu digo que é o meu filho preto. Essa fidelidade não tem preço”, derrama-se Leopoldinho.

Quanto aos fumantes, bicho, cigarro é o fim, mas ninguém é discriminado por isso. O dono do pedaço, como se diz, fumava feito caipora – mas problemas de saúde livraram-no definitivamente do mau hábito. Então ele reserva um espaço para os caiporas amigos e hóspedes. “Não sou radical, não. Respeito o vício dos outros.”

Ó paraíso boreal nas alturas de Japaratinga. Perfeito para luas de mel, aniversários de casamento, comemorações. A vida ali é uma festa. Não é nada baratinho – como toda e boa pousada de charme da região. Diária de R$ 665 – a “suíte cristal” vai para R$ 925. Em compensação, todos os quartos têm vista para o mar. Pura extravagância. Mas o Verão escaldante pede isso – mergulhos na piscina, conforto e arrebatamento. O que a Pousada do Alto tem de sobra.