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'Semana do Cangaço' reunirá em Piranhas pesquisadores para um debate sobre a luta revolucionária de Lampião

Evento, que se inicia nessa quinta-feira (24) e vai até segunda (28), reunirá mais de 70 pesquisadores de 11 Estados brasileiros

27 de Julho de 2018, 13:36

A prefeitura de Piranhas realiza a segunda edição da “Semana do Cangaço”, que este ano será realizada em quatro dias, a partir das 16h dessa quinta-feira (24). O evento reunirá pesquisadores, descendentes de cangaceiros e de policiais volantes, gestores públicos e grupos folclóricos dos municípios alagoanos e sergipanos relacionados com a história do Cangaço no país.

“A edição anterior foi realizada em dois dias e foi um grande sucesso. Este ano, ampliamos a programação, com três dias para a realização dos debates e um dia para os visitantes conhecerem a cidade”, informa o curador do evento, o turismólogo Jairo Luiz Oliveira, diretor de Turismo do município distante 290 km de Maceió.

Segundo Oliveira, o fluxo turístico na baixa estação de junho e julho “foi o pior já registrado” devido à realização da Copa do Mundo. “Como não éramos um Estado-sede, pagamos um preço muito alto. Hoje, com a realização dessa ‘Semana do Cangaço’, já registramos uma ocupação de 80% em nossos hotéis e pousadas. Está confirmada a presença de 11 Estados brasileiros. Do Nordeste, somente não participam o Piauí e o Maranhão. Mas temos convidados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará – são mais de 70 pesquisadores de todos esses Estados.”

Centro histórico da cidade, que fica no alto Sertão, às margens do rio São Francisco, a 290 km de Maceió

Além das palestras e mesas redondas, que serão realizadas no centro cultural Miguel Arcanjo de Medeiros, no centro histórico da cidade, haverá, também, oficinas culturais, encenação de peça teatral e apresentações de grupos folclóricos. No sábado (26), ocorrerá o lançamento do projeto “Arqueologia do Cangaço”, trabalho que está sendo encampado pelas universidades de Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Pará.

“Toda essa programação está sendo coordenada em parceria com a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço”, diz Oliveira, ele mesmo um membro da instituição. “O primeiro passo desse projeto é identificar os sítios arqueológicos da região do Xingó, entre os Estados de Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco.” De acordo com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do governo federal, a região se estende por uma área de aproximadamente 78 mil e 600 quilômetros, no semiárido brasileiro.

“Identificados esses sítios”, continua o turismólogo, “iniciam-se as escavações que serão realizadas por esses pesquisadores que passarão as informações para as universidades.”

Tombada em 2003 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (o Iphan), Piranhas, segundo Oliveira, “é referência na história do Cangaço”. “É uma cidade mundialmente conhecida por conta desse episódio histórico, e também pelo rio São Francisco e o antigo casario preservado. Esse evento não vai abordar somente a questão do cangaço, mas a cultura da região. Do ponto de vista econômico, do turismo, é uma prova de que é possível fazer turismo no interior. O turista vai poder desfrutar do rio, da história do Cangaço, da gastronomia e da nossa hospitalidade.”

Destaques

Além dos debates e das apresentações folclóricas, destacam-se na programação a segunda “Missa do Cangaço”, que encerrá o evento na segunda-feira (28), na Grota do Angico, local onde Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram mortos, no dia 28 de julho de 1938, pelos soldados comandados pelo tenente João Bezerra da Silva. A grota fica no município de Canindé do São Francisco, em Sergipe, para onde seguirá, num catamarã navegando pelo rio São Francisco, a comitiva formada por descendentes tanto dos cangaceiros quanto dos policiais da chamada “Volante” – que era um grupo de soldados formado pelas polícias dos diversos Estados envolvidas na perseguição aos cangaceiros.

“O filho do tenente Bezerra da Silva estará presente, assim como Neli Conceição, filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha”, destaca Jairo Oliveira.

Outra atração aguardada, segundo o curador da “Semana do Cangaço”, é o espetáculo “Perdão de Lampião”, inspirado numa reportagem da jornalista Nide Lins e que será apresentada nessa quinta-feira, às 18h40, pelo grupo teatral Estrelas do Sertão.