Cultura

Heraldo França aguarda os dias de quarentena para retornar com o Super Boss Trio

A formação, que conta com outros músicos veteranos, Tony Câmara com seu contrabaixo acústico e o roqueiro Betinho Batera, estreou no início de março; o violonista, cantor e compositor Heraldo França fala de sua trajetória

14 de Abril de 2020, 10:51

Sebage/ Editor

Um projeto de fôlego de MPB e bossa nova, que apenas estreou no início de março na choperia Botequim Alagoana, em Maceió, teve obviamente de ser cancelado. Ocupando as noites de segunda-feira, a série de shows "Segundas da Bossa & MPB", comandada pelos músicos Heraldo França, Tony Câmara e Betinho Batera, o Super Boss Trio, retornará assim que a pandemia do coronavírus não ofereça mais riscos à população. Em entrevista ao Alagoas Boreal, o veterano violonista virtuose Heraldo França conta que, nas duas semanas que rolou o projeto, notou “uma satisfação” no público habitué da choperia e, por tabela, também, naquele pessoal que chega “por acaso e logo entende que se trata de algo diferente”.

O cantor e compositor Eliezer Setton com Tony Câmera e Heraldo França: convidado
França com o cantor Igbonan Rocha

França, também intérprete e compositor, explica que o projeto não envolve somente MPB e bossa nova. “A intenção do nome [do projeto] foi se referir a esses estilos mais como base. No repertório da Superboss tem de tudo, de João Gilberto a Bob Marley, de Tom Jobim a Michael Jackson. Os convidadotas que se apresentaram na segunda noite, por exemplo, tocaram Amy Winehouse, Beatles e Rolling Stones. O que a gente tenta é selecionar ao máximo o repertório para que não saia nada piegas, enlatado, e também partimos do conceito da bossa e da MPB mais como estilos de arranjos, do que mesmo títulos ou intérpretes e compositores. Tenho uma preocupação para que não vá muito pra o lado do pop rock (do tipo Legião, Cazuza, Capital Inicial etc.) porque percebi que muitas das propostas de shows em bares que propunham oferecer MPB, tinham isso como base. Assim, pretendo fugir um pouco desse conceito – não que não possa haver casualmente coisas desse gênero, mas outras coisas do mundo pop, progressivo, serão muito bem vindas. No nosso baú de tudo sai.”

Banda que tocava no hotel Pratagy, com Betinho Batera (segundo da dir. à esq.)

O músico conta que a amizade com esse ícone do rock alagoano, o Betinho Batera, é de longa data. "Eu o conheci há 37 anos, eu nem tocava e já era fã dele, que tinha apenas dez anos e já tocava na banda Poções Mágicas e em todos aqueles projetos de rock que havia no centro da cidade. Depois que comecei a tocar, fizemos um show no Teatro Deodoro, ainda garotos, em 1985; depois no comecinho dos anos 1990 formamos uma banda para tocar no hotel Pratagy – a gente tocava só uma vez por semana, mas a diversão era garantida com aquela turma."

Tony Câmara também é dessa época, final da década de 1980. "Tocamos juntos naquelas barracas de praia, depois ele desenvolveu um trabalho de compositor e violonista, gravou vários CDs autorais, voltou a tocar baixo há pouco tempo e se integrou aquele instrumento de uma forma impressionante. Eu passei uma longa temporada no Japão tocando por lá e tive muitas experiências com o baixo acústico. Fiquei com a ideia de encontrar alguém aqui em Maceió para tocar comigo, já que meu som pede muito essa sonoridade, bossa, samba, lounge, world music. Foi quando vi que Tony havia comprado um acústico, que ele carinhosamente chama de 'Júnior'. Daí surgiu a ideia de montar o trio. A princípio era com percussão (Ronalso Cirino), mas logo veio a necessidade da bateria. Foi quando fiz o convite ao Betinho para retomamos a parceria de quase quatro décadas."

No Japão, fazendo música brasileira com e para japoneses

Fizeram "alguns ensaios" e constataram que a velha parceria ainda "dava liga". "Logo em seguida surgiu o convite da Alagoana e do Moai lá no Francês, uma casa linda que, depois da pandemia, todos precisam conhecer. Tocávamos lá todas as sextas-feiras, isso já há seis meses. Mas a ideia da gente é não ficar só na noite e sim partir para projetos diversos, festivais, eventos públicos, tocar nossas músicas, compor juntos, viajar. Já que, para tocarmos em bares, as vezes precisamos enlatar um pouco o nosso som, a Superboss tem uma história recente, mas com laços musicais entre a gente que vem de décadas de trabalho e amizade."

Super Boss Trio retornará com o 'Segundas da Bossa Nova & MPB' depois da quarentena