TV Boreal

Quinto de 'Favela Gay, Periferias LGBTQI+' conta a história de três homens em comunidades do Distrito Federal e de Goiás

Série do Canal Brasil conta a história de três profissionais desde a descoberta da sexualidade às agressões sofridas dentro e fora de casa

21 de Abril de 2020, 11:21

Assessoria de Comunicação/ Canal Brasil

Homens, crias de periferias, homossexuais e com muitos pontos em comum, principalmente o orgulho de suas personalidades e a vontade de expandir a arte. No quinto episódio de “Favela Gay – Periferias LGBTQI+”, que vai ao ar nessa quarta-feira (22), no Canal Brasil, Ricardo Caldeira, Webert da Cruz e Rodrigo Santiago contam suas histórias desde a descoberta da sexualidade até os ataques homofóbicos dentro e fora de casa.

Artista visual, designer gráfico e produtor cultural, Ricardo Caldeira mora em São Sebastião, no Distrito Federal, e acredita que, juntas, as três áreas entrelaçam suas vidas pessoal, profissional, artística e afetiva. “É tudo muito ligado e algumas chaves me localizam: eu ser viado, negro e morador de periferia”, afirma. “A partir disso consegui desenvolver o meu trabalho e a forma como vejo o mundo.” Sobre a relação com a mãe, diz que o equilíbrio foi se moldando e destaca a confiança atual entre eles.

Já com o fotógrafo e estudante de jornalismo Webert da Cruz, amigo de Ricardo Caldeira, a reação da família foi oposta. “Infelizmente, assim como várias bichas no Brasil, a gente precisa sair de casa para poder sobreviver e viver. Percebo sempre a solidão atrelada quando se fala em família para muitas LGBTs. No meu caso, a minha família é muito racista e opressora. E eu entendi que a minha vida seria mais saudável se me distanciasse”, desabafa. Na fotografia, encontrou um caminho para propagar sua arte e expressar sua essência. “Além de trabalho, uso como ferramenta para mostrar as minhas parcerias LGBT e fotografar meus amigos artistas. Uso como intervenção social e sempre tento trazer esse meu olhar diferente, LGBT, que é outra referência.”

Se para Webert da Cruz um de seus maiores desafios foi conviver com a falta de apoio da família, Caldeira revela a sua batalha interna com a primeira dificuldade que enfrentou. “Uma vez me perguntaram se eu já tinha sofrido preconceito e fui resgatando a minha história. Precisei me submeter a muitas coisas quando neguei a minha existência e identidade, o meu corpo. Na adolescência, foram chegando algumas dores e isso veio para mim em um formato de reclusão. Inconscientemente, comecei a me negar.” Durante a conversa, ele ainda destaca a importância da arte diante desse cenário de sua vida. “Fiz cursos de pintura, circo e dança, que foram muito marcantes para eu entender a naturalidade da minha personalidade e trabalhar a expressão através da arte e a consciência corporal.”

Em um passeio por São Sebastião, Ricardo Caldeira apresenta a Casa Frida, da amiga e “artivista” feminista Hellen Frida, como ela se autodenomina. No espaço, eles realizam eventos artísticos na periferia. Enquanto arrumam mais um sarau, o terceiro personagem do episódio entra em cena. Nascido em Formosa, Goiás, Rodrigo Santiago é ator, performer e professor de teatro. “Nós que somos pretos, já nascemos com algumas histórias escritas e vamos aprendendo que precisamos subvertê-las.” Para o ator, as portas abertas no passado são essenciais. “Ainda incomodamos muito enquanto negritude, LGBT. Então, ao mesmo tempo em que muitos vieram antes de nós e abriram caminho, é necessário ter a consciência de que nós também estamos abrindo para os que virão.”

Os dez episódios de “Favela Gay – Periferias LGBTQI+” estão disponíveis no Canal Brasil Play sempre após a exibição na TV. Os episódios são reprisados às segundas-feiras, às 12h30, e às terças, às 7h30. Classificação: 12 anos.