Especial

'O Mal-Estar na Civilização': hipocrisia é o que move a sociedade?

O livro clássico de Freud é absolutamente atual e uma primeira edição pela Edipro, de São Paulo, acaba de ser lançada; encomendas pela Amazon

21 de Maio de 2020, 10:38

Gabriela Cuerba/ Assessoria

O que o médico neurologista e psiquiatra Sigmund Freud (República Checa, 1856- Inglaterra, 1939) quis ensinar com a obra-prima “O Mal-Estar na Civilização”? Para ele, o mundo é feito de regras sociais, leis e privações de todas as espécies que atingem o homem em cheio. Mas a humanidade tem a capacidade de viver com tantas imposições?

A resposta é não. Neste estudo, além de mostrar os danos psicológicos que as privações dos instintos naturais dos homens causam nos indivíduos, Freud avalia o comportamento das pessoas em relação a essas regras. Ele cita que as pessoas naturalmente não cumprem todos os limites que a sociedade impõe, logo, isso gera uma eterna espiral de hipocrisia em que a civilização sobrevive e se constrói.

Segundo o pai da psicanálise, é impossível que as pessoas construam laços firmes e fortes diante de tantas proibições, neste sentido elas escondem suas obscuridades, fingem não ser quem são e formam os relacionamentos em cima de omissões e mentiras.

Para Freud, pulsões primitivas x regras sociais causam patologias

Além das crueldades escondidas, a formação da sociedade ficou baseada em discursos que permitiam atos cruéis em nome de um bem maior diante aos que regem essas regras e leis, tais como as guerras.

Neste sentido, Freud não só vê o homem dividido entre a sua natureza e a cultura, mas sim sofrendo todas as consequências que isso pode causar. Patologia social é o sofrimento continuo e propagado pela sociedade.

“O Mal-Estar na Civilização” nos apresenta a teoria freudiana de que o conflito entre as regras sociais e as pulsões primitivas do homem seria a principal causa dos distúrbios psicológicos de nosso tempo. Escrito em 1929 e publicado no ano seguinte, tornou-se uma das obras mais lidas do psicanalista tcheco. Este estudo da relação entre a sexualidade e a agressividade do indivíduo e a opressão civilizatória da cultura é uma verdadeira investigação sobre as origens da infelicidade do homem.

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“O Mal-Estar na Civilização” – nesta edição traduzida por Saulo Krieger e prefaciada pelo doutor em filosofia Guilherme Marconi Germer – é um dos mais importantes tratados médicos da história da psicanálise, bem como uma importante ferramenta de análises sociológicas. Uma obra-prima que nos faz questionar: estariam as comunidades condenadas a um estado permanente de neurose?

O tradutor Saulo Krieger, tradutor de “O Mal-Estar na Civilização”, é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo e bolsista na Université de Reims, na França. A obra tem muita conexão com o momento que vivemos. Para Freud estamos condenados a sermos infelizes ao ponto da total destruição por termos de viver reprimidos de nossos instintos mais primitivos.

Ao custo de R$ 29, essa primeira edição do livro pela Edipro (2020, 96 págs.) pode ser encomendada à plataforma Amazon.