Cultura

Em quarentena, Rodrigo San diz que tem 'rotina frenética' dando aulas de arte e preparando novos projetos

Na quarta-feira (3), às 18h, músico participa da série de lives promovida pelo estúdio paulista Show Livre; no Youtube tem videoclipe novo do artista

27 de Maio de 2020, 15:13

Sebage/ Editor

Rodrigo San é uma grata revelação da música alagoana em 2019. Não que seja um novato – foi um dos fundadores da banda Vibrações e, como guitarrista, já tocou com a maior parte das estrelas do nosso cenário musical. Mas, depois dessa longa trajetória acompanhando os totens, San decidiu investir em sua própria verve de compositor e cantor, tornando-se, a partir do lançamento do álbum “Sutil” em setembro do ano passado, referência de boa música inventiva. Em Maceió, não há do que reclamar quando o assunto é criatividade musical: são muitas tendências e formatos, com Rodrigo San se firmando como artista sensível e inovador. As canções de “Sutil” – de feição pop e gradações sentimentais que vão da soul music brasileira de Tim Maia e Dalton ao iê-iê-iê de Roberto Carlos, com roupagem autêntica e original –, trazem o frescor das boas ideias, com a sinceridade e inspiração do grande artista que é Rodrigo San. Quem não ouviu ainda, prepare-se para a live programada para a semana que vem, quarta-feira (3), às 18h, no canal YouTube do estúdio Show Livre.

Dentro da nossa série “Entrevistas de Quarentena”, conversamos com San pelo Whatsapp, abordando esse momento tão delicado na carreira dos nossos artistas. Seguem a conversa e um aviso: para assistir à live do Show Livre, você precisará escolher um valor para contribuir não somente com o artista, mas, também, com a população carente do bairro do Vergel do Lago. Escolha o valor do cadastramento, R$ 10, R$ 20 ou R$ 30, e aproveite o show.

'Aproveito o pouco tempo livre para ouvir música', diz Rodrigo San

Como você está se cuidando nesses dias perigosos de coronavírus?

Rodrigo San – Tenho procurado sair de casa o mínimo possível, sempre que saio, em caso de muita necessidade, procuro me proteger tomando todas as precauções, de higiene e distanciamento. Fins de semana, quando é possível, compro meia dúzia de cerveja e tomo no meu quintal sentado numa cadeira de praia. Assim, cuido também da saúde mental, kkk.

Como você e sua família estão passando os dias de quarentena, como ficou a sua rotina?

San – Tenho tido uma rotina frenética, por causa da docência, aulas remotas 24h, relatórios, planejamentos etc. Tenho conciliado tudo isso com as atividades artísticas. Tenho uma equipe de parceiros muito boa me ajudando a tocar esse projeto. Lucas Laranjeira, meu parceiro e produtor, tem conseguido incluir nosso trabalho em vários projetos legais. Yan Azevedo, que gravou meu último single, também tem corrido junto com a gente nessa empreitada. Além de vários parceiros que vão cruzando nosso caminho, como você e Arnaud Borges...

'Em tempos de pandemia, precisa democratizar acesso à tecnologia'

Você é professor de artes e, bem, deve estar cheio de alunos on line, fazendo à distância com os colegas professores... Está funcionando, conseguindo bons resultados?

San – Rapaz, trabalhando um bocado. Trabalho na rede pública estadual e, em geral, os alunos são extremamente carentes. Em tempos de pandemia, para que a engrenagem possa funcionar é necessário que o acesso à tecnologia seja democratizado, e infelizmente não é. A grande maioria não possui computador, muitos não têm celular, e ainda há um grande número de alunos que não possuem sequer internet banda larga. Tenho escutado relatos de alunos que têm ido para a calçada do vizinho para pegar o wi-fi. Situação triste, amigo. É triste ver que estamos vivendo num ambiente político tão pobre, em que as pessoas não têm o mínimo de empatia. Vejo pessoas cobrando a realização de Enem em plena pandemia. A meu ver, isso amplificaria o abismo social que já existe entre os estudantes.

San fará uma live para a plataforma Show Livre Play na próxima quarta-feira (3)

Quanto às lives que você já fez no Instagram, apresentando as canções do disco “Sutil” e outras inéditas, ficaram muito boas. Como você as programa?

San – Recentemente, fiz essa descoberta das lives e acabei me apegando, vinha fazendo quando dava na telha, programando um dia antes e fazendo uma divulgação mínima. Tenho ficado muito feliz com o envolvimento da galera, me sinto acolhido... É o tal do “abraço virtual”, como diz o amigo Arnaud Borges nas lives dele - até fiz uma participação numa delas, na semana passada, tocando minha canção mais recente, “Mil Abraços”. No momento, resolvi junto com o pessoal do ShowLivre não fazer lives até o dia 3 de junho [quarta-feira], quando irei me apresentar no portal ShowLivrePlay, no projeto “#musicasalva”. Esse projeto #musicasalva será um grande desafio para mim, porque é uma live com o público contribuindo com R$ 10, R$ 20 ou R$ 30 para ter acesso a ela. Toda renda arrecadada, 50% é destinada 50% a instituição de caridade [o Instituto Mandaver] e os outros 50% ficam com o artista, que, no meu caso, destinarei totalmente aos músicos que tocam comigo e que estão passando por grande dificuldade.

Veja aqui o videocliple de 'Aquela Bicicleta', lançado no início do mês 

Você é o mais novo integrante do movimento Antropofágico Miscigenado, junto comigo, Edi Ribeiro, Deyves... Quando vai rolar uma live?

San – Estou ansioso para que a gente possa urgentemente articular a nossa live ‘antropofágica’. É um projetão, tenho muito orgulho de fazer parte dessa história. Vamo pra cima, vamos fazer história, vamos movimentar a arte de Alagoas. Tamo juntão!

Você acabou de lançar o single “Aquela Bicicleta”, junto com um videoclipe, Como foi a produção do vídeo? Você não aparece pedalando.

San – O single foi gravado em Maceió, no estúdio da Life Records, mixado pelo Marcos Maurício, que produziu o álbum “Sutil”, e foi masterizado pelo Luís Lopes, no estudio C4 em São Paulo. Os músicos que participaram foram: Dinho Zampier nos teclados, Kiko Santos no contrabaixo, Victor Sávio na bateria e eu fazendo voz e violão. O videoclipe ficou por conta do Raphael Pires Palmeira, mesmo produtor do clipe de “Se a Canoa virar”. Até pensamos em fazer umas imagens comigo pedalando, hahahaha, mas por conta das regras de distanciamento impostas pelo covid-19 não foi possível.

Não sabemos quando termina a quarentena: diante disso, como ficam os planos musicais?

San – Seguimos confiantes em dias melhores, tentando levar nossa arte através dos canais que estão disponíveis no momento e mantendo firme a conexão com aqueles que correm junto com a gente. Vamo pra cima!