Wilson Santos: uma trajetória de musicalidade afro-brasileira na cultura alagoana

O percursionista é o quarto artista abordado pela série de videodocumentários que a Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas realiza nesse período de quarentena

15 de Junho de 2020, 10:25

Da Redação

O percussionista Wilson Santos traz a ancestralidade e originalidade da cultura afro-brasileira para o quarto videodocumentário realizado pela Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (a Diteal). Disponibilizada no canal da instituição no YouTube, a produção pode ser acessada, também, nas redes sociais da Diteal no Instagram e Facebook.

Fundador da essencial Orquestra de Tambores de Alagoas, o veterano Wilson Santos conta que o conjunto, nascido em Maceió em 2004, é “majoritariamente formado por músicos da religião de matriz africana e das comunidades da zona sul de Maceió”. “A orquestra teve oportunidade de viajar o Brasil quase todo e realizar muitos sonhos. Me orgulha muito saber que a partir de percussão podemos formar vidas."

Orquestra de Tambores, fundada em 2004, em apresentação no Teatro de Arena em 2019

Apresentando os instrumentos utilizados na gravação, Wilson discorre sobre a origem e características de cada uma dessas ferramentas, a saber o tambor, o berimbau, o pandeiro e o xequerê, entre outros. “Muitos desses instrumentos são confeccionados pelos próprios músicos”, explica o informativo da Diteal enviado à Redação, destacando “o único instrumento de percussão alagoano, que, segundo Wilson está em fase de extinção: o bizunga”.

“O bizunga parece um caxixi, mas é maior, e provavelmente, foi um dos primeiros instrumentos de percussão utilizados no coco alagoano”, observa o músico. Para Santos, “esse instrumento e a forma de tocar não se dão em nenhum outro lugar, só em Alagoas”. “Bizunga é um pequeno beija-flor da mata alagoana. Depois que eu entendi que, ao tocar o instrumento, parece mesmo o movimento de um beija-flor."

Santos e Orquestra: referência da cultura ancestral afro-alagoana

Em 2019 – informa a Diteal – o instrumentista realizou diversas oficinas voltadas para o coco de roda, para o tambor xamânico e  para os princípios básicos da percussão. “"Desde o ano passado”, ele conta, “a gente começou trazer algumas oficinas na perspectiva de aproximar esse complexo [teatros Deodoro e Arena, Complexo Cultural Teatro Deodoro, todos no centro da capital] principalmente das comunidades da Zona Sul. Reconheço que existe um certo distanciamento, não por querer, mas causado por questões sociais. O foco também está na Diteal, na Secult [Secretaria de Estado da Cultura] e nas comunidades de base, onde essas manifestações desabrocham. A Diteal está dando essa oportunidade para mostrarmos a cultura afro-alagoana. A gente agradece e deseja vida longa a esses projetos, não somente o nosso, como de outros grupos que têm trabalho afro-brasileiro. Estamos ansiosos para que essa pandemia nos abandone para continuarmos desenvolvendo as nossas ações, contribuindo com a cultura brasileira."