Especial

El País entrevista cientista do Instituto Butantã sobre a 'imunidade de rebanho'

A expressão remete à dinâmica natural de transmissão de doenças infecciosas; Ricardo Palacios coordena o estudo que testará em nove mil voluntários a vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech

17 de Julho de 2020, 10:19

Da Redação

Na semana em que o Brasil alcança a marca de dois milhões de pessoas infectadas pelo novo coronavírus (exatamente, 2.012.151, segundo o Ministério da Saúde) e 76.668 mortes, o jornal El País apresenta uma discussão com cientistas sobre a chamada “imunidade de rebanho”, expressão que remete à dinâmica natural de transmissão de doenças infecciosas. “De acordo com os cientistas, essa imunidade coletiva acontece quando o número de pessoas resistentes ao vírus atinge uma fração da população suficientemente alta para que ele não encontre mais indivíduos suscetíveis à infecção”, afirma a newsletter da sucursal brasileira do diário espanhol enviada à Redação. Nesta sexta-feira (17), o veículo entrevistará o cientista Ricardo Palacios, do Instituto Butantan. Palacios coordena testes com a vacina chinesa no Brasil. A entrevista ao vivo ocorrerá às 17h no canal YouTube do jornal e em sua página no Facebook. Você pode mandar perguntas.  A entrevista será conduzida pelos repórteres Felipe Betim e Joana Oliveira.

Ricardo Palacios será entrevistado na tarde desta sexta-feira (17), às 17h

“Eu comecei a achar há algum tempo que a estraté gia do Brasil é a imunidade de rebanho por incompetência. Como o país não testa a população nem adota medidas eficazes de isolamento social, só resta saída default, que é o que acontece quando não se faz nada: a imunidade coletiva”, comenta o biólogo Fernando Reinach em reportagem de Joana Oliveira publicada nessa quinta-feira (16).

Reinach: 'Estratégia do Brasil é por incompetência'

O El País alerta, entretanto, que “não há consenso científico sobre taxa de infecção da população para alcançar imunidade coletiva nem sobre quanto dura a proteção”. “A estratégia é uma roleta russa apontada contra os mais vulneráveis”, sentencia o jornal. “Em janeiro, quando se supunha que só havia 41 pessoas infectadas por um misterioso coronavírus na cidade chinesa de Wuhan, vários grupos de cientistas iniciaram uma corrida contra o relógio para desenvolver a vacina contra uma doença que nem nome tinha.” 

É sabido que, seis meses depois, já existem 163 vacinas experimentais contra a covid-19, e 23 delas estão sendo testadas em humanos. “Nunca se viu nada igual”, afirma o El País, explicando que “a corrida ganhe ares de batalha geopolítica” e informando que, nessa quinta-feira (16), o Reino Unido acusou a Rússia de tentar usurpar a propriedade intelectual dos laboratórios e universidades que trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus. “E, no Brasil, qual é nosso estágio?”, pergunta o jornal.

Voluntária recebe vacina em estudo clínico realizado em março nos Estados Unidos

Fernando Reinach lembra que a estratégia de esperar a progressão natural do novo coronavírus até se alcançar a imunidade coletiva foi adotada por países como Reino Unido e Suécia, que, devido ao aumento de mortes, voltaram atrás. “Por aqui", ele diz, "ainda que o governo de Jair Bolsonaro não tenha assumido claramente essa política, o presidente sempre mostrou-se contra o distanciamento social e a favor da reabertura do comércio a qualquer custo”.

Em seu canal no YouTube, o miliciano que ocupa o maior cargo da República dizia nessa quinta que “pelo menos 70% da população será contaminada”. “Tem que tomar cuidado com os idosos, mas, em algum momento, esses também serão contaminados”, afirmou. Para Bolsonaro, ressalta Reinach, “quem chegar antes, a vacina ou a imunidade de rebanho, resolve o problema.”