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Maria Emília Clark traz dança emocionada e o compromisso social de seu balé para vídeo da Diteal

Instituição continua a documentar em audiovisual a obra de artistas alagoanos; bailarina e coreógrafa diz fazer 'um trabalho a serviço da educação'

24 de Julho de 2020, 16:30

 

Sebage Jorge/ Editor

A Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (a Diteal) lança mais uma produção audiovisual apresentando a grande obra dos artistas alagoanos. Dessa vez, a contemplada foi a bailarina, coreógrafa, diretora e professora Maria Emília Clark. O vídeo “Dança e Socialização” – disponível nas redes sociais, no site da Diteal e no YouTube – conta a história dessa poderosa dançarina, que, para além de seus balés memorais e inovadores, realiza um importante projeto social de dança, em parceria com a Diteal.

“Arte longa, vida breve. Este é um pensamento de Hipócrates que eu carrego comigo em todos os finais de nossos espetáculos”, comenta Emília Clark no vídeo. “Eu acredito que o artista, as crianças, os seres são condutores de luz e de energia. Nós fazemos aqui um trabalho de dança a serviço da educação, balé clássico como meio condutor de formação e trabalhos coreográficos diversos. Eu acredito que precisamos investir, apoiar essas crianças. O caminho é a educação, é a cultura, é a formação”.

Maria Emília Clark conduzindo as alunas do projeto 'Balé a Serviço da Educação'

Para a presidente da Diteal, Sheila Maluf, o projeto “Balé a Serviço da Educação” é “um importante trabalho de formação de bailarinos e de cidadãos, por meio da dança”. “Já atendeu a centenas de alunos da rede pública de ensino, despertando para o amor às artes, para o exercício da cidadania e criando oportunidades para quem não tem condições de pagar aulas.”

No vídeo, performática, Maria Emília Clark introduz o espectador desde o foyer do Teatro Deodoro, usando máscara e protetor facial de plástico (que bom dar o exemplo, não é?), passando pela plateia até chegar ao palco, desenvolvendo nessa corrida um tanto de emoção, liberdade artística e espontaneidade – coisas tão presentes em seu balé –, mandando, no final da coreografia, certo olhar de preocupação (tristeza?).

Um gesto e um olhar: 'Sentir o poder da dor da ausência e da presença de Dinho Oliveira'
Emília com Sheila Maluf e Alexandre Holanda, e com as alunas em cena no Teatro Deodoro

Com trilha sonora do compositor italiano Ennio Morricone e da cantora portuguesa Dulce Pontes, o vídeo traz depoimentos da própria Emília, claro, e da diretora-presidente da Diteal, além de seu gerente artístico, Alexandre Holanda. Pais e alunos do projeto que Emília conduz no Complexo Teatro Deodoro, no centro da capital desde 2016, comentam as experiências de estudos e emoções de palco. Trechos dos diversos espetáculos que a companhia Ballet Emília Clark apresenta anualmente são apresentados no vídeo.

Cenas dos espetáculos da coreógrafa e bailarina aparecem no vídeo

Alexandre Holanda diz que o projeto de Maria Emília é “muito importante” para o Teatro Deodoro, destacando o desenvolvimento artístico dos alunos. “A gente pôde ver o desenvolvimento dessas crianças. Elas chegaram aqui muitas vezes tímidas, com o olhar cabisbaixo e, com o tempo, foram pegando aquela segurança, resolvendo a auto estima delas. A gente tem muito a agradecer a essa bailarina, a essa mulher que usa o seu ofício como ferramenta para se doar para os outros, para proporcionar um mundo mais justo e de mais oportunidades.”

Maria Emília Clark diz que sua presença no Teatro Deodoro “significa assumir a energia do bem de quem nos propõe bem”. “A ideia de fazer essa performance foi de sentir o poder da dor da ausência e da presença de Dinho Oliveira [sonoplasta e colaborador de Emília, morto em abril deste ano], de todas as pessoas, da criança que vêm aqui, o teatro aberto... O caminho que foi essa coreografia, de chegar lá no palco e encontrar uma luz, onde a gente só tem no momento um caminho: agradecer, rezar e pedir a paz de todos. Eu tenho um grande prazer de estar aqui com vocês.”