Cultura

Primeiro longa-metragem de Rafhael Barbosa e Werner Salles estreia on line

Os dois cineastas já haviam atuado juntos no curta 'Exu'; 'Cavalo' pode ser visto, de graça, no site do 4º. Festival Ecrã de Experimentações Audiovisuais, a partir desta quinta-feira (20) até o dia 30 deste mês

19 de Agosto de 2020, 22:41

 

Sebage Jorge/ Editor

O longa-metragem “Cavalo”, de Rafhael Barbosa e Werner Salles, que iniciou carreira em janeiro na 23ª. Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), participa da seleção oficial do 4º. Festival Ecrã de Experimentações Audiovisuais (RJ) e pode ser visto gratuitamente a partir desta quinta-feira (20) até o dia 30 no site do festival.

Disputando prêmios com outras cem produções de várias partes do mundo, “Cavalo” chega ao festival fluminense com o rigor e a poesia propostos por uma fotografia forte – marcada pelo contraste (clássico?) de sombra e luz e pelo próprio tema do filme –, e ancestralidades afro-brasileiras refletindo na contemporaneidade alagoana, além de uma música intensa, contagiante.

'Cavalo', filmado na lagoa Mundaú e no centro de Maceió, mistura ficção, pesquisa e poesia

Entre a metalinguagem, a pesquisa e o ensaio, a produção dirigida pela dupla Barbosa-Salles dialoga com o tema da espiritualidade ao tempo em que alça voos para além da religião e da história, tornando-se obra de arte múltipla (cinema, dança, poesia, música, teatro, performance) com a maturidade de dois diretores experientes da cinematografia local. Um lindo filme que faz pensar e, sobretudo, viajar. 

Uma avant-première de 'Cavalo' em abril em Maceió foi cancelada por conta da pandemia

“Desde ‘Exu’, de 2012, temos desenvolvido um projeto artístico que se relaciona com os arquétipos dos orixás e das entidades”, explica Rafhael Barbosa no informativo enviado à Redação. “Uma pesquisa de oito anos que influenciou na concepção do nosso primeiro longa. Também estávamos estudando a história do Quilombo dos Palmares, uma das maiores narrativas de resistência do mundo, quando entendemos que seria instigante investigar os ecos desse passado em nossa contemporaneidade. A ancestralidade foi o caminho encontrado para expressar essa busca.”

'Pesquisa de oito anos influenciou na concepção desse primeiro longa', diz Rafhael Barbosa

Werner Salles diz que o filme “é um mergulho nas possibilidades do inconsciente”. “Também é um arquétipo do inconsciente, uma metáfora do corpo., da força, da psique. E o filme dialoga diretamente com essas questões. A intuição foi o guia, não só nas performances das personagens, mas desde a concepção até a montagem final. Somos todos cavalos nesse processo.”

Werner Salles (centro), com Felipe Guimarães e Rafhael Barbosa/ Foto/ Renata Baracho

Os diretores apostam numa boa recepção do público. “O filme não tem uma narrativa clássica”, aponta Barbosa, explicando que seguiu “o caminho do cinema de poesia”. “Mas sempre com uma vontade de nos conectarmos com o público por meio da sensibilidade. Num momento em que a intolerância religiosa e os diversos preconceitos avançam de maneira preocupante no país, ‘Cavalo’ é um grito poético que deve reverberar.”

Equipe de 'Cavalo' no foyer do Teatro Deodoro, no centro da capital

Salles, por sua vez, afirma ter escolhido “o corpo como signo mais proeminente do filme”. “Nossas personagens são sete jovens artistas alagoanos, rappers, Bboys e Bgirls, dançarinos e dançarinas de diferentes gêneros. E alguns deles são cavalos, como são chamados os médiuns na umbanda e no candomblé, que é uma condição que potencializa a capacidade de expressão corporal.”

“Cavalo” será exibido também no CIndie Festival entre os dias 24 de setembro a 3 de outubro e na mostra Olhares Brasil do 9º. Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, entre 7 e 15 de outubro. Em novembro participará da programação especial de longas-metragens do 10º. Circuito Penedo de Cinema. No circuito internacional, foi selecionado para o Mímesis Documentary Festival, no Estado do Colorado (EUA), ainda este mês, e para o Festival Latinoamericano de Cine de Quito – este somente em 2021.