Cultura

Wado lança 'A Beleza que deriva do Mundo, mas a Ele escapa', seu álbum mais contemplativo

É o décimo-segundo trabalho do artista, lançado nesta sexta-feira (2) pelo selo carioca LAB 344; artistas da cena local fazem participações especiais

02 de Outubro de 2020, 09:56

Sebage Jorge/ Editor

O cantor e compositor Wado lança nesta sexta-feira (1º.), pelo selo carioca LAB 344, seu décimo-segundo álbum, “A Beleza que deriva do Mundo, mas a Ele escapa”. Durante este ano, como todos nós vivendo sob o mal que foi instalado no governo deste país, ainda mais ameaçados por um vírus mortal, o artista foi soltando singles desse trabalho agora disponível em todas as plataformas de streaming. Foram quatro canções, “Faz Comigo”, “Nina”, “Arcos” e “Depois do Fim” – três delas viraram videoclipes, começando com “Faz Comigo”, em que Wado dividiu os vocais com Flora Uchoa, também parceira nessa composição. Esses trabalhos tiveram ótima repercussão nos streamings, que Wado supõe dever-se a certa tensão da quarentena. “Acho esse disco lindo, ele tem uma popularidade inédita na minha carreira, vide os plays de streaming dos singles (mais de 300k em quatro faixas num curto período de tempo”, diz ele em reportagem do site de música Hits Perdidos. “Tenho a intuição que uma obra delicada como essa possa fazer bem para passarmos os dias com prazer e algum conforto, falo isso humildemente e, como disse, tenho apenas uma intuição.”

Wado soa clássico neste 'A Beleza que deriva do Mundo...'

As parcerias são o forte desse trabalho, embora o coletivo sempre tenha feito parte da carreira de Wado, próxima de completar 20 anos – seu primeiro álbum, “Manifesto da Arte periférica”, é de 2001. A diferença nesse “A Beleza que deriva do Mundo, mas a Ele escapa” são as participações de artistas locais (Júnior Almeida, Cris Braun, LoreB, Felipe De Vas, Yo Soy Toño), dividindo, digamos assim, a composição do álbum com outros parceiros de estúdio e palco mundo afora, como o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro, o músico e produtor carioca Kassin, o cantor e compositor baiano Lucas Santtana, os cantores e compositores pernambucanos Otto e Zé Manoel, o cantor e compositor mineiro, atualmente morando em Lisboa, Momo e – surpresa – o compositor e violonista Thiago Silva, integrante da banda carioca de pagode romântico Sorriso Maroto, com quem Wado assina quatro das 12 faixas do álbum, “Nina”, “Angola”, "Arcos" e “Cacos”.

Ouça aqui o novo álbum do artista

Outra diferença: não é um trabalho percussivo como a maioria dos álbuns do artista, passeando ora pelo soft rock ora experimentando os ritmos de uma chamada nova MPB. Pautado em violões e orquestrações (com arranjos do músico e produtor Jair Donato), abrindo mão dos beats, “A Beleza que deriva do Mundo, mas a Ele escapa” é, provavelmente, do ponto de vista MPB, o disco mais clássico de Wado – soando até como bossa nova em “Quem somos Nós” (com participações de Júnior Almeida e LoreB), “Arcos” (com Felipe De Vas e Yo Soy Toño) e “Nanã” (com Otto).

Sobre o título “A Beleza que deriva do Mundo, mas a Ele escapa (de um verso do poeta alagoano Sidney Wanderley), Wado diz que, para ele, a frase é “plural de significados”. “Na maioria das vezes, não sei o que ele quer dizer, só tenho intuições”, afirma no site Hits Perdidos. “Acho que o que escapa é a arte. Se for no sentido de transcender, pode ter um sentido de algo que se perde. A frase é linda em si, isso já é uma busca. É perfeito para este ano que não acaba nunca, porque é um nome leve, em certo ponto.”