Cultura

Em parceria com o produtor e compositor Mário Cézar, Rosselliny mistura forró e punk em 'Folha Seca'

Estreia da cantora em estúdio, álbum traz influências do rock e da música brasileira, especialmente as sonoridades psicodélicas dos anos 1970; imperdível

12 de Novembro de 2020, 09:45

Ricardo Guimarães/ Colaborador

Já na faixa “Psicopele”, que abre seu álbum de estreia “Folha seca”, a cantora Rosselliny, com seu timbre encorpado de contralto, mostra a que veio: "Voo alto (...)/ Não me basta os modelos que eu sei (...)/ No espaço tudo pode acontecer", entre teclados retrôs vigorosos.

O disco – lançado no mês passado e jogado direto em todas as plataformas pelo selo Voragem (leia-se Pedro Salvador) – tem produção caprichada e competente execução de todos os instrumentos assinadas pelo músico Mário Cézar, egresso de bandas relevantes da cena local como Poções Mágicas, Capitães de Areia e Porcos de Pelúcia.

O tremendo bom gosto nos timbres, o equilíbrio na estrutura sonora que permeia todo o álbum confere a Cézar promissora carreira como produtor.

Casal Rosselliny e Mário Cézar: ele compositor e produtor do álbum

Entre rocks potentes, belas baladas, blues inspirados e certeiras incursões pelo terreno fértil dos sons psicodélicos, “Folha seca” toca em nossos ouvidos com inegável poder de sedução. Culpa do distanciamento social involuntário a que fomos submetidos... O álbum é filho da pandemia. A rigor, é um disco de dupla, já que a participação de Mário Cézar extrapola a produção. Ele também assina todas as canções, além de fazer backings vocals em várias outras.

Ouça aqui o vigoroso lançamento de Rosselliny

Mas a protagonista da obra encanta e imprime um diversificado painel interpretativo a cada uma das faixas. Entre os destaques estão “Você em mim” ("Meu amor é tão raro e tão claro dentro de mim/ Por favor me aqueça e amanheça no meu jardim"), com potencial de hit radiofônico pra tirar baba da boca de qualquer Guilherme Arantes; “Teogonia” é ode ao politeísmo, tão cerceado nesses tempos intolerantes, e “Entre o Sim e o Não” (a grande pérola do disco) é progressivo com longa e climática introdução que traz achados poéticos ("O mundo cai dentro de mim").

Deslize: a concordância no verso "gente de outro mundo passam nas calçadas" na ótima faixa “Ponto de Ônibus”. Mero detalhe que não dissolve seu status de beleza. O álbum encerra em grande estilo com a deliciosa balada jovenguardista “A Medida do Amor”.

Justiça seja feita, “Folha seca” é inegável atestado de talento que Rosselliny joga aos quatro ventos.