Especial

Plano de saúde convoca médicos pretos para refletirem sobre educação, saúde e condições de trabalho

Gleydson Lima e Wellington Moreira da Silva concordam que 'é preciso ser julgado pelo caráter, e não pela cor da pele'; o Dia da Consciência Negra é celebrado no dia 20 de novembro

25 de Novembro de 2020, 07:48

Da Redação

O plano de saúde Hapvida convocou dois médicos de seu quadro alagoano, o otorrinolaringologista Gleydson Lima e o residente em medicina do trabalho Wellington Moreira da Silva, para refletirem – em alusão ao Dia da Consciência Negra – sobre a “importância da educação para desconstruir o preconceito”.

De acordo com o informativo enviado à Redação, a iniciativa busca "reafirmar" um compromisso do plano de saúde cearense com "a igualdade social", combatendo "qualquer tipo de preconceito ou descriminação”. O Hapvida Maceió afirma que os dois médicos da rede “conhecem bem o que é ser negro em um país que grita por liberdade". Falando sobre os desafios de suas carreiras, Gleydson Lima e Wellington Moreira da Silva, fazem coro com a empresa para qual trabalham: “É preciso ser julgado pelo caráter, e não pela cor da pele".

Natural de Feira de Santana (BA), o otorrinolaringologista Gleydson Lima, 40 anos, com dez anos de atuação, diz que “os negros foram e continuam sendo importantes para a formação social, histórica, econômica e cultural do nosso país”. “Infelizmente, nós ainda enfrentamos obstáculos concretos no acesso a bens, serviços e direitos."

'Ainda enfrentamos obstáculos concretos', diz Gleydson Lima

Para Lima, profissionais de medicina pretos "colecionam algumas conquistas". "Mas existe um longo caminho pela frente. A nossa atuação aumenta a cada ano, mas precisa ser mais expressiva. Investir na educação de base pode eliminar desigualdades historicamente acumuladas e garantir mais oportunidades."

O palmarino Wellington Moreira da Silva, 34, trabalha na área de urgência e emergência do Hospital Maceió, além de atuar como médico residente em medicina do trabalho. Ele afirma que conseguiu mudar a vida de sua família “com o suor” de seu trabalho. “Hoje posso contribuir para que meus pais e irmãos tenham oportunidades. Eu represento outras pessoas negras e estou aqui para mostrar que podemos assumir nosso lugar onde quisermos.”

Silva acredita que “é necessário maiores investimentos em educação pública de qualidade, além de projetos específicos voltados à comunidade negra”. "Eu vivo o dia da consciência negra todos os dias. Sinto muito orgulho do profissional que me tornei. Espero que o meu testemunho possa incentivar as outras pessoas a resistirem e a lutarem pelos seus sonhos."