Cultura

Fórum das Letras faz 15 anos e comemora o centenário de Clarice Lispector

O famoso evento promovido pela Universidade Federal de Ouro Preto ocorrerá este ano on line a partir de 7 de dezembro; serão discutidas as relações da escritora ucraniana (naturalizada brasileira) com a França, que a publicou em 1956

29 de Novembro de 2020, 16:17

Da Redação

O prestigiado Fórum das Letras da Universidade Federal de Ouro Preto está de volta em versão online, a partir de 7 de dezembro. A grande novidade desta edição – que segue até o dia 18 – é a programação conjunta com a 1ª. Bienal Virtual do Livro de São Paulo. “Este ano o fórum homenageia Clarice Lispector, seu centenário. E tem como tema o título de sua obra, ‘A Hora da Estrela (1977)’”, destaca o informativo enviado à Redação. O evento será transmitido pelo Fórum das Letras

O historiador e pensador francês Roger Chartier é o convidado internacional do evento

A parceria do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, possibilitou a composição de mesas para discutir as relações de Clarice Lispector e a França, o primeiro país a publicar a escritora, em 1956 – o romance “Perto do Coração selvagem. “Nesses encontros”, destaca a comunicação do fórum, “serão discutidos pontos de contato entre as obras de Clarice Lispector, e as escritoras francesas Marguerite Duras e Nathalie Sarraute. As traduções das obras de Clarice para o francês, bem como os desafios na edição delas, no Brasil e na França, serão abordados nas mesas do Fórum das Letras que entrarão na programação da Bienal de São Paulo. Além das mesas em parceria com a Bienal Virtual do Livro, o Fórum das Letras de 2020 terá uma vasta programação que irá debater a obra e a vida de Lispector.”

'O texto de Lispector continua emocionando os leitores', diz Grammont

Tradutores, editores do Brasil e da França e especialistas como Nadia Batella Gotlib e Teresa Montero, foram convidados. O historiador francês Roger Chartier participará dos debates, pelos quais passarão, também, os escritores Nélida Piñon, Mario Magalhães, Betty Milan, Ricardo Lísias e Tiago Ferro. 

A escritora e curadora Guiomar de Grammont, coordenadora geral do Fórum das Letras, diz que o romance “encena o poder da linguagem e as redes de sustentação da existência humana e dos laços sociais”. Segundo ela, uma ferramenta “potente” para pensarmos na nossa realidade.

“Ao expor o isolamento e a fragilidade da condição humana de uma massa de pessoas deslocadas e segregadas, o texto [de Clarice Lispector] continua emocionando os leitores da atualidade”, afirma Grammont. “A história acontece em um estado de emergência e de calamidade pública, que têm muito a ver com o momento que estamos atravessando, de pandemia e reflorescimento do autoritarismo e da supressão das liberdades individuais.”