Cultura

Alagoar é plataforma online dedicada ao audiovisual alagoano

Para comemorar os cem anos do nosso cinema, cineastas e videomakers realizam o Festival Alagoanes e outras atividades viabilizadas pela ajuda emergencial da lei federal Aldir Blanc

04 de Fevereiro de 2021, 15:47

Claudio Manoel Duarte/ Colaborador

O cinema alagoano completa cem anos. A referência é o documentário “Carnaval em Maceió”, do pioneiro Guilherme Rogato (San Marco Argentano, Itália, 1898 – Maceió, 1966), filme sem áudio, produzido em 35mm no ano de 1921. Outra referência, também de Rogato, é o curta-metragem “A Inauguração da Ponte de Victória”, filme (desaparecido) realizado no mesmo ano, na cidade de Quebrangulo. De lá para cá, inúmeras outras referências de produção foram alimentando a história do cinema de Alagoas. A partir dos anos 1980, com o surgimento das tecnologias de vídeo, há uma acentuação na realização de documentários, filmes experimentais de videoarte e videopoemas e ficções.  Neste centenário, recheado de atividades comemorativas, destacamos aqui a iniciativa da plataforma Alagoar, que trabalha pela memória, formação e difusão do cinema produzido no Estado.  

Guilherme Rogato inaugurou o cinema alagoano em 1921

E uma das iniciativas da Alagoar é a realização do Festival Alagoanes, que homenageia o centenário cinema alagoano. Na entrevista a seguir, Larissa Lisboa, videomaker, analista de cultura em audiovisual, idealizadora, coordenadora geral, pesquisadora e produtora do Alagoar, fala das ações que estão sendo empreendidas. 

Acompanhe a entrevista. 

Lembro que em 2015 vi surgir o projeto online Audiovisual Alagoas, uma espécie de cartografia da produção audiovisual do Estado, mas já fruto de uma pesquisa analógica anterior, de 2008. O atual Alagoar, enquanto plataforma, vem dessa sequência, porém com um viés de agrupamento, de coletividade, de trabalho conjunto. É isso? De que forma funciona? 

Escrito e dirigido por Rogato, 'Casamento é Negócio?' (1933) é um marco do nosso cinema

Larissa Lisboa – Sim. O projeto online surgiu em 2015 como Audiovisual Alagoas, encabeçado por mim e Amanda Duarte, e em 2016 rebatizamos como Alagoar. É desdobramento da pesquisa iniciada por mim e Bruna Queiroz como Trabalho de Conclusão de Curso da graduação de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo em 2008, que resultou no “Catálogo da Produção Audiovisual Alagoana”, que infelizmente não foi publicado por falta de recursos. Como projeto online, contamos com colaboradores já em 2015, nos empenhamos em renovar a nossa disponibilização como espaço aberto a colaborações daqueles que desejem mergulhar no audiovisual alagoano compartilhando informações e impressões, entre outros.  

O catálago da Alagoar dispõe de 330 filmes alagoanos

O Alagoar elege como objetivos realizar ações nos campos da “difusão,formação e preservação da memória audiovisual”. São três campos que envolvem muito trabalho e infraestrutura. De que forma, num Estado sem muito apoio sistemático à indústria do audiovisual, vocês realizam essas ações?  

Lisboa – Na proposta de catálogo de 2008 estavam reunidos mais ou menos 200 filmes realizados entre 1921 e 2008, que estão entre as obras do Catálogo de Produções Audiovisuais do Alagoar. Contamos atualmente com 693 obras audiovisuais alagoanas catalogadas, entre elas 330 filmes alagoanos online. A catalogação foi e é nossa base, e tem conexão direta com a preservação da memória audiovisual e com a difusão, disponibilizamos formulários para cadastros de obras audiovisuais e outras informações. Atuamos na difusão, formação (direta e indiretamente) e preservação da memória audiovisual de forma simultânea – ao ser uma janela que possibilita o acesso às informações das obras que estão ou não online, ao disponibilizar roteiros, críticas, realizar cobertura de mostras e festivais, e divulgar as ações que tocam ou envolvem o audiovisual alagoano. Durante a pandemia de covid-19, oferecemos o webinário “Alagoanas da Imagem”, realizado em conjunto com Kelcy Mary (da produtora Cuidadoria do Ser) e Rosana Dias. E estamos realizando o webinário “Cultura e Cinema”, que é um dos projetos contemplados no edital Vera Arruda, parte do conjunto de ações emergenciais destinadas ao setor cultural de Alagoas, que conta com apoio financeiro da Secretaria de Estado da Cultura via governo federal (Lei Aldir Blanc). 

A videomaker, analista de cultura em audiovisual e produtora do Alagoar Larissa Lisboa

Que ações destacam na atuação de vocês desde o projeto Audiovisual Alagoas até o atual Alagoar? 

Lisboa – Entre os destaques está a realização da cobertura do Circuito Penedo de Cinema (2017, 2018 e 2020), Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2017 e 2018), 3ª. Mostra Sesc de Cinema (RJ, 2019),  Mostra Sururu de Cinema Alagoano (Maceió, 2017, 2018, 2019 e 2020), Mostra Performance Negra (2018) e Mostra de Cinema de Tiradentes (MG, 2020 e 2021), graças aos colaboradores Janderson Felipe, Leonardo Amorim, Roseane Monteiro, Rosana Dias, Karina Liliane e Pedro Krull. Cadastro de 693 obras audiovisuais, 330 filmes alagoanos online, 135 videoclipes, além de séries e coleções; 136 profissionais e seis cineclubes. Registro e difusão de informações sobre a edições do Festival de Cinema de Penedo (1975 a 1982), Mostra Sururu de Cinema Alagoano (2009 a 2019), Circuito Penedo de Cinema (2016 a 2019), Festival de Cinema Universitário de Alagoas (2011 a 2019), Mostra Navi (2017 a 2019), Mostra Sesc de Cinema (2017 a 2019) e Mostra Quilombo de Cinema Negro (2019). Em parceria com o cineclube Mirante, foram realizadas as revisões e publicações das críticas produzidas pelas cinco edições do Laboratório de Crítica Cinematográfica realizadas como acompanhamento da Mostra Sururu. Foram realizados, também, encontros da Mostra Quilombo Convida junto a mostras e festivais do cinema negro brasileiro. Além de entrevistas escritas sobre o fazer audiovisual – 26 delas com trabalhadores do audiovisual alagoano – e diálogos virtuais através de lives realizadas pelo IG @alagoar. O ano de 2020 foi marcado pela presença de mais colaboradores e colaborações – peço desculpa por não nomear todos aqui. 

Alagoar realiza cobertura de diversos eventos de cinema no país

Alagoas comemora agora seus cem anos de cinema. Vocês articulam um festival, online, apoiado por leis de incentivo e apoio emergencial: o Festival Alagoanes, projeto contemplado no edital Professor Elinaldo Barros, da Lei Aldir Blanc. 

Lisboa – Iniciamos a produção do Festival Alagoanes, com produção executiva de Karina Liliane, que é um dos projetos contemplados no edital Professor Elinaldo Barros, que conta com apoio financeiro da Secretaria de Estado da Cultura via Lei Aldir Blanc. O Festival Alagoanes, online e gratuito, tem como objetivo celebrar o centenário do audiovisual alagoano, com exibições de filmes dirigidos ou codirigidos e produzidos ou coproduzidos por alagoanos ou residentes no Estado. Contará também com a realização de ações formativas mediante inscrições gratuitas, e debates. Está com inscrições abertas até o domingo (7). Vai o link para acessar o regulamento: https://bit.ly/39JrZOd.  

Existem outros agrupamentos no campo da produção (coletivos e empresas do audiovisual) em Alagoas. Quais grupos vocês destacariam, como fomentadores de um novo cenário para o cinema e vídeo no Estado?

Lisboa – O Fórum Setorial do Audiovisual Alagoano é um espaço para diálogo e colaboração. É a iniciativa responsável pela Mostra Sururu de Cinema Alagoano, entre outras ações em busca de fomentar o cenário do audiovisual em Alagoas. Temos um espaço para cadastro de empresas alagoanas e contamos com 16 produtoras alagoanas cadastradas, mas sabemos que existem muitas outras empresas do audiovisual, além dessas. Temos entre nossos parceiros e colaboradores no webinário “Cultura e Cinema” os coletivos Punho e Heteaçã, o Studio Magic Room, a Cuidadoria do Ser e o cineclube Mirante.  

O que pensam como futuro para o Alagoar, qual a perspectiva? 

Lisboa – Entre 2015 e 2020, o Alagoar foi mantido e todas as ações foram realizadas a partir de colaborações voluntárias.  Estamos vivenciando esse momento ímpar ao termos dois projetos financiados com recursos federais, o webinário “Cultura e Cinema” e o Festival Alagoanes. Então o nosso foco de futuro está em realizar essas ações e persistir na medida que for possível logo após.