Cultura

As veteranas Leureny Barbosa e Wilma Miranda encontram Wado no palco do Teatro Deodoro

Show produzido por Weldja Miranda, com financiamento da Lei Aldir Blanc, acontecerá no dia 5 de março e será exibido online no YouTube

10 de Fevereiro de 2021, 16:41

Eduardo Afonso Vasconcelos

A produtora Weldja Miranda dá novo fôlego à escassa memória musical alagoana com um projeto que viabiliza o encontro do cantor e compositor Wado com as intérpretes Leureny Barbosa e Wilma Miranda. No dia 5 de março, uma sexta-feira, um show gravado no Teatro Deodoro, no centro da capital, será transmitido ao vivo pelo canal da produtora no YouTube. No espetáculo, batizado “Sereno Canto e a Vitrola”, os três artistas farão uma bem vinda troca de repertórios.  

Enquanto Leureny e Wilma farão uma seleção inédita das composições de Wado, este, por sua vez, interpretará clássicos da música brasileira que são habituais no repertório das duas cantoras veteranas, como a bossa nova “Chega de Saudade”, de Antônio Carlos Jobim. Os arranjos são do maestro Willbert Fialho.  

Wado terá canções interpretadas por duas divas da bossa

O show idealizado por Weldja Miranda foi contemplado em edital da Lei Aldir Blanc. Para dizer um pouco sobre a produtora – que é irmã de Wilma e se arrisca, também, como cantora em eventos mais intimistas –, grandes espetáculos musicais como a edição especial do programa “Jazz Panorama ao Vivo – Wilma Miranda 50 Anos de Música”, realizado em outubro de 2019, ocorreram sob o olhar atento e sensível de Weldja Miranda. 

“Esquecer dos veteranos é um enorme desrespeito”, critica Miranda. “Não podemos negligenciar o trabalho de artistas como Félix Baigon, Selma Brito, Mácleim Carneiro, Chico Elpídio, Junior Almeida, Dida Lira, Almir Lopes, Wellington Pinheiro. Idade não consome talento."

Nesse sentido, os longos e forçosos hiatos dessas formidáveis cantoras com os palcos alagoanos devem-se, sobretudo, ao descaso com que historicamente é conduzida a política cultural em nosso Estado. Desde a carência e a precarização de equipamentos de fomento à arte até a escassez de programas de financiamento a projetos, o acesso democrático à cultura é negado há gerações pelo poder público.

Para a produtora, “nunca foi fácil realizar produções culturais em Alagoas, mas não exatamente por falta de público". "Na maioria das ocasiões em que conseguimos levar Wilma e Leureny novamente aos palcos, foi com muita garra e graças ao apoio de pouquíssimos empresários e amigos.”

Agora, em circunstância rara (que contou com financiamento público), as duas intérpretes reverenciam o cenário contemporâneo de música alagoana representado por Wado. E ele, cuja carreira artística é uma das mais bem consolidadas do Estado, celebra a tradição musical talentosamente defendida por Leureny e Wilma.