Cultura

Voz Festival – Arte e Diálogo reúne artistas independentes, ativistas e acadêmicos

Com shows e debates sobre questões sociais e políticas, como racismo e censura, evento online acontece em São Paulo, no período de 3 a 6 de março

12 de Fevereiro de 2021, 10:54

Da Redação

A partir do dia 3 de março, uma quarta-feira, às 15h, o evento Voz Festival – Arte e Diálogo promove uma vasta programação que se divide em quatro atos, desenrolando-se até o sábado (6). Idealizado em São Paulo pela atriz, apresentadora e produtora Luciana Cacioli, o festival reúne artistas da cena independente, ativistas e acadêmicos para debater pautas sociais urgentes, como censura, racismo e violência, inseridas em abordagens musicais, poéticas e literárias. O encontro de todas essas linguagens acontece em formato virtual e pode ser acompanhado pelo canal do festival no YouTube. 

A atriz Luciana Cacioli criou o Voz Festival – Arte e Diálogo

A estreia na quarta-feira – o Primeiro Ato, intitulado “Democracia e Cultura” – está marcada para as 15h, com participação da poeta e produtora cultural Cris Rangel e da poeta e pedagoga Luz Ribeiro. Na sequência, a partir das 17h, a drag queen e socióloga Rita Von Hunty e as cantoras Preta Ferreira e Ekena discutirão sobre “Arte em Tempos de Censura”. Encerrando o primeiro dia, às 20h30, show do artista multiinstrumentista Chico Salem. 

Na programação até o sábado (6), ocorre a série "Deriva de Poesia”,  conduzida por Cris Rangel e Luz Ribeiro, e debates sobre “Relacionamentos abusivos”, “Racismo estrutural”, “Diversidade e Comunidade LGBTQIA+”, além dos shows com Ekena e Preta Ferreira e suas respectivas bandas. 

Apesar de essa ser a primeira edição, o ponto de partida do Voz Festival aconteceu ainda em 2020, quando Luciana Cacioli produziu uma cerimônia para o lançamento do videoclipe de Chico Salem, “Só Que não”, uma crítica frontal ao regime político em vigência no país. O episódio soou como manifesto coletivo contra os desmandos do governo Bolsonaro, aglutinando militantes e trabalhadores da arte em defesa da democracia.  

A drag queen e socióloga Rita Von Hunty participa de debate sobre censura às artes 

Esse encontro aconteceu na Ocupação 9 de Julho, no edifício que foi do INSS, no centro da capital paulista. Desde 2019, o prédio abriga mais de 120 famílias, tornando-se espaço de cultura e ativismo sem qualquer auxílio do poder público – ao contrário, seus moradores sofrem perseguição e ataques constantes por parte do poder público. 

Nas palavras de Cacioli, “o lançamento na Ocupação 9 de Julho acabou se tornando um ato político-cultural, com uma programação que incluiu várias linguagens artísticas e mesas de diálogo”. Para este ano, a expectativa é de que o festival funcione como “ferramenta de transformação” – tanto para “quem pensa e desenvolve as obras” como para público “que aprecia e se alimenta delas”. “A ideia”, indica a artista e ativista, “é ampliar o olhar crítico e reflexivo sobre questões importantes para a igualdade e o desenvolvimento da sociedade.”