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Imposto de Renda 2021: prazo para a declaração começa em março

Contador Josinaldo Andrade aponta as etapas para não enfrentar problemas com a declaração em 2021; siga as orientações da nossa reportagem e se organize

19 de Fevereiro de 2021, 10:32

Eduardo Afonso Vasconcelos

Apesar de existir desde 1922, o Imposto de Renda brasileiro ainda causa muitas dúvidas entre os contribuintes do país. Tradicionalmente, o prazo para a declaração (ainda não divulgado em 2021 pela Receita Federal) inicia-se em 1º. de março, encerrando-se em 30 de abril, mas o ideal é começar desde já a organização de documentações referentes a suas movimentações financeiras de 2020. Então, vamos a um passo a passo, orientado pelo contador Josinaldo Andrade, para uma declaração de Imposto de Renda sem complicações neste ano. 

Segundo Andrade, a partir deste mês, a maioria dos bancos começa a liberar os informes de rendimento financeiro de pessoa física referentes ao ano passado. “É necessário coletar esses dados em todas as suas contas bancárias, inclusive, em possíveis aplicações através de corretoras de valores”, orienta. Para isso, o procedimento exato varia de acordo às instituições, mas, de um modo geral, pode ser realizado virtualmente e com facilidade. Aqui os informes de alguns dos principais bancos brasileiros: ItaúBradescoSantanderCaixaBanco do BrasilInter e Nubank

Andrade: '6% do imposto devido pode ser destinado à doação'

Outro tipo de documentação importante é aquele referente às deduções em potencial, como comprovantes de gastos (do contribuinte ou de dependentes) com educação, saúde e previdência privada. “Por exemplo”, explica o contador, “se você tem uma renda tributada de R$ 50 mil e teve gastos de R$ 10 mil com saúde, será tributada apenas a diferença entre esses valores, R$ 40 mil.” Caso haja despesa com doações e pensões, o valor também pode ser abatido. 

No entanto, gastos com educação têm dedução limitada a R$ 3.561,50 por dependente (com até 24 anos), mas cursos extracurriculares, como de idiomas ou de informática (mesmo destinados ao contribuinte), não podem ser descontados. Já para a previdência privada, a dedução é limitada a 12% dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte ao longo do ano, mas, desde o ano passado, gastos de patrões com a previdência de empregados domésticos não podem ser descontados. 

“Uma informação que poucas pessoas sabem é a de que 6% do imposto devido pode ser destinado à doação”, informa Andrade, observando que “não é possível escolher a instituição, mas apenas a esfera em que a doação será empenhada”. Ou seja, se em âmbito nacional, estadual ou municipal e ainda se para crianças e adolescentes ou para idosos. 

Sobre seus imóveis, o cuidado deve ser redobrado, pois é necessário atentar para quanto foi sua variação de patrimônio, “que deve ser compatível com o ganho ocorrido ao longo de 2020”. De acordo com Josinaldo Andrade, é preciso ter em mãos os comprovantes de aquisição e venda de bens imóveis em relação a esse período, bem como seu número de matrícula e de IPTU. “Outro detalhe que pode passar despercebido: não esqueça de sempre lançar as notas fiscais de reformas e melhorias que valorizam o imóvel para que o valor do bem esteja sempre atualizado no IR e isso não possa vir a gerar prejuízos financeiros.” 

Por último, é necessário ir atrás de documentos mais simples. São eles: cópia da Declaração de Imposto de Renda 2020, cuja solicitação pode ser feita no site da Receita Federal; saldo de todas as suas contas correntes, poupanças e aplicações sobre o dia 31/12; número do Renavam para veículos, que pode ser consultado no site do Denatran; Comprovante de Rendimentos Pagos, disponível no portal on-line do INSS; nome, CPF e data de nascimento de dependentes; comprovante de dívidas, se existirem, e, em caso de ser sócio de empresa, a distribuição de lucros do negócio. 

O contador faz questão de destacar a importância de o contribuinte estar ciente sobre todas as etapas do processo, mas informa que “apesar de existirem declarações simples de fazer, todos deveriam procurar um profissional qualificado”. Para Josinaldo Andrade, isso permite a apuração de informações com mais segurança, evitando “cair em malha fina” e possibilitando pagar tributos mais baixos, “com atenção ao número total de deduções possíveis”.